Dengue diminue 99,5%
A queda no número de casos positivos de dengue de 975 em janeiro de 2011 para 5 em janeiro de 2012 é razão de comemoração para a cidade
O início de 2012 está sendo marcado por um dado positivo para a Saúde Pública, a significativa queda nos casos de dengue em Ribeirão Preto.
O índice, já vinha caindo na comparação mensal e anual - exceto em número de óbitos -, mas a queda em janeiro de 2012, na comparação com janeiro de 2011, é motivo de comemoração. Veja quadro dos últimos três anos.
Em entrevista para o portal da Revide, a Chefe da Divisão de Controle de Vetores e Animais Peçonhentos, Maria Lucia Biagini, conta como a cidade conseguiu reduzir drasticamente o número de casos de um ano para o outro. Acompanhe:
O que motivou essa queda nos casos de dengue, fiscalização ou conscientização? E o que está sendo feito para manter a situação sob este controle?
Maria Lucia - O controle executado no municipio de Ribeirão Preto segue as diretrizes preconizadas pelo Ministério da Saúde, está baseado na visita sistemática aos imóveis existentes em áreas de características urbanas, para orientação da população, eliminação em conjunto com o responsável pelo imóvel dos recipientes em condições de se tornarem criadouros dos vetores e na aplicação de inseticidas químicos naqueles onde não houver outra forma de atuação. Dependendo da situação da área onde se está trabalhando, pode-se utilizar produtos fornecidos pelo morador e que tenham algum efeito sobre o ciclo de vida do mosquito, como sal, detergente, água sanitária, entre outros. Assim sendo, o município de Ribeirão Preto intensificou as ações de controle ao Aedes aegypti (mosquito transmissor da dengue), realizando incansável trabalho em todos os bairros de nossa cidade, com as seguintes atividades:
— Realização de visita casa a casa com controle dos criadouros em 444.382 imóveis (residências, imóveis comerciais, terrenos baldios e outros).
— Realização de bloqueio de nebulização casa a casa em 91.499 imóveis, nos locais onde havia transmissão de Dengue instalada.
— Realização de 10.556 visitas em pontos estratégicos (locais onde há grande concentração de criadouros, tais como: borracharias, desmanches, depósito de recicláveis, dentre outros) a periodicidade dessas visitas foram quinzenais.
— Realização de 2017 visitas em imóveis especiais (locais onde a grande circulação de pessoas, tais como: bancos, empresas, colégios, Unidades básica de Saúde, dentre outros) a periodicidade dessas visitas foram bimestrais.
— Realização de 5 mega arrastões (tendo sido visitados 76 bairros) + 16 arrastões setorizados (tendo sido visitados 41 bairros), totalizando 117 bairros com 120.969 imóveis, os quais foram contemplados com a visita casa a casa pelos agentes de controle de vetores e voluntários, retirando todo e qualquer tipo de recipiente que acumule água, com a autorização do responsável pelo imóvel, ocasião em que foram retirados um total de 170.909 Kgs. de criadouros do mosquito transmissor da dengue, mais 4.756 pneus que encontravam-se jogados à céu aberto em terrenos baldios e nos quintais de residências. Foram utilizados para essa atividade 310 caminhões, onde contamos com a parceria da Secretaria Municipal da Infraestrutura, Secretaria da Fazenda, Educação, Coordenadoria de Limpeza urbana e de diversas empresas privadas, igrejas e da EPTV.
— Foram atendidas pelos agentes de campo da Divisão de Controle de Vetores 5.224 solicitações feitas pelos munícipes, através do sistema de atendimento ao munícipe, telefone e outras fontes.
— Foram realizadas através do nosso setor de Educação, dezenas de palestras em indústrias, comércio, colégios, dentre outros, exposições em praças públicas de diversos tipos de criadouros e apresentação do Aedes aegypti em suas diversas fases.
Como se vê, ao longo destes três anos, o número já vinha caindo, ainda assim era grande, RP começou o ano muito abaixo da estimativa, pode-se afirmar que conseguirá manter esse quadro?
Maria Lucia - A dengue é hoje uma das principais endemias brasileira, em razão do alto número de pessoas que são acometidas todos os anos em praticamente todo território nacional. O estado de São Paulo convive com essa doença ininterruptamente desde o início da década de 90. É causada por um vírus e transmitida por mosquitos do gênero Aedes, principalmente por Aedes aegypti. O controle é baseado principalmente no combate a focos do mosquito, devido a seu hábito de colocar seus ovos em recipientes artificiais, adaptam-se facilmente ao ambiente domiciliar e convívio com o homem, daí a importância de participação de toda a população, visto que a grande maioria dos focos são encontrados em residências e imóveis comerciais. As atividades de combate à dengue envolvem os três níveis de governo (municipal, estadual e federal), cada qual com suas atribuições e atividades bem definidas. Atualmente é a mais importante arbovirose que acomete o ser humano, e constitui-se em sério problema de saúde pública no mundo. Com exceção da Europa, ocorre em todos os continentes. Dissemina-se nas áreas tropicais e subtropicais, onde as condições do meio ambiente favorecem o desenvolvimento e proliferação do mosquito transmissor Aedes aegypti. No estado de São Paulo foi identificada a transmissão em período recente no ano de 1987. A partir de 1990, todos os anos há registro de transmissão, com intensidade variável. Devido à inexistência de vacina e de métodos para combate aos vírus, a forma de evitarmos a proliferação da doença é combatendo o vetor, principalmente evitando locais com acúmulo de água parada, como vasos e pratos para plantas, pneus, latas, garrafas, caixas d’água destampadas, ralos, etc.
Quais bairros são considerados pontos críticos em RP?
Maria Lucia - De acordo com as Avaliações de Densidade larvária realizadas em Ribeirão Preto pela Divisão de Controle de Vetores, nosso município vêm mostrando um crescimento grande em todos os bairros de materiais recicláveis e que na maioria das vezes tornam-se inservíveis, jogados ao relento, porém, há alguns bairros onde os problemas apresentam-se em pratos para vasos, ralos comum, piscinas. Como se vê, cada bairro tem sua característica, e não há aquele que seja mais ou menos crítico, todos estão vulneráveis para proliferação do Aedes aegypti.
As visitas de agentes a pontos estratégicos agendados é feita com qual embasamento e regularidade?
Maria Lucia - Pontos estratégicos são imóveis que apresentam grande quantidade de recipientes em condições favoráveis à proliferação do Aedes aegypti (depósitos de pneus usados e de ferro velho, oficinas de desmanche de veículos, borracharias, cemitérios e outros); ou imóveis que geralmente apresentam pequena quantidade de recipientes, porém, em função de sua atividade ligada a transporte de mercadorias e passageiros, são de grande importância na dispersão passiva do vetor, principalmente na sua fase adulta (transportadoras, estações rodoviárias e ferroviárias, aeroportos) e são visitados duas (2) vezes ao mês pelas equipes de Agentes de Controle de Vetores dessa Divisão
A fiscalização e autuação estão mais rigorosas? Isso impactou nos números neste início de ano?
Maria Lucia - Ribeirão Preto vem, a cada ano que passa, intensificando mais a parceria Divisão de Controle de Vetores, Vigilância Sanitária, Fiscalização Geral, Secretaria de Infraestrutra, Coordenadoria de Limpeza Urbana, Educação, Daerp. Ressalto que o controle da dengue atualmente é uma atividade complexa, tendo em vista os diversos fatores externos ao setor saúde. Diante desses fatores, é fundamental, para o efetivo enfrentamento da dengue a integração intersetorial. Tal entendimento reforça o fundamento de que o controle vetorial é uma ação de responsabilidade coletiva e que não se restringe apenas ao setor saúde e seus profissionais.
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