Desvendando a dor
Conheça mais sobre o trabalho do neurologista José Geraldo Speciali, que se dedica a desvendar a dor
Professor do Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) e chefe do Ambulatório de Cefaleia e Algias Craniofaciais do Hospital das Clínicas (HC) da FMRP-USP, o Prof. Dr. José Geraldo Speciali é especialista em dor. Formado pela FMRP-USP em 1968 e contratado docente em Neurologia três anos depois, Speciali conta que na hora de escolher um tema para as teses de mestrado e doutorado, entre 1973 e 1985, percebeu que o estudo da dor, particularmente das dores de cabeça, era um território praticamente novo na Neurologia. “Fiz minha especialização nessa assunto, com cursos no exterior e participação em vários congressos internacionais”, lembra o médico, que então fundou uma linha de pesquisa em cefaleia. Porém, Speciali percebeu que, para conhecer o tema, era preciso conhecimento aprofundado sobre a dor. “Então ampliei meu universo de aplicações nas pesquisas”, ressalta o professor, que orienta mestrandos e doutorandos.
Segundo o especialista, hoje seu trabalho no HC envolve um atendimento ambulatorial multidisciplinar em cefaleia em dor. “Temos diferentes profissionais da saúde participando das discussões de casos e das orientações de pacientes, analizando todos os aspectos da dor”, afirma Speciali, também membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCe) e do Comitê de Cefaleia da Sociedade Brasileira de Estudo para Dor (SBED). Este ano, o HC-FMRP-USP conseguiu do Conselho Nacional de Residência Médica e do Ministério de Educação (MEC), o reconhecimento de formação de neurologistas com especialização em dor — segundo o professor, único no Brasil.
Ocorrente em qualquer indivíduo, de acordo com Speciali, a dor de cabeça se difere da dor comum pela forma como é originada. “A dor corporal vem da periferia para o centro do corpo e é chamada de centrípeta. Para se instalar, precisa de um estímulo nos receptores periféricos, chamados nociceptores. Essa dor pode acontecer em decorrência, por exemplo, de um trauma ou de um corte. Eles sobem pela medula e chegam ao cérebro, responsável por informar essa sensação. Já a dor de cabeça é originada no sistema nervoso e segue para a periferia. As vias são as mesmas, mas o local onde se inicia é intevertido: os receptores periféricos (dor comum) e algum estímulo do cérebro (dor de cabeça)”, esclarece o professor, que já publicou três livros sobre dores de cabeça: “Cefaleias para Médicos”, com termos técnicos, “Entendendo a Enxaqueca”, para o público leigo, e “Dúvidas sobre Enxaqueca”, apenas para seus pacientes, além de vários capítulos em obras do gênero.
Sobre a enxaqueca, Speciali explica que este tipo de dor é uma disfunção cerebral. “O cérebro do ‘enxaquecoso’ tem um desequilíbrio neuroquímico. Assim, fica sensível a certos estímulos, como álcool, chocolate e hormônios. Esta instabilidade neuroquímica é herdada e tem tratamento”, explica. O professor alerta que, nesses casos, não é correto tratar a dor como sintoma — no momento da dor —, mas sim como causa, diariamente, com medicações que estabilizam o sistema nervoso. Segundo o especialista, a dor é um importante alarme do corpo, mas que não deve ser cessada com o uso constante de remédios. “Assim como a dor aguda é um alerta, o uso abusivo do analgésico faz com que o organismo se acostume quando ela aparece. Dessa forma, qualquer ‘coisinha’ vira dor. Além disso, o excesso de medicamentos pode trazer efeitos colaterais problemáticos, como gastrite, nefrite e hepatite”, completa.
Speciali revela que as dores também estão relacionadas à emoção. “Um exemplo é a dor da perda, que desencadeia uma dor física. A fibromialgia também é um exemplo de dor que, muitas vezes, é agravada Brasileira de Cefaleia (SBCe) e do Comitê de Cefaleia da Sociedade Brasileira de Estudo para Dor (SBED). Este ano, o HC-FMRP-USP conseguiu do Conselho Nacional de Residência Médica e do Ministério de Educação (MEC), o reconhecimento de formação de neurologistas com especialização em dor — segundo o professor, único no Brasil.
Ocorrente em qualquer indivíduo, de acordo com Speciali, a dor de cabeça se difere da dor comum pela forma como é originada. “A dor corporal vem da periferia para o centro do corpo e é chamada de centrípeta. Para se instalar, precisa de um estímulo nos receptores periféricos, chamados nociceptores. Essa dor pode acontecer em decorrência, por exemplo, de um trauma ou de um corte. Eles sobem pela medula e chegam ao cérebro, responsável por informar essa sensação. Já a dor de cabeça é originada no sistema nervoso e segue para a periferia. As vias são as mesmas, mas o local onde se inicia é intevertido: os receptores periféricos (dor comum) e algum estímulo do cérebro (dor de cabeça)”, esclarece o professor, que já publicou três livros sobre dores de cabeça: “Cefaleias para Médicos”, com termos técnicos, “Entendendo a Enxaqueca”, para o público leigo, e “Dúvidas sobre Enxaqueca”, apenas para seus pacientes, além de vários capítulos em obras do gênero.
Sobre a enxaqueca, Speciali explica que este tipo de dor é uma disfunção cerebral. “O cérebro do ‘enxaquecoso’ tem um desequilíbrio neuroquímico. Assim, fica sensível a certos estímulos, como álcool, chocolate e hormônios. Esta instabilidade neuroquímica é herdada e tem tratamento”, explica. O professor alerta que, nesses casos, não é correto tratar a dor como sintoma — no momento da dor —, mas sim como causa, diariamente, com medicações que estabilizam o sistema nervoso. Segundo o especialista, a dor é um importante alarme do corpo, mas que não deve ser cessada com o uso constante de remédios. “Assim como a dor aguda é um alerta, o uso abusivo do analgésico faz com que o organismo se acostume quando ela aparece. Dessa forma, qualquer ‘coisinha’ vira dor. Além disso, o excesso de medicamentos pode trazer efeitos colaterais problemáticos, como gastrite, nefrite e hepatite”, completa.
Speciali revela que as dores também estão relacionadas à emoção. “Um exemplo é a dor da perda, que desencadeia uma dor física. A fibromialgia também é um exemplo de dor que, muitas vezes, é agravada pelas emoções. Essas sensações são chamadas dores disfuncionais, originadas em uma anormalidade do sistema nervoso central, diferentes da dor lesional, por exemplo”, explica.
A integração da dor de cabeça, da dor corporal e de problemas psiquiátricos está entre os próximos temas que devem servir de foco para o especialista. “Na medida em que fui me especializando no assunto, percebi a ligação da dor com esses problemas, principalmente em relação à ansiedade e à depressão que nada mais são do que uma dor da alma, uma dor psíquica, mas que tem uma origem”, conclui Speciali.
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