De olho no palácio Rio Branco

De olho no palácio Rio Branco

Em tempos ainda de muitas indefinições, número de candidatos à sucessão da prefeita Dárcy é considerável e sugere que ocorrerão, até as convenções de julho/agosto, composições, alianças e desistências

A cadeira está cheia de espinhos. Há quem veja ali pregos pontiagudos. A situação é de extrema dificuldade financeira e, logo, administrativa. O caminho para chegar lá é difícil, mas sempre há quem queira assumir e enfrentar os obstáculos inerentes à administração de uma cidade de mais de 660 mil habitantes, com problemas equivalentes e soluções, muitas vezes, distantes. Há ainda muito o que se definir até as convenções, que terão início no dia 20 de julho, mas, neste momento, é possível enumerar, pelo menos, seis nomes de pessoas interessadas na sucessão da prefeita Dárcy Vera (PSD), que não pode ser candidata à reeleição, por já ter sido reeleita. Há, ainda, três partidos que podem definir nomes e uma eventual candidatura por partido, ainda indefinido.

Já há algum tempo se especula sobre a polarização entre o deputado federal e secretário estadual de Logística e Transporte, Duarte Nogueira (PSDB), e o vereador Ricardo Silva (PDT), mas os demais partidos estão bem acordados e dispostos a disputar as eleições de 2 de outubro deste ano. Mesmo em partidos onde os nomes não estão definidos, os dirigentes apontam na direção de um candidato próprio. Há até interesse de quem ainda não aderiu a nenhum partido, já que o prazo de filiações para as eleições deste ano vai até 2 de abril, seis meses antes do pleito.

O presidente do diretório municipal do PSDB, o ex-vereador Nicanor Lopes, confirma que o nome de Nogueira é a opção do partido neste momento. “A candidatura dele é o que deseja o partido e ele mostra disposição e preparo para a disputa e para o cargo, mas tudo vai depender dos acontecimentos. Até 2 de abril teremos certeza”, afirma o tucano. Outro nome comentado no partido é o do deputado estadual e ex-prefeito Welson Gasparini, com pouquíssimas chances de concorrer.

O deputado estadual Rafael Silva, presidente da comissão  provisória do PDT em Ribeirão Preto, garante que seu filho, o vereador Ricardo Silva, é o candidato do partido a prefeito. “Todos querem que ele seja candidato. Em todas as pesquisas, feitas pelos outros partidos, ele aparece na frente dos demais candidatos”, diz o parlamentar. Sobre coligações, Rafael conta que muitos estão procurando o futuro candidato.

O vereador Jorge Parada, presidente do diretório municipal do PT, diz que o nome mais comentado para concorrer ao cargo de prefeito é o do jornalista Galeno Amorim, que foi candidato a deputado estadual pelo partido em 2014. Mas há dois outros nomes: o do sindicalista Fernando Tremura e o do advogado Ricardo Sobral. “Pode ser que algum deles retire a pré-candidatura, mas, no PT, é comum bater chapa, disputar. Sempre tivemos prévias”, comenta Parada. 

No PMDB, a situação é parecida. Paulo Saquy, presidente local da legenda, é um dos nomes cotados para as eleições. Também aparecem os nomes do deputado federal Baleia Rossi, presidente estadual da sigla, e do ex-vereador e deputado estadual Léo Oliveira. “Estamos trabalhando pela candidatura própria, discutindo os nomes. Também estamos  conversando com outros partidos, mas, pelo tamanho do PMDB, devemos ter candidato próprio. No entanto, ninguém disputa uma eleição deste porte sozinho”, afirma Paulo Saquy.

Pelo lado do PSB, o juiz aposentado João Gandini, que preside a comissão provisória local, é também o nome cogitado para ser o candidato. Em 2012, pelo PT, Gandini foi o terceiro colocado na disputa, com mais de 40 mil votos. “Estamos ainda numa fase de conversas com vários partidos, mas há uma decisão do PSB de lançar meu nome”, assegura Gandini. Em função de o vice-governador paulista, Márcio França, ser o presidente estadual da legenda, já há boatos de que Gandini pode ser vice de Nogueira. “São boatos que não têm sentido. A coligação entre os dois partidos não é automática”, afirma o juiz aposentado.

O vereador Samuel Zanferdini (PMDB) é esperado no PSD para, possivelmente, disputar a sucessão da maior líder do partido na região, mas não há certeza de que ele seja o candidato. Segundo o presidente da comissão provisória em Ribeirão Preto, Marco Antonio dos Santos, pode ser que Zanferdini se filie sem a intenção de ser candidato a prefeito. “Aí teremos outro cenário, outro quadro. Teremos nome com a mesma força, mas ainda não definimos quem será. O certo é que teremos candidato próprio”, garantiu. 

O sindicalismo também terá representante na eleição municipal. O PC do B de Ribeirão Preto, cujo presidente local, Wagner Rodrigues, também preside o Sindicato dos Servidores Municipais, terá candidato a prefeito. Wagner colocou seu próprio nome à disposição do partido, mas há também o do advogado Jorge Marcos Sousa. “Em abril, começaremos os debates para definir o nome que será homologado na convenção para ir à disputa”, afirma Wagner.

Partidos podem definir nomes

Ainda no universo da pré-filiação, mas com partidos disputando todos os espaços, três legendas ainda não definiram nomes, mas garantem que estarão na eleição majoritária. Coordenador regional da Rede Sustentabilidade, o vereador Marcos Papa afirma que a líder nacional do partido, ex-ministra Marina Silva, queria que ele fosse o candidato, mas ele disputará a reeleição. “Se aparecer um nome que aceite a candidatura a prefeito com o objetivo de levar a sustentabilidade para o centro do debate, será o nosso candidato”, acrescenta Papa.

O presidente da comissão provisória do PSOL, Emilson Roveri, que disputou a Prefeitura em 2012, assegura que o partido terá candidato, muito embora o nome não esteja definido. Por enquanto, estão em preparação seminários para discutir vários temas que integrarão o programa de governo e a formação da chapa de vereadores. “Queremos ter uma chapa forte para tentar eleger, ao menos, um vereador”, destaca Roveri.

Ainda sem partido

Não há discussão sobre as eleições municipais onde não esteja incluso o nome da ex-secretária de Infraestrutura e, depois, de Governo, Isabel de Farias. Sem filiação partidária, ela não afirma que será candidata e nem descarta a possibilidade. “Minha experiência de um ano e sete meses na Administração Municipal me mostrou que existe uma distância muito grande entre a população e o governo, no que diz respeito ao entendimento de como funciona a máquina pública. Depois dessa vivência, passei a acreditar ainda mais que apenas uma gestão compartilhada pode fazer a diferença. É fundamental o cidadão se sentir parte da cidade em que ele vive, pensando soluções e sentindo prazer de morar nela”, opina Isabel.

Sobre a filiação partidária, ainda há tempo para que ela ocorra. Numa possível participação mais próxima da vida política, Isabel defende a priorização do diálogo. “Neste momento, não estou filiada a nenhum partido, mas continuo acompanhando o cenário político do município e à disposição para trabalhar por Ribeirão Preto, que é o lugar onde vivo e construí minha história. Acredito que muito pode ser feito pela cidade, com ações pautadas, principalmente, na participação da sociedade e no diálogo”, reforça.


No PSTU, que teve o professor e vice-presidente local da sigla, Mauro da Silva Ignácio, como candidato a prefeito na eleição passada, o assunto ainda não tem definição, porque aguarda conversas com outros partidos de esquerda, como o PCB e o PSOL. “Mesmo que não tenhamos candidato majoritário, ocuparemos espaço para fazer o debate”, comenta Mauro Ignácio. 

Texto: Guto Silveira

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