Devagar: Trecho em obras
Obras do calçadão seguem paralisadas e a população, descontente
Assista a reportagem: Insatisfações com as obras no Calçadão
As obras de reformulação do calçadão de Ribeirão Preto geram dúvidas na população ribeirãopretana desde o início do projeto. Muitas perguntas de consumidores, comerciantes e usuários continuam sem resposta, inclusive em relação à data de conclusão da revitalização. 
Parte do projeto, criado em 1992, foi cumprida, mas a realidade atual é diferente. Com mais de um ano de atraso, a população segue sem poder contar com a restauração dos paralelepípedos, a construção de banheiros públicos de qualidade, a área com trocadores de bebês ou a restauração dos casarões antigos que contam a história da cidade. Também não foram feitos investimentos efetivos em ações culturais e turísticas para o fomento da visitação do local, previstas no projeto denominado Centro Histórico.
O que se nota são obras inacabadas ou deixadas de lado. A primeira etapa do projeto, com conclusão prevista para dezembro de 2012, não foi finalizada. Até hoje, no segundo semestre de 2013, a população de Ribeirão Preto ainda convive com um calçadão totalmente descaracterizado, com fiação aparente, com a falta de adequação das fachadas dos prédios — exigência do projeto Cidade Limpa —, reformas inacabadas e muito aborrecimento.
Abranche Fuad Abdo, secretário de Obras de Ribeirão Preto, aguarda o término das obras da CPFL para a fiação subterrânea e adequações na planilha de obras para dar continuidade aos serviços. “Os comerciantes precisam fazer as reformas para recebimento da fiação da CPFL em seus estabelecimentos. Sem as adaptações, não será possível concluir os serviços de iluminação”, explica.
Abdo ainda aponta que 100% da tubulação, assim como a etapa de cabeamento, estão sendo executadas. “A reurbanização do Calçadão é um grande começo para darmos à cidade um novo estilo. Trata-se de um ‘Novo Centro-Centro Novo’”, comenta.
As obras tiveram início em abril do ano passado e, devido à solicitação dos comerciantes, por conta da movimentação do Natal, foram paralisadas em novembro, com a retomada na segunda quinzena de janeiro de 2013. Este mês, as obras entram em recesso novamente, pois, segundo o secretário, apenas 10% dos comerciantes realizaram as adequações necessárias para a continuação do trabalho. “O cronograma, estipulado no início de janeiro de 2013, é que as obras seriam concluídas em 15 de março, quando começaria a retirada de 40 postes, mas a adesão dos comerciantes é fundamental”, aponta o secretário.
Por outro lado...
Para Fred Guimarães, economista da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (ACIRP), o fechamento de algumas ruas do centro em função das obras pode ter uma parcela de responsabilidade sobre a queda na economia ribeirãopretana. “De forma geral, houve queda no faturamento do comércio varejista, uma média de 8% a 12% em 2012 para de 5% a 8% este ano. Possivelmente, os empresários enfrentaram dificuldades e muitas pessoas evitaram circular pelos locais em obras”, analisa. Além de transtornos como poeira, lama e barro em dias de chuva, o trânsito é outro complicador. “As mudanças mais relevantes são aquelas relacionadas ao fechamento de vias, o que complica o deslocamento de veículos e de parte dos pedestres para outras ruas”, acrescenta.
Para Marcos Zeri Ferreira, presidente da Associação de Amigos, Moradores, Empresários do Centro (AMEC), o projeto de Revitalização do Centro será benéfico para a população. “A AMEC tem certeza de que, após as obras concluídas, os ganhos serão significativos e motivo de orgulho, tanto para os moradores quanto para comerciantes e usuários”, comenta. Guimarães concorda com o representante da AMEC. “A remodelação de ruas com características culturais e históricas deve fazer do Centro um ponto diferencial e um atrativo econômico”, conclui.
Insatisfação geral
Moradores, comerciantes e consumidores que circulam pelo Centro da cidade mostram-se descontentes com a demora na conclusão das obras. Valéria Bersilieira, que há 18 anos é comerciante no Calçadão, afirma que, somado todo o prejuízo com o início das obras, ela já teria comprado um carro zero quilômetro. “Concordo com as obras, feitas para a melhoria da região. Mas a demora prejudica não só meu estabelecimento, mas todo o comércio. Pelo que parece, teremos mais prejuízo”, lamenta a comerciante. Segurança é a principal preocupação de Douglas Alberto Alvarenga, frequentador assíduo do Centro. “Além das dificuldades que as obras causam, a segurança ainda precisa ser melhorada. Temos uma base da polícia militar, mas ela é insuficiente”, argumenta.
Para a consumidora Marcia de Lourdes, não há necessidade de tantas obras. “Pintar as fachadas dos prédios já era o bastante. Os comerciantes gastaram muito dinheiro para atender ao Cidade Limpa, mas o restante está todo desorganizado”, afirma. .jpg)
O comerciante João Jonas acredita que as obras irão trazer à cidade o movimento dos anos 60, quando o centro era referência regional, mas pede urgência no término. “A fase mais difícil já passou. Agora, é preciso unir forças entre o poder público e os comerciantes para finalizar as reformas”, comenta. O comerciante também aponta a segurança como item prioritário. “Temos pontos positivos no centro, como o aglomerado de lojas e seu público fiel, mas a falta de segurança atrapalha”, finaliza.
Rodrigo Leone da Silva, morador e empresário do Centro, afirma que teve sua rotina durante as obras bastante prejudicada. “A sujeira e o desconforto gerado pelo desvio do trânsito, além do barulho, eram perturbadores”, comenta. Para o morador, mais preocupante é a situação do calçadão. “O que mais incomoda é a situação provisória do calçadão, que já está se tornando permanente. Não existe benefício prático visível para os moradores. Apenas o resultado terrível: calçadão cheio de ondulações, buracos, tubos e solo irregular. Na verdade, as obras ainda não trouxeram benefícios, apenas causaram problemas”, conclui.