Diagnóstico preciso
Exame clínico e mamografia continuam sendo as formas mais eficazes e precoces de identificação de um câncer de mama
No mês voltado à divulgação da importância dos exames preventivos na luta contra o câncer de mama, dá para afirmar que o exame clínico e a mamografia continuam sendo as formas mais eficientes para diagnosticar precocemente a doença. O ultrassom ou a ressonância magnética complementam a investigação e contribuem para a precisão do laudo. Outros exames de imagem e laboratoriais também podem ser solicitados, caso o médico julgue necessário.
A orientação é de que, após os 40 anos, a mamografia deve ser anual, bianual ou feita a cada quatro ou cinco anos, de acordo com o histórico, a formulação da mama de cada mulher e a orientação médica. Depois dos 50 anos, o exame deve ser anual. O mastologista Heitor Ricardo Cosiski Marana (CRM: 65.836) observa que, antes dos 40 anos, o exame deve, obrigatoriamente, ser feito por ultrassom. Nas pacientes entre 40 e 50 anos, é conveniente utilizar o exame como método complementar. Como o câncer de mama vem sendo identificado em pacientes cada vez mais jovens, o especialista alerta que, nesses casos, não é raro ter que lidar carcinomas mais avançados, uma vez que essas pessoas não fazem parte do programa de rastreamento. Além disso, os tumores costumam ser mais agressivos nesse grupo de pacientes.
De acordo com Heitor, a rastreabilidade já é viável em outros países, mas no Brasil, até o momento, não há métodos que detectem lesões pré-neoplásicas, ou seja, que possam evoluir para um carcinoma. “Assim, a detecção precoce é, realmente, a arma mais adequada para lutar contra o câncer de mama. Quanto mais cedo a doença for descoberta, menos agressivo será o tratamento inicial”, orienta o médico.
Quando o diagnóstico é positivo, o médico pede o estadiamento, que estabelece a extensão da doença. Basicamente, o procedimento dirá se o tumor está localizado só na mama ou se há implantes tumorais a distância (metástases). Os exames iniciais são o raio-X de tórax, a ultrassonografia de abdômen total e a cintilografia óssea, mas há casos em que exames mais elaborados são necessários, como tomografia, ressonância ou PET Scan (Positron Emission Tomography), modalidade de diagnóstico por imagem que permite o mapeamento de diferentes substâncias químicas radioativas no organismo.
Já a biópsia é necessária não só para confirmar o diagnóstico, mas também para executar o exame de imuno-histoquímica de fatores prognósticos, que serão de suma importância no prognóstico e na escolha do tratamento oncológico pertinente. “Cada paciente vai ter um esquema de tratamento quimioterápico individualizado, de acordo com seu estadiamento e dos fatores prognósticos”, esclarece Heitor. O médico observa que, do ponto de vista histológico (composição e função dos tecidos), o tumor mais comum é o carcinoma invasor ductal da mama, que corresponde a mais de 90% dos casos.
Sem medo
Foi a partir do autoexame realizado de forma habitual, que, durante o banho, a matriarca da família Duarte percebeu a presença de três bolinhas estranhas na axila esquerda. Sem temer o resultado, Sandra Regina de Oliveira Penha Duarte, aos 42 anos, agendou uma consulta com o ginecologista e realizou os exames solicitados. “Na época, só pensava na minha família, pois tinha dois filhos ainda adolescentes e um de 9 anos, que precisavam muito do meu apoio, da minha presença. Eu não podia e não queria pensar em deixá-los”, explica Sandra.
O diagnóstico foi positivo para câncer e Sandra começou o longo tratamento pela mastectomia, a retirada da mama, seguida por diversas sessões de quimioterapia e de fisioterapia. Bancária, Sandra revelou que, na época, o trabalho contribuiu de forma essencial para sua recuperação. “Descobri a doença em 1992 e não quis me afastar do trabalho. Só parei para a cirurgia e nos dias de tratamento”, recorda. Em 1998, quando iniciou um tratamento com drenagem linfática, específico para evitar os inchaços no braço, conheceu o trabalho voluntário na Fundação Sobeccan. “Sou muito grata por tudo o que fizeram por mim. É uma forma de retribuir um pouco do que recebi”, frisa Sandra.
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