Descortinando possibilidades
Desde 1998, a ADEVIRP dedica-se a ampliar os horizontes de quem tem a visão parcial ou integralmente comprometida
A convivência íntima com a limitação da visão — sua e de suas irmãs mais novas — direcionou as escolhas profissionais da professora Marlene Taveira Cintra. A psicóloga e pedagoga, que
possui especialização em Deficiência Visual, é a idealizadora da Associação dos Deficientes Visuais de Ribeirão Preto (Adevirp), fundada em 1998. “Inicialmente, atuaríamos junto aos deficientes visuais em idade escolar, mas o tempo e a procura do público foram nos levando também por outros caminhos”, recorda a presidente da entidade.
O trabalho foi tomando proporção e precisou sair da sala do apartamento de sua fundadora, onde tudo começou. Hoje, a Adevirp funciona em seu terceiro endereço, onde proporciona aos deficientes visuais atendimento no contraturno escolar para alfabetização, prática de esportes, contato com a música, serviços manuais, informática, entre outros recursos. São assistidos cerca de 200 deficientes de Ribeirão Preto e outras 39 cidades da região e do sul de Minas Gerais. “Nossas salas são equipadas com máquinas Braille, tecnologia assistiva, ambientes para reabilitação e orientação, quadra esportiva e estúdio de gravação”, enumera Marlene, que conta atualmente com um quadro formado por 26 colaboradores.
Este número já foi maior, mas sofreu uma diminuição em função da realidade imposta pela pandemia de Covid-19, que exigiu da equipe da Adevirp ações rápidas para continuar garantindo assistência aos deficientes visuais. “As atividades presenciais foram paralisadas em uma quarta-feira. Já na segunda-feira seguinte, estávamos prestando atendimento remoto”, relata a fundadora. Desde então, o feedback dos educandos e dos familiares segue constante, assim como a procura por novos atendimentos. A instituição segue procurando se adaptar para acolher novos alunos.
A assistência presencial deve ser retomada gradativamente. Virtualmente, continuam sendo ofertados apoio escolar, aulas de orientação e mobilidade, esporte, xadrez, música, psicologia, terapia ocupacional, além de oficinas de rádio, soroban, informática e tecnologia assistiva. “Os recursos para todas as atividades provêm dos eventos que realizamos anualmente, da destinação da Nota Fiscal Paulista e do Imposto de Renda, assim como de doações espontâneas e convênios com a Prefeitura”, lista Marlene. Segundo a presidente, a principal demanda atual da ADEVIRP é, justamente, recurso financeiro, uma vez que os eventos anuais ficaram comprometidos pela pandemia.
