De volta aos anos 20

De volta aos anos 20

Assinada pela artista Suzy Gheler, a exposição “Anos 20 —Moda, Glamour e Charme” apresenta personagens que remetem à história e às tendências de moda da época

Quem passa pelo Pátio Central do Shopping Santa Úrsula se depara com uma coleção de bonecos muito bem trajados, usando roupas e acessórios característicos dos anos 20. Senhoras e senhores em tamanho natural chamam a atenção pela riqueza de detalhes, tanto na confecção dos bonecos quanto na criação das roupas e acessórios. Com o tema “Anos 20 — Moda, Glamour e Charme”, a mostra, assinada pela artista plástica Suzy Gheler, exibe 35 personagens que retratam a história e as tendências de moda da época.

As esculturas são de pano e retratam pessoas com cerca de 1,60m cada. Os bonecos vestem trajes e criações produzidos do mesmo material. A exposição foi inspirada no filme “The Great Gatsby”, um clássico de F. Scott Fitzgerald, que remete ao auge da Era do Jazz e da bonança pré-depressão em Nova Iorque, onde o galante Jay Gatsby dava festas luxuosas cheias de bebidas e gente da alta roda da sociedade.

Na década de 20, as mulheres começaram a procurar sua liberdade por meio da vestimenta. Época em que a maquiagem esteve mais presente, a tendência era o batom em tom carmim com a boca pintada em forma de coração, combinada com olhos e sobrancelhas pintadas a lápis. As saias já podiam mostrar mais as pernas e o colo. A silhueta era tubular, os vestidos mais curtos, leves e elegantes, com os braços e costas à mostra.

O tecido predominante era a seda e as meias remetiam tons de bege, insinuando a nudez das pernas. Já o acessório obrigatório da década era o chapéu, usado apenas no período diurno em modelo “cloche”, beirando os olhos e de preferência com cabelos curtíssimos.

A mulher dos anos 20 era aquela sem curvas, com seios e quadris pequenos. Esse período foi marcado por importantes estilistas, como Jacques Doucet, que diminuiu o comprimento das saias para mostrar as ligas rendadas; Coco Chanel, estilista que criou a moda dos cortes retos, colares compridos, boinas e cabelos curtos; e Jean Patou, que criou roupas esportivas e revolucionou a moda praia com seus maiôs.
Conhecido como os Loucos Anos 20, foi um período de excepcional prosperidade econômica mundial e que no Brasil marcou o início da Semana da Arte Moderna. Através das criações de Suzy Gheler, esse momento vem à tona novamente com riqueza de detalhes. A exposição “Anos 20 — Moda, Glamour e Charme” pode ser apreciada gratuitamente até o dia 25 de setembro.


Trajetória de Suzy Gheler

A história da artista plástica Suzy Gheler é um conto de fadas moderno. De "menina mimada" a profissional de sucesso, sua relação com as bonecas foi determinante no caminho que escolheu: a artista é reconhecida pela suas exposições cenográficas e por suas esculturas em tecido de pessoas em tamanho natural.

Descendente de russos e poloneses, foi a primeira neta mulher na família e, como consequência, paparicada desde o nascimento. Seus pais, que viajavam constantemente, nunca se esqueciam de seus mimos. Durante a infância, chegou a formar uma coleção de quatrocentos bonecos, de todas as partes do mundo. "No mesmo ano em que lançaram a boneca Barbie nos Estados Unidos, eu já tinha uma em casa", conta.

Suzy começou a criar suas "esculturas em tecido" aos 25 anos, nos anos 80, por sugestão de sua mãe. Mesmo sem experiência, contratou uma costureira, comprou tecidos na Rua 25 de Março e iniciou a produção de uma linha de bonecos de pano. Sua primeira boneca, Gigi, já foi um sucesso no lançamento. Os bonecos de pano em tamanho natural surgiram quando começou a criar vitrines para lojas, de grandes magazines a lojas de grifes de moda.

Em 1992, realizou sua primeira exposição cenográfica, na Associação "A Hebraica". Hoje, seu currículo inclui mais de trinta exposições cenográficas individuais e coletivas, realizadas em museus, clubes, bancos, lojas e shoppings. O trabalho da artista pode ser dividido em quatro linhas distintas. Os manequins de vitrine, a mais antiga delas, um trabalho onde Suzy faz questão de manter a originalidade criando bonecos sempre diferentes para cada rede de lojas que exibe seus manequins.

Uma segunda linha, de brindes para empresas em ocasiões especiais, é outro segmento de seu trabalho, este restrito a clientes que ela própria seleciona e com produção de, no máximo, mil bonecos de pano. Suzy já chegou a criar brotoejas para a rede de farmácias UP Jothan e papagaios para a Feira de Chicago, um trabalho para a Bolsa Mercantil e de Futuros. Em novembro de 200,7 ela transformou a história do Mercador de Fragâncias da L’Occitane em vitrines reais nos pontos de venda da loja.

As grandes exposições cenográficas, entretanto, são hoje a principal atividade da artista. Há alguns anos, Suzy Gheler desenvolveu uma sala de jantar com bonecos para uma exposição de mesas de Páscoa Judaica. E não parou mais. Pessoas em tamanho natural são os personagens preferidos da artista. Mas Suzy Gheler não cria só pessoas, seus personagens vão de anjos a coelhos. Já criou até ácaros, solicitados para uma feira e, segundo ela, este foi um de seus maiores desafios.

Para quem quer conhecer seu trabalho, ele pode ser visto no Memorial do Imigrante, em uma exposição permanente de suas esculturas: São Paulo de Toda Gente, homenagem às nacionalidades e etnias que moldaram a diversidade cultural da cidade, com oitenta personagens de mais de vinte países.

As esculturas em tecido criadas por Suzy Gheler já viajaram, também, para fora do país. Durante a Copa da França de 1998, em trabalho realizado para a Mastercard, seus bonecos de pano foram expostos em Paris. Para cada uma de suas criações, a artista utiliza tecidos, espuma, tinta, isopor e uma estrutura de ferro.

Coordenando com maestria todo o processo de criação, possui uma grande rede de fornecedores, a maioria da Rua 25 de Março, e uma vasta equipe de profissionais, entre costureiras, bordadeiras, pintores, cenógrafos, marceneiros.

Com o tempo, sua técnica foi se aprimorando. Os bonecos de pano, antes dirigidos exclusivamente para o público infantil, passaram a ser chamados "esculturas em tecido" e encantam tanto crianças quanto adultos.

Em 30 anos de carreira, esta é a segunda vez que Suzy Gheler vem a Ribeirão expor suas esculturas. Em abril deste ano, a artista plástica trouxe uma exposição com 25 bonecos de coelhos, que espalharam o clima de Páscoa em todo o Shopping Santa Úrsula.

Exposição:
“Anos 20 — Moda, Glamour e Charme”
Data: até 25 de setembro
Horários: de segunda a sábado,
10h às 22h, aos domingos
e feriados, das 14h às 20h
Local: Pátio Central do Shopping
Santa Úrsula

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