Dedicação às artes
Muitos jovens escolhem as aulas de teatro, pintura e desenho como forma de distração, hobby e até profissão
Entre riscos e rabiscos, João Victor Mendonça Pintya, de 14 anos, encontrou na aula de desenho uma forma de relaxar. O mesmo aconteceu com Anna Alice Rangel, de 14 anos, que, quando incorpora os personagens nas aulas de teatro, conhece um pouco mais de si própria. Por estimular a criatividade, as artes podem ajudar bastante estudantes de diversas faixas etárias.
De acordo com Elisabeth Pizani, proprietária da escola Oficina de Arte, a atividade artística estimula o cérebro, facilitando o entendimento das disciplinas escolares. “É uma forma de expressão, uma terapia que acalma os ansiosos e estimula os mais tímidos. Aconselho uma prática artística a todas as idades”, explica a professora. Além disso, as aulas de desenho podem revelar uma tendência para promissoras carreiras, como a de ilustrador, de desenhista botânico, de desenhista de quadrinhos e até mesmo preparar o estudante para provas de aptidões, exigidas nos vestibulares de Arquitetura, Designer, Moda, Desenho Industrial, entre outros cursos.
Frequentando a escola de desenho há mais de seis anos, João Victor acredita que a aula ajuda a ter noção de proporção. “Para fazer uma imagem, é preciso ter uma ideia de tamanho, de distância e de profundidade. Tudo isso é muito útil também na escola, principalmente nas disciplinas de desenho geométrico”, declara o adolescente, que tem o apoio dos pais para o curso de desenho livre. De acordo com a professora, o resultado final transmite a mensagem desejada pelo aluno. “O João Victor é muito tímido e, através dos desenhos, consegue se soltar, comunicar-se naturalmente”, acrescenta, explicando que não é preciso ter um dom especial para aprender a desenhar.
Da mesma forma, o teatro tem chamado bastante a atenção dos adolescentes, que procuram o palco por causa de uma curiosidade ou como forma de enfrentar a timidez. De acordo com a professora e atriz Isabela Pizani, o curso gera autoconhecimento, pois o instrumento de trabalho dos atores é o próprio corpo. A estudante Mariana Oliveira, de 15 anos, concorda com a professora e acrescenta que a atuação a ajudou a vencer a inibição. “A oportunidade de interpretar um perfil diferente do que sou de verdade me fez muito bem. Assim, consegui me abrir e conhecer novos amigos”, conta a atriz. O mesmo aconteceu com Mariáh Garcia da Silveira, de 19 anos. A estudante começou a frequentar o teatro para driblar a timidez e encontrou nos palcos a sua profissão.
O compromisso, a responsabilidade, a disciplina e a noção de grupo também são ensinados nas aulas de teatro. “O aluno passa a ter noção de limite de espaço, pois o trabalho é realizado em conjunto. A superação é outra característica dessa arte, que surpreende a cada ensaio”, complementa Isabela. Foi essa experiência que Nathalia David Góes, de 17 anos, viveu quando quis aprender mais sobre atuação. “Minha voz no palco se transforma. Meu corpo vira o personagem que eu quero. É uma sensação incrível que me fez desejar o teatro como profissão”, declara a futura atriz.
Entre personagens reais e imaginários, os estudantes de artes encontram por trás das cortinas uma verdadeira paixão. Ana Beatriz Mazzi, de 14 anos, usa o espelho como seu aliado e pretende continuar atuando mesmo depois de formada. “Quero seguir outra carreira, mas nunca abandonar o teatro como hobby, como uma forma de espairecer”, declara a atriz, que divide o palco com Anna Alice Rangel, de 14 anos, que tem o mesmo objetivo da companheira de cena.
Texto: Mariana Secaf
Fotos: Carolina Alves