Diagnóstico do pavimento
Alunos de Engenharia Civil de três instituições de Ensino Superior instaladas em Ribeirão Preto vão avaliar o asfalto da cidade
Avaliar o asfalto de 30 mil quarteirões, ou segmentos, e apontar soluções adequadas para a pavimentação, com planejamento e economia de recursos. É o que farão alunos de Engenharia Civil do Centro Universitário Moura Lacerda, da Unip e da Estácio/Uniseb, sob a coordenação de professores e coordenadores do curso e a supervisão do professor José Leomar Fernandes Júnior, da USP de São Carlos, especializado em pavimentação.
No dia 29 de outubro, 134 estudantes das três instituições passaram por um treinamento para, voluntariamente, ajudar a criar o Sistema de Gerenciamento da Pavimentação Urbana (SGPU), que analisará a pavimentação de Ribeirão Preto. O treinamento foi ministrado pelo professor José Leomar, que implantou o sistema em Anápolis (GO) e Brasília (DF), com a ajuda de universitários. Também realizou trabalhos semelhantes em Porto Alegre (RS), São Carlos, Franca e Piracicaba.
Por um convênio assinado pela Prefeitura, por meio da Secretaria da Infraestrutura, com as três instituições de ensino, os alunos farão o trabalho de campo, coletando informações sobre a pavimentação para alimentar um sistema informatizado, que mapeará as ruas da cidade e indicará a melhor solução para cada local — se recapeamento, manutenção ou tapa-buraco. A Prefeitura não terá custos.
A secretária de Infraestrutura, Isabel de Farias, explicou que tudo começou com uma intervenção do Observatório Social de Ribeirão Preto (OSRP), que propôs a parceria para a realização do trabalho. Com isso, o observatório acompanhará também a execução do projeto. “Esse é uma ação inédita que une as universidades e o setor público. Começamos a fazer a mudança, com a possibilidade de deixar um enorme legado para o município”, disse a secretária.
Para o representante do observatório, Júlio Curvo, o convênio é uma conquista, uma vez que o trabalho do observatório é buscar economia nos serviços públicos e promover a cidadania por meio da educação fiscal e do controle. “Estamos muito contentes que esta iniciativa comece a ocorrer. Teremos economia e um bom trabalho técnico”, afirmou.
Planejamento
O professor José Leomar explicou que o projeto é um ponto de partida para que as prefeituras possam, no futuro, ter um planejamento e realizar a manutenção de pavimentos com economia. “É uma experiência que permite a contribuição de diferentes setores”, explicou. O especialista apontou que outras etapas de treinamento podem ser necessárias, a serem realizadas pelos professores das universidades parceiras ou pelos coordenadores dos cursos. A intenção é fazer o trabalho de levantamento análise em um ano, mas a tarefa pode terminar antes. “Se metade dos alunos que passaram pelo treinamento aderirem ao projeto com seriedade, podemos acabar em seis meses, ou até menos tempo”, apontou o professor.
O professor da USP comentou que Ribeirão Preto não é um caso específico de problemas com a pavimentação, mas que contempla a regra geral de não ter equipes suficientes para tapar todos os buracos que surgem após o período de chuvas. “A avaliação que pretendemos fazer, em um ano, ou até em tempo menor, é para que possamos mostrar a possibilidade de planejamento e manutenção preventiva”, acrescenta José Leomar.
Dados on-line
O professor Anderson Manzoli, do Moura Lacerda e do Uniseb/Estácio, também
acredita em um período menor de trabalho, dependendo do envolvimento dos alunos. Ele informou que quatro estudantes que atuam na área de computação já estão desenvolvendo um aplicativo para que os demais possam alimentar o sistema com informações de forma on-line, de onde estiveram coletando os dados.
Anderson acredita que, em duas semanas, os alunos já podem ir a campo, mas a data de início ainda não está fechada. “Dividiremos a cidade em bairros ou setores e separar os alunos em grupos. Os que acabarem antes podem ajudar em outros setores”, comentou.
Sobre a experiência, o professor reforçou que, neste projeto, todos ganham. “Os alunos terão um aprendizado extra, que não está na grade curricular. Poderão, ainda, conhecer de perto os problemas do Município e exercer sua cidadania. A população ganha porque terá um trabalho qualificado e sem custos para a Prefeitura”, lista Anderson. Os alunos também podem receber pontos e certificados pelo trabalho. Não está descartada, por exemplo, a concessão de bolsas para quem se dedicar mais, mas esse benefício depende de decisão das universidades.
Para Isabel de Farias, o trabalho representará um ganho considerável, por permitir o planejamento com informações precisas e não apenas de reparo, mas de manutenção e conservação do pavimento. “Hoje, atendemos à demanda apenas com o trabalho emergencial”, disse a secretária.
Os coordenadores dos cursos envolvidos também consideram que a união é de extrema importância para a cidade e para os alunos que, além de terem a oportunidade de colocar o aprendizado em prática, poderá praticar a cidadania. “Esta é uma das atribuições da universidade: exercer atividades comunitárias. Neste caso, isso é muito importante porque podemos fazer um sistema mais eficiente para melhorar a nossa vida na cidade”, comentou Fernando Brant, coordenador do curso de Engenharia Civil da Unip.
Para Solange Pereira dos Santos, que coordena o curso no Moura Lacerda, o projeto é excelente para os alunos. Ela lembrou que tudo começou com a intervenção do Observatório Social, que objetiva promover a cidadania. “Estamos no início e com muitas arestas a aparar, mas muito engajados e animados com um trabalho de fundamental importância, quando os alunos poderão juntar conhecimento técnico para viabilizar uma pavimentação melhor. Isso tudo, agregado à intensa participação como cidadão”, afirmou Solange.
O coordenador do curso de Engenharia Civil da Uniseb/Estácio, Ricardo Gomes, disse que os alunos estão muito engajados no projeto, pois se trata da conservação e da melhoria das condições de tráfego das vias públicas da própria cidade. “Todos eles trafegam diariamente pelas vias de Ribeirão Preto e sentem que a frequência e a qualidade dos serviços de manutenção caíram drasticamente nestes últimos anos”, aponta. O coordenador comentou, ainda, que, para os professores, a parceria representa a possibilidade de aplicar elementos conceituais, abordados em sala de aula e laboratórios, em campo. “No mínimo, os alunos conseguirão verificar na prática tudo aquilo que aprenderam em aulas teóricas e nos laboratórios. Além disso, o projeto é muito amplo, de forma a conjugar várias áreas da Engenharia Civil”, salientou, acrescentando que há um claro ganho, também, para a população e a cidade.
Parceria
Além das universidades e da orientação do professor José Leomar, a ação também será conjunta dentro da Prefeitura, já que une Secretaria de Infraestrutura, Daerp, Coderp e Transerp, para que as eventuais manutenções possam ocorrer de forma coordenada para evitar desperdícios. “Se o Daerp vai fazer uma intervenção em uma área a ser recapeada, por exemplo, é preciso que isso aconteça antes das obras no pavimento”, exemplificou José Leomar.
Texto: Guto Silveira
* Publicado em 06/11/2014