De novembro a novembro
Para orientar a população masculina sobre o câncer de próstata e sobre os exames necessários para prevenção, Campanha Novembro Azul traz a importância de cuidar da saúde o ano inteiro
Segundo tipo de tumor mais comum entre os homens, o câncer de próstata só perde para o de pele não-melanoma, de acordo com levantamento do Instituto Nacional de Câncer (INCA), que prevê 61.200 novos casos da doença no Brasil em 2016. A região Sul do país continua liderando o ranking de casos (95,63/100 mil), seguida do Centro-Oeste (67,59/100 mil), Sudeste (62,36/100 mil), Nordeste (51,84/100 mil) e 29,50/100 mil no Norte. Por ano, são mais de 13 mil mortes: uma a cada 40 minutos.
Na tentativa de reverter esse quadro, desde 2011, o Instituto Lado a Lado pela Vida vem promovendo o Novembro Azul, com ações que orientam a população masculina sobre a doença e os exames preventivos a serem realizados. Com o tema “De Novembro a Novembro Azul - Movimento permanente pela saúde integral do homem”, a campanha de 2016 orienta e alerta o homem sobre a importância de cuidar da saúde. “Queremos mobilizar essa população para que se torne protagonista da sua história e responsável por sua qualidade de vida, em diferentes fases da vida”, explica a presidente do Instituto, Marlene Oliveira.
Responsável pela programação nacional da campanha este mês, o Instituto realizará ações também direcionadas ao incentivo à atividade física. Haverá, ainda, distribuição de material informativo e iluminação de prédios em tons de azul, como o Viaduto do Chá, o prédio do Banco Daycoval e a estátua do Borba Gato, em São Paulo, além do Congresso Nacional, em Brasília. No Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata, 11 de novembro, o Cristo Redentor também será iluminado. No dia 7, acontecerá o II Fórum Ser Homem no Brasil, em Brasília.
Urologista e oncologista do Hospital das Clínicas, Rodolfo Borges dos Reis revela que aproximadamente 13 mil novos
casos de câncer de próstata devem surgir no Estado de São Paulo em 2016, sendo cerca de 8 mil casos diagnosticados somente no interior do Estado. O Hospital das Clínicas realiza por volta de 200 cirurgias ao ano para o tratamento da doença. “Existe um ambulatório específico de urologia oncológica, que atende ao redor de 110 pacientes por semana — a maioria, portador de câncer prostático”, enumera Rodolfo.
O especialista observa que o tumor se apresenta de várias maneiras, desde pouco agressivos até lesões com alta letalidade. Entretanto, quando a doença é descoberta em fase inicial, as chances de cura aumentam muito. A Sociedade Brasileira de Urologia preconiza a realização de exames preventivos nos homens a partir dos 50 anos ou, para aqueles com histórico familiar da doença, a partir dos 45 anos.
O médico observa que, apesar de mais abertos ao tema, os brasileiros ainda não acompanham os países mais desenvolvidos em relação ao diagnóstico da doença. Segundo Rodolfo, apenas de 40% a 50% dos casos são detectados na fase inicial, onde a chance de cura é maior. Por isso, avalia que, campanhas de conscientização são importantes, mas não bastam. É preciso investir em ações constantes, incluindo a educação dos jovens. “Em conjunto com a Sociedade Brasileira de Urologia, preparamos uma aula especial para o público leigo e
estamos à disposição para ministrá-la”, antecipa Rodolfo.
O empresário Otávio Ribeiro não quis fazer parte das estatísticas. Depois de perder o pai, Antonio, para a doença, decidiu fazer, periodicamente, os exames de toque e a medição do PSA (sigla em inglês para Antígeno Prostático Específico). Em 2010, percebeu alguns sinais diferentes, que se acentuaram em 2015, chegando a fechar o canal da urina. Felizmente não era câncer, mas uma séria inflamação que o levou para o centro cirúrgico mesmo assim para esvaziamento da glândula. Com o apoio da esposa, Maria José e da filha, Ana Carolina, superou o pós-operatório e segue a vida normalmente, sem se descuidar dos exames de rotina.
Serviço ampliado
A partir de dezembro, o Hospital de Câncer de Ribeirão Preto, mantido pela Fundação SOBECCan, realizará exames para o diagnóstico e também o tratamento de câncer em homens. Com estrutura completa, o serviço estará disponível, inicialmente, para consultas médicas e identificação do câncer de próstata. A partir de 2017, quando o centro cirúrgico estiver pronto, também serão realizadas operações no local. De acordo com a presidente, Rose Marques, a primeira etapa será a contração de um médico especializado em Urologia e Proctologia, assim como a aquisição de equipamentos para o centro cirúrgico.
Com o apoio de algumas instituições, como o Hospital Especializado, a sala já possui diversos equipamentos cirúrgicos, mas ainda necessita de investimentos estimados em R$ 200 mil para sua conclusão. Com o objetivo de conseguir os recursos necessários, a diretoria agiliza convênio junto ao Sistema Único de Saúde (SUS). “Estamos otimistas para concluir o setor até o fim de 2016 e, no próximo ano, atender à população masculina com a mesma qualidade com que recebemos, há quase 20 anos, as mulheres na área oncológica. Para isso, contamos com a solidariedade da população e da classe empresarial”, ressalta Rose.
O Hospital, que atua nas áreas de pesquisa, prevenção e assistência do câncer, realiza cerca de 400 atendimentos por mês, dos quais 99% são totalmente gratuitos. Todos os pacientes contam com suporte nas áreas de fisioterapia, psicologia (pacientes e familiares) e assistência social. Com um laboratório moderno, a unidade realiza todos os exames de Papanicolau provenientes da rede pública de saúde de Ribeirão Preto e de outros 25 municípios da região.
Volta por cima
Aos 73 anos, Edgardo de Oliveira esbanja vitalidade, mas, nem por isso, descuida da saúde. A visita ao médico é periódica e os exames preventivos estão em dia. Tudo para evitar outro susto, como o que levou em 2004, quando o câncer de próstata foi diagnosticado. Os primeiros sinais da doença começaram dois anos antes, quando passou a ter problemas urinários. A partir daí o acompanhamento médico foi mais criterioso. Detectado em fase inicial e confirmado por meio de biópsia, o tumor foi retirado por meio de cirurgia. Nem por isso Edgardo se abalou, enfrentando o tratamento com serenidade. “Recebi a notícia de forma tranquila e, já que precisava operar, não pensei duas vezes. A cirurgia foi rápida e fiquei quatro ou cinco dias no hospital”, relembra. A recuperação, segundo Edgardo, também foi bem tranquila e o tratamento não deixou sequela alguma. Inicialmente, teve que usar a bolsa coletora de urina, mas, aos poucos, e com a ajuda dos exercícios de fortalecimento da musculatura e da bexiga, o sistema urinário voltou ao normal. “Hoje, faço somente o exame de PSA uma vez por ano”, acrescenta Edgardo que, mesmo aposentado, não parou de trabalhar e leva uma vida normal ao lado da esposa, Rosângela.
Corrida de conscientização
No dia 27 de novembro, acontecerá a 1ª Corrida Novembro Azul, idealizada para conscientizar a população masculina sobre a necessidade de prevenção e a importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata. O evento, que terá a renda integralmente revertida para o Hospital de Câncer de Ribeirão Preto, é uma realização do Hospital, com
organização do grupo Correr. A concentração está marcada para 8h, na Estácio, localizada na avenida Abraão Issa Halack, 980. “O percurso terá três ou cinco quilômetros para caminhada e corrida, respectivamente”, explica Fábio Soares Rodrigues, diretor do grupo. As inscrições podem ser feitas no site www.revistacorrer.com.br e dão direito a um kit com camiseta tecnológica, toalha, chip, número e material dos patrocinadores. Os participantes contarão com todo suporte de segurança, hidratação e profissionais da saúde, entre eles, alunos da Faculdade de Medicina da Estácio. Ao término da prova, cada participante receberá isotônico, frutas e medalha. Haverá premiação em vale-compras para os cinco primeiros colocados no geral masculino e feminino.
Antecedendo a corrida, no dia 25, a Estácio proverá um simpósio, partir das 19h. O evento contará com a presença do urologista Gilfred Canuto Pereira, que falará sobre câncer de próstata, e do médico Alexandre Pereira Ricci, que abordará a importância do rastreamento da doença.
O investimento para participar é R$ 10,00 mais um litro de leite. Mais informações pelo tel.: (16) 98184.8544.