Desafios do setor industrial
Vindo de uma família de empreendedores, Guilherme Feitosa representa a terceira geração de empresários à frente da Indústria de Artefatos de Borracha (IRBO)
Participando ativamente do Centro de Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP/RP), desde o ano 2000, o empresário Guilherme Cinuciusky Feitosa deixou o cargo de vice-diretor, que ocupava na entidade há dois anos e assumiu, em março, a presidência da entidade. “Sempre vi com bons olhos as associações de classe onde a sociedade civil se faz representar”, explica o atual presidente.
Vindo de uma família de empreendedores, Guilherme Feitosa representa a terceira geração de empresários à frente da Indústria de Artefatos de Borracha (IRBO), fundada em 1967, e uma das mais antigas empresas associadas ao CIESP.
Após passar pela coordenação do Núcleo de Jovens Empresários do CIESP (NJE) e do Núcleo Temático da Indústria de Borracha e Plástico da região, o empresário foi convidado, em 2011, a compor a chapa da administração anterior como vice-diretor, cargo que ocupou até o início de 2013.
Como presidente, Feitosa pretende trabalhar a integração e articulação dos diferentes setores das indústrias da região, promovendo uma melhora na competitividade através de ações para a capacitação das empresas associadas.
“Também trabalharemos na defesa do setor produtivo da região junto aos órgãos públicos, prefeituras locais e governo do Estado, para exercer influência nas decisões públicas de interesse do setor produtivo, assim como na aprovação de leis de interesse da indústria”, ressalta.
Novos desafios
Como principais desafios na presidência, Feitosa aponta as ações que cessem a desaceleração econômica sofrida pelo setor industrial. Na opinião do presidente da CIESP, “a indústria está mais apanhando do que batendo”.
Outro grande desafio, elencado pelo presidente, será o de chamar a atenção da sociedade para a importância da indústria no desenvolvimento econômico, na geração de renda, empregos e o benefício que as indústrias exercem nos municípios onde estão instaladas.
Dificuldades do Setor
A visita do governador Geraldo Alckmin a Ribeirão Preto, no último dia 20 de março, interessava há vários empresários, inclusive Guilherme Feitosa, pois Alckmin veio à cidade para anunciar a construção da Faculdade Tecnológica (FATEC), em Ribeirão Preto.
No entanto, a licitação para o início das obras ainda está aberta e, levará mais tempo do que o estimado pelo governador. “Com a demora na instalação da FATEC perdemos um tempo precioso na formação de mão de obra tecnicamente qualificada. O curso é muito bem vindo, pois preenche parcialmente uma lacuna de nosso ensino, já que a faculdade tem um foco tecnológico que falta no ensino superior da cidade”, enfatiza.
Além da falta de qualificação de mão de obra, outra dificuldade do setor industrial, apontada por Guilherme, é a do zoneamento urbano. Guilherme afirma que a cidade nunca privilegiou a reserva de espaços para o crescimento e instalação de empresas e, por este motivo, dezenas de indústrias deixaram a cidade e se instalaram nos municípios da região ou deixaram de se instalar na cidade. “Para o CIESP o que interessa é que as empresas estejam bem instaladas. Nossa cidade foi a última de seu porte no estado a ter um Distrito Empresarial, e para as empresas a decisão de ter que deixar a cidade é difícil, mas optam por se mudar por não terem áreas disponíveis, com infraestrutura adequada e preços competitivos”, lamenta.
De acordo com a assessoria de comunicação da prefeitura, o Distrito Empresarial de Ribeirão Preto foi criado em 1996, e implantado em 2004, mas em 2009 somente uma empresa funcionava no local. Hoje 52 empresas estão instaladas e outras 77 compraram lotes.
Guilherme Feitosa acredita que a indústria deve ajudar o poder público a entender as ações que trazem desenvolvimento econômico para o município, por isso, pretende trabalhar em parceria com órgãos públicos.
Palavras do presidente
O atual presidente da CIESP/RP apontou as principais deficiências do setor industrial em Ribeirão Preto.
Qual a maior deficiência do setor hoje? E como fazer para melhorá-la?
É possível afirmar que hoje há várias ameaças à indústria, mas creio que três delas são fundamentais. A primeira é a pouca qualificação dos recursos humanos, o que faz com que a produtividade do trabalho seja menor que a dos países com os quais concorremos. No Brasil, infelizmente, as pessoas saem do ensino básico e do ensino médio com dificuldades enormes em leitura e matemática, que são conhecimentos básicos para uma profissão em um mundo tecnológico, isso sem falar que mesmo a maioria das universidades não consegue entregar profissionais aptos. A segunda grande deficiência é a nossa infraestrutura, em especial a de transportes. Mesmo em São Paulo, que com certeza é o Estado com a melhor infraestrutura, penamos com os portos, aeroportos, ferrovias e outros modais. Além da menor eficiência, temos custos muito maiores de transporte do que nossos concorrentes de outros países. Nossa terceira grande deficiência é o chamado Custo Brasil. Em comparação com a totalidade dos países com os quais concorremos, pagamos impostos muito maiores e temos uma estrutura tributária e legal muito complexa, que toma recursos, investimento e tempo das empresas. Ao mesmo tempo, temos baixo retorno em serviços públicos de qualidade.
Em resumo, hoje, nossas indústrias não são competitivas internacionalmente, porem, é importante afirmar que ‘da porta para dentro’ nossas indústrias são altamente competitivas.
Caminhos para melhorar existem e, na minha opinião, ela começa nas escolas, que precisam privilegiar a meritocracia, recompensando os melhores professores e diretores. Há que existir uma competição saudável, que premie e reconheça os profissionais que se dedicam de verdade ao ensino e formação de nossos jovens. Para isso, é preciso medir e ter metas. Escolas com resultados ruins devem ser objeto de ações específicas e inclusive troca de profissionais.
Com relação à infraestrutura, está provado que o governo não é bom administrador e que também não tem os recursos para fazer os investimentos necessários, por isso, acreditamos que o ideal é conceder os serviços de infraestrutura, utilizando fórmulas que combinem o menor preço para o usuário com a realização dos investimentos que garantam qualidade.
Já com relação ao custo Brasil, o melhor caminho é reduzir o governo para que ele fique mais barato para a sociedade. O Governo deve se concentrar em fazer bem (o que hoje não acontece – basta ler nos jornais) as obrigações de Estado, que são justiça e segurança, diplomacia, educação, saneamento, previdência, saúde básica e infraestrutura, onde a iniciativa privada não couber.
Revide On-line
Texto: Bruno Silva
Foto: Carolina Alves