De volta aos anos 80

De volta aos anos 80

Década de 80 marcou a transição da Idade Industrial para a Idade da Informação

Mesmo sendo conhecida por muitos como “a década perdida”, por todos os problemas econômicos, políticos e sociais, os anos 80 deixaram saudade aos jovens daquela época, evidente que não pelos problemas, mas porque foi um tempo marcado pela transição da idade industrial para a idade da informação, com a evolução dos computadores, dos jogos de vídeogames e da música eletrônica. Esse estilo musical, por sinal, e toda a estrutura da Dance Music passaram a ser a maior influência para a música pop da época. Foi também a época do lançamento do canal Music Television (MTV), quando os principais meios de dissiminação cultural passaram a ser a televisão e o rádio. 

No Brasil, foi organizado pela primeira vez o Rock in Rio (1985), e começam a surgir as bandas influenciadas pela “música industrial”, como Legião Urbana, Barão Vermelho, RPM, Ultraje à Rigor, Titãs, Paralamas dos Sucessos e também os vários cantores de extensa expressão artística, como Lobão e Lulu Santos.

Em homenagem à essa época, os músicos ribeirãopretanos Marcelo Algarve, Dida e Romeu Eulálio Barilari formaram a Basf 80 com a finalidade de ir além das músicas e  reviver toda essa década em seus shows.“Fizemos uma pesquisa bastante aprofundada, com vídeos de filmes, novelas, comercias e programas da época, para mostrarmos durante as nossas apresentações”, explica o vocalista e violonista Marcelo Algarve. Para o líder e idealizador da banda, que curtiu a adolescência durante os anos 80, o saudosismo é um ponto forte dos shows. “Para quem é jovem e não se lembra da época, o show é mesmo uma surpresa e uma descoberta. Já para os mais velhos, é pura emoção”, conta Marcelo.

A banda
Os músicos têm histórias muito diferentes de vida, porém, se encontraram na paixão pela música. Marcelo é publicitário e músico profissional há aproximadamente 12 anos, sempre amou os anos 1980. Romeu já tocou em orquestra, produziu bandas em Boston (USA) e é formado em Música. Dida já atuou com música sertaneja, axé e samba. Porém, todos têm uma fantástica integração musical e visual no palco.

“Muitas bandas hoje tocam músicas de todas as décadas e muitas coisas acabam sendo esquecidas. Muitos dos músicos que surgiram na década de 80 ainda perduram, foi uma década muito rica, culturalmente falando”, diz Marcelo.

Pipoca 
A Basf 80 viaja do rock dos Titãs ao romance de Wando com muita facilidade e sabendo imprimir seu próprio estilo. Nos shows, durante os intervalos, o público é agraciado com vídeos de filmes que fizeram sucesso nessa década. “Top Gun”, “De volta para o Futuro”, “Grease”, dentre outros clássicos, juntam-se ao cheirinho de pipoca fresca oferecida pela banda.

Em outro intervalo, a plateia se diverte com o Quiz anos 80, no qual são feitas perguntas de cultura inútil, mas que mexem com a memória de todos. É lugar comum ver gente correndo para responder como se chamava o chocolate Milkbar nos anos 80, qual foi a primeira equipe de Ayrton Senna ou qual a cor da coleira do Scooby-Doo.

Também há o momento Cassino do Chacrinha, com Rosana, Wando e Sidney Magal dando as caras. Na cidade, não há experiência parecida de nenhum movimento musical e a banda mostra acima de tudo “coragem” ao incorporar o trabalho desses artistas tão marcantes para essa geração. E melhor, as músicas são todas nacionais.

“As bandas dessa época tinham uma característica muito teatral. Nos anos 80, a música deixou de ser um espetáculo sonoro para ser uma experiência audiovisual”, reforça Marcelo.A banda já se apresenta há três anos na noite ribeirãopretana. Do que mais a banda tem saudade da década? Marcelo responde: “da pureza da adolescência e de juntar a molecada para ficarmos sonhando com o futuro”, conclui.

Revide On-line
Texto: Bruno Silva
Fotos: Divulgação

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