De bem com a idade

Chegar aos 70 anos de forma ativa, produtiva e feliz é a realidade dos quatro personagens da reportagem a seguir. Eles são o retrato da atual velhice brasileira

     

Quando se é criança, imaginar a vida aos 70 anos é um exercício que requer criatividade, já que esse futuro está muito distante. A figura encurvada diante da bengala com cabelos brancos e muitas rugas permeia a maioria das construções imaginárias. Aos 20 anos, a concepção já não é a mesma. O protótipo físico passa a dar espaço a um conceito. Justamente no momento em que se ingressa no mercado de trabalho, o oposto passa a ser referência: os jovens veem os septuagenários como aqueles que já podem desfrutar dos benefícios da aposentadoria, deleitar-se com o sossego de quem trabalhou a vida toda. Com o passar dos anos, a definição vai mudando e a imagem caricata se perde. No final, apenas quem tem o privilégio de chegar aos 70 pode realmente defini-los.

O cineasta Edgard de Castro, diretor dos Estúdios Kaiser de Cinema e vice-presidente da Fundação Feira do Livro de Ribeirão Preto, entrou para esta turma em janeiro deste ano. Ele diz que nunca se imaginou com esta idade, mesmo porque sua cabeça não tem 70 anos. “O ruim da idade é que a velhice é insuportável. É preciso lidar com as limitações, a decadência do corpo e da qualidade de vida. Em contrapartida, a cabeça evolui. Não tinha me preparado para a velhice, mas acho um privilégio viver esta idade”, afirma.

O advogado Brasil Salomão confessa que tinha uma visão comum a de outras pessoas. “Achava meus pais velhos com 50 anos. Hoje, aos 71, não percebo a passagem do tempo”, avalia. O empresário Rui Flávio Chúfalo Guião, presidente do Grupo Santa Emília, também está com 71 anos, inclusive, estudou com Brasil. Ele sempre teve uma visão otimista da vida, mas nunca fez planos para a chegada da velhice. Segundo ele, a vida vai se ajustando e fazendo sua parte. Já o ex-técnico em sistema elétrico e contador de causos, como ele mesmo define, Jugurta de Carvalho Lisboa, está na casa dos 70 há mais tempo. Em outubro, o escritor fez 79 anos e, para ele, tornar-se septuagenário foi um divisor de águas em sua vida. Todas as mudanças acontecidas não foram previstas, mas muito bem-vindas.

A chegada Aos 70
“O segredo para chegar aos 70 de forma produtiva e feliz é não contar o tempo; deixá-lo correr e passar naturalmente.” Essas são as palavras do advogado Brasil Salomão, que fez do discurso a sua filosofia de vida. Já Edgard fez projetos e os buscou incessantemente. A vida inteira lutou pelos objetivos que traçou e, desta forma, não percebeu a passagem do tempo.

Jugurta é bem otimista, sente que seu espírito está bem jovem. Ele tem como lema levar a vida sorrindo, pois, para ele, chegar aos 70 anos é uma dádiva. “Nem todos conseguem e eu tive essa alegria. Em outubro, chego aos 80 anos, com disposição e mantendo o sorriso”, comemora.

Trabalho
Antes de completar 70 anos, a vida de Jugurta era voltada às questões práticas. Como já havia passado por restrições financeiras, continuava trabalhando mesmo aposentado. Mineiro de Cássia, mudou-se, em 1964, para Furnas, onde trabalhou por 20 anos, tendo se aposentado na unidade do Rio de Janeiro. Dois anos depois, foi convidado a participar de um grupo que implantou a Operação Nacional do Sistema Elétrico da Eletrobrás. Passou seis anos em Brasília, dos quais dois na ponte aérea Rio-Brasília. Então, o ex-eletricitário aventurou-se em outra área. A pedido da filha odontopediatra, desenvolveu um produto que patenteou como maca pediátrica. Fabricou mais de 300 peças, algumas para exportação. Legalizou uma microempresa onde trabalhou por 12 anos, até que em 2004 sua vida tomou outro rumo.

Jugurta casou-se pela segunda vez e, em contato com os textos da esposa escritora, ganhou uma nova profissão. Como digitava os textos da mulher, passou a conviver com o mundo literário. Por ser um bom contador de causos e ter muitos na sua vida, a esposa o incentivou a colocá-los no papel. No início, fez isso com certa dificuldade, mas depois a tarefa fluiu melhor e alguns causos foram publicados. “São textos bem simples, até com certas pinceladas de regionalismo, mas percebo que o leitor gosta do que está lendo”, conta. Quando reuniu 40 textos, decidiu publicar um livro, que será lançado no dia 18 de maio, chamado “Do fundo do baú”. “É a história da minha própria vida. Aqueles causos tem tudo a ver comigo”, antecipa o escritor, que hoje não tem compromisso fixo de trabalho, mas fica angustiado quando não tem o que fazer. É um “faz tudo”, como define a mulher.

Edgard e Brasil formaram-se advogados juntos, em 1968, mas seguiram caminhos distintos. Antes de concluir o curso superior, Brasil ingressou no serviço público, na Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. Quando terminou a faculdade, pediu exoneração do cargo, montou seu primeiro escritório e, de lá para cá, tem se dedicado à carreira jurídica. Construiu um nome forte na área e seu escritório é referência nacional. Hoje, trabalha nove horas por dia, mas já sem exercer o comando do escritório, pois a sucessão diretiva e familiar da empresa já foi feita. Lucia Helena, sua esposa, comanda a área financeira da empresa e ele ficou com a atividade institucional, visitando e atendendo clientes, além de realizar algumas peças.

O advogado anuncia que pretende desacelerar. “É um projeto que existe, mas parece que não chega a época certa. Gosto muito do que faço, pois a advocacia é a minha paixão, mas chega uma hora em que é preciso diminuir o ritmo. Hoje, meu filho Marcelo já é o presidente do Conselho do escritório. A próxima meta é ser mais espectador do que ator”, afirma.

Edgard chegou a trabalhar no Direito, mas quando descobriu o Cinema deixou a sua primeira profissão. Antes, trabalhou com turismo, até porque morou um tempo na Inglaterra, mas a sua paixão mesmo é pela sétima arte. É por essa paixão que mantém uma rotina de mais de nove horas diárias de trabalho. O cineasta tem o projeto de fazer de Ribeirão Preto um polo de produção cultural, montar uma indústria de cinema. Seus planos ainda estão pela metade. A atividade requer um trabalho permanente para angariar apoio, sair em busca de recursos, gerar conteúdos, além de administrar o grande projeto dos Estúdios Kaiser, da São Paulo Film Commission. “Trabalho de sol a sol, mas como gosto do que faço, tenho o maior prazer”, garante.

De qualquer forma, também está preparando a sucessão. Nesses anos de trabalho, procurou uma pessoa que, assim como ele, fosse apaixonado pelo Cinema e a quem pudesse confiar o projeto. Nos últimos anos, encontrou os gêmeos André e Marcos Castro, que inclusive têm seu sobrenome, que estão assumindo a sucessão do projeto.

Confirmando as estatísticas de que a velhice é a força geradora da riqueza nacional, Rui Flávio também se mantém na ativa. Formado em Direito, em 1964, trabalhou durante seis anos como advogado, deu aula de Processo Civil e, durante um tempo, dividiu-se entre os afazeres da profissão e as funções na Santa Emília, mas passou a se dedicar exclusivamente ao negócio de veículos, tornando-se a figura principal da empresa. Há cinco anos, passou as atividades operacionais para os filhos e hoje faz a supervisão geral.

Assim que chega ao trabalho, por volta das 9h, acessa um programa que informa o cenário completo da empresa. Rui deixa o trabalho em torno das 19h.  Atualmente, como não tem mais responsabilidade de horário, tem disponibilidade para pensar, pois o operacional tomava muito do seu tempo.

O empresário é um entusiasta do trabalho. Para ele, ninguém deve parar, a não ser que encontre uma tarefa social alternativa. “Não ter o que fazer deve ser muito ruim. Quando estou com mais tempo, viajo ou escrevo”, pontua. Rui acaba de escrever um livro sobre a sua família e está escrevendo outro sobre os 110 anos da Santa Emília. Hoje, já trabalha em outro ritmo, mas participa de muitas reuniões. “Represento a tradição da empresa. Já não tenho muitas obrigações aqui, mas assumo as que eu quero”, esclarece. No ano passado, sua empresa contratou a Fundação Dom Cabral para implantar a sucessão, que já está definida e em andamento.

Rui diz que sua preocupação não era deixar dinheiro para os filhos, mas uma boa educação. Por isso, ele e a esposa, Cecília, fizeram um grande investimento nesta área. Eles acertaram que os filhos, para trabalharem com eles, teriam que passar por alguns requisitos: formar-se em uma universidade, morar um ano fora do país participando de programas de intercâmbio e trabalhar cinco anos em outra empresa antes de ingressar no negócio da família. “Todos fizeram isso e acho que esse é o legado que eu deixo. Espero que eles façam o mesmo com seus filhos. Ficaremos satisfeitos se os nossos filhos forem melhores do que nós”, enfatiza.

Qualidade de vida
Brasil considera que ficou mais tolerante e menos radical com a chegada dos 70 anos. O advogado acredita que, nesta idade, os netos são fundamentais por fazerem uma ponte com os novos tempos, tornando a atualização um processo menos complicado. Porém, outros aspectos exigem mais, como a alimentação, por exemplo. Há períodos em que o advogado consegue se controlar melhor, com a ajuda de sua médica. Porém, Brasil gosta de comer e de beber bem. Por conta dessas extravagâncias, toma remédios para pressão, diabetes e colesterol. Também já operou o coração, colocando duas pontes de safena e uma de mamária.

Apesar dos cuidados com a alimentação não serem tão rigorosos e de não levar muito a sério a regularidade dos medicamentos, o advogado é disciplinado com as caminhadas diárias de casa ao trabalho, que levam 40 minutos. Ele também faz questão de manter o sono em dia. “Durmo com extrema facilidade. Após o almoço, coloco o pijama, deito e durmo por 20 minutos”, conta. Brasil não se considera vaidoso. Apenas mantém em dia a aparência com o cabelo, o bigode, a manicure e a pedicure.
Já Edgard é rígido com a alimentação e a aparência. Ele diz que, aos 70, é preciso ter muita disciplina com a alimentação, com os exercícios físicos e até com as emoções. Segundo o cineasta, os ímpetos da juventude ficam todos para segundo plano. “É nesta fase que o médico chega e nos passa aqueles remédios para a vida toda”, considera Edgard. Dos remédios, apenas o da pressão faz parte de sua rotina.

Para manter-se em forma, Edgard pratica Pilates e faz caminhadas. Também faz regime e usa roupas adequadas. Assim como Brasil, sente-se mais tolerante, além de mais generoso e complacente, evitando tantos julgamentos.  Edgard acredita que ficou mais sábio também. “A vida fica mais agradável, pois passamos a entendê-la melhor”, define.

Rui Flávio se considera perfeccionista e, como tal, é vaidoso. Seu avô, João Rodrigues Guião, exerceu forte influência na sua vida. Antes de morrer em um acidente, com 94 anos, ele disse que tinha medo de ficar velho. Foi então que Rui entendeu que ficar velho significava tornar-se dependente. “Não tenho medo da morte, que é natural. Mas tomara que demore muito para chegar e eu gostaria de ser surpreendido por ela, não ficar doente”, pronuncia.

Rui tem bons motivos para acreditar que terá vida longa. Dois fatores contribuem para isso: a qualidade de vida e a genética premiada. Seus antepassados, tanto os Guião quanto os Chúfalo, são muito longevos. Além disso, sempre fez atividade física. Antes, corria e hoje caminha. Também vai à academia para praticar musculação três vezes por semana. Outro fator muito importante é a atividade intelectual. “Leio pelo menos uma hora antes de dormir, o que totaliza três ou quarto livros por mês, além de jornais e revistas. Exercitar a mente é muito importante. Não faço isso por obrigação, mas com o maior prazer”, defende. O resultado disso é uma vida sem limitações.

Muito brincalhão, Jugurta costuma dizer que seu humor e sua voz continuam os mesmos, mas tem algumas restrições físicas. Já colocou uma válvula cardíaca biológica e a substituiu. Do restante, está tudo bem. Ele não faz atividades físicas; só um pouco de natação, em casa. Seu sono é bom, mas às vezes precisa de um remédio para ajudá-lo a dormir a noite toda.

O escritor tem uma leve hipertensão, mas prefere se reafirmar na grande disposição que mantém. Jugurta diz que é desprovido de vaidade física. “Gosto de ser simples, porém autêntico”, afirma. Já bebeu e fumou muito; hoje não tem vícios.

Família
A chegada dos 70 mudou totalmente a vida de Jugurta. Ele ficou casado por 44 anos e, em 2002, ficou viúvo. A filha o trouxe para visitar a família em Ribeirão Preto e, então, Jugurta reencontrou Ely, sua prima de segundo grau. De abril a dezembro de 2004, trocaram cartões, cartas, e-mails e, no final do ano, quando ele estava com 70 anos, casaram-se. Ele diz que o reencontro foi o que de melhor aconteceu na sua vida. Ely, que foi viúva por mais de 30 anos e não tinha filhos do primeiro casamento, herdou os cinco filhos e os sete netos de Jugurta. A prole está dividida entre Rio de Janeiro, Minas Gerias e Roraima.

No ano que vem, Rui Flávio completa 50 anos de casamento com Cecília. Eles têm cinco filhos: quatro homens e uma mulher. Dos homens, três trabalham com ele e um fez carreira bancária em São Paulo; A filha mora há 25 anos na Dinamarca. O casal tem 11 netos. Como a família cresceu, eles combinaram de reunir a família toda uma vez por mês. “Na minha casa, há sete anos, construí uma ‘netaria’, onde reunia todo mundo, mas a frequência foi diminuindo. Ainda bem que sempre tem um deles no fim de semana”, conta. Quando percebeu que os netos estavam se dispersando, abriu uma conta para cada um no Skype para garantir a comunicação de todos.

Rui é favorável ao casamento. O empresário não dá muita importância ao papel passado, pois, para ele, o que importa é a junção de duas pessoas que querem fazer a vida juntos. Porém, existe a preocupação do desfazimento da família, que são os filhos. “Se um casal quiser de separar, o problema é quando os filhos ficam sem pais. O casamento tem altos e baixos, tem grandes vantagens e desvantagens. Depois de 50 anos, é um amparo. Os filhos e os netos vão tendo seus interesses, temos que criá-los para o mundo. Deve ser muito ruim envelhecer sozinho”, considera.

Brasil também tem composição familiar tradicional. É casado há 45 anos com Lúcia Helena, tem um filho que seguiu seus passos profissionais e uma filha administradora de empresas, que vive em São Paulo. Os três netos são sua paixão. Ele diz que a esposa dá todo o significado à sua vida pessoal e profissional, sendo um suporte na sua vida. Porém, Brasil reconhece que o amor muda em algumas fases. Ele explica que alguns projetos, às vezes, causam divisões, mas nasce uma amizade, um carinho, uma capacidade de entender o outro, que talvez no início do casamento não ocorresse.

Seu colega de faculdade, Edgard, acredita que o casamento é a melhor forma de viver um grande amor. É por isso que ele se casou quatro vezes. Suas ex-mulheres são suas melhores amigas, sempre se veem e tem com todas um bom relacionamento. Dos casamentos, tem três filhos e dois netos. Hoje, tem uma relação bastante agradável com Monica. “Sempre fui muito fiel aos meus amores. Sempre que amei, casei, vivi junto. Vivi intensamente as minhas emoções”, declara. Para ele, o amor sofre mudanças: ou evolui ou se esgota. É justamente por isso que ele preferiu viver de acordo com os seus sentimentos e não com as convenções sociais.

Os prazeres
Lucia Helena e Brasil dançam em casa, gostam muito de ler, jogam baralho e, às vezes, vão ao cinema ou a restaurantes. Eles têm uma vida bem doméstica, com poucos amigos, que viraram irmãos. Gostam de passar as férias em Santos, onde têm um pequeno apartamento. Assistir aos jogos do Botafogo é o hobby do advogado, mas sua alegria maior são os netos.

Jugurta tem um trabalho que é misto de prazer, mas também tem um lazer adorável: a pescaria. É ali que, segundo ele, desfruta de momentos mágicos. Por isso, faz questão de pescar toda semana. A prática é tão importante para ele que até já participou do Programa Terra da Gente, em uma gravação feita em Roraima, ao lado do filho. O escritor também gosta da comodidade de sua casa, com 1.400 m² de grama, num condomínio. Ao lado da esposa, curte a criação de curiós e as labradoras cor de chocolate com olhos verdes. Ali também dedicam-se à literatura.

Edgard faz parte do time dos caseiros: tem um pequeno grupo de amigos, com quem viaja e está sempre próximo. Vai ao cinema com regularidade, viaja todo ano, com os filhos e com os amigos. Para o cineasta, seu prazer é ter os amigos em casa, a mulher, os filhos e os netos. Porém, ainda é no trabalho que está sua maior realização.

O vinho é um prazer de Rui Flávio. Há dez anos, a cada 15 dias, reúne-se para aprender mais sobre o assunto e fazer degustações. Ele lê bastante sobre vinhos e, quando viaja, passa alguns dias visitando vinícolas. “O vinho é muito surpreendente e não precisa ser, necessariamente, caro”, ensina. O empresário também gosta de ler e de escrever. O livro sobre a sua família está em fase final e levou quatro anos para ser escrito. Rui conta que queria transmitir para os netos as histórias que ouvia dos tios. Para isso, contratou uma genealogista para ajudá-lo. Outro de seus prazeres é viajar. Vai muito para a Europa, principalmente para a Dinamarca, visitar a filha. Também gosta muito da Itália, por ter culturas diferentes, e do interior da França.

O futuro
Para o futuro, Jugurta pretende manter a qualidade de vida. “Torço para que o juiz perca o apito, pois já estou na prorrogação e não quero ouvir o apito final”, afirma. Às vésperas de completar 80 anos, antecipa que não abre mão de um futuro longo e promissor. “Sempre falo isso para a minha mulher, quando brindamos, ela com guaraná e eu com cerveja sem álcool. Tive a felicidade de me casar com uma mulher de perfil bem parecido com o meu e quero ter tempo de aproveitar isso”, sentencia.

Brasil deseja manter o ritmo e continuar vivendo como foi até hoje, sempre focado na família. Edgard partilha do desejo de continuidade: quer manter a vida que tem, sabendo aproveitar o aqui e o agora, saboreando os prazeres que a vida proporciona.

Rui quer cada vez menos influenciar no dia a dia da empresa, mas deseja estar presente. Há dez anos, reuniu não só os filhos como toda a gerência da empresa e, juntos, definiram que a Santa Emília teria como diferencial a qualidade, que continua sob sua responsabilidade. “Posso fazer isso sem grandes problemas”, diz. Ele também pretende continuar escrevendo livros. Apesar de não ter vocação para escrever uma novela ou um romance, quer escrever na linha de família, de genealogia. E vai fazer as suas ginásticas até quando não puder mais.

Entre os principais ensinamentos que aprendeu, está que a vida tem fases e todas elas são muito belas, por isso, devem ser bem aproveitadas. “Hoje, é uma delícia curtir os netos, ensinar o que posso para eles”, comenta Rui Flávio. Para finalizar, cita o psiquiatra Bechelli: “a melhor idade é aquela que você tem”.


Texto: Máisa Valochi | Fotos: Julio Sian

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