Diário de viagem
Próxima viagem do aventureiro, será para Ushuaia, na Argentina
O ribeirãopretano Austen Torres Campos, que já havia feito viagens a Buenos Aires, a Santiago e ao sul do Chile de motocicleta. Aos 67 anos, queria realizar ainda dois desafios: conhecer San Pedro de Atacama, no Chile e Ushuaia, na Argentina, também de motocicleta.
A aventura idealizada por ele, acabou sendo ainda mais emocionante pois, como nenhum de seus amigos aderiram à ideia, Austen decidiu pegar a estrada sozinho, apenas com sua motocicleta como companheira. A “Águia Negra”, como carinhosamente ele a batizou, é uma Suzuki V-Strom 650, equipada especialmente para a viagem que durou oito dias. Juntos, Austen e a “Águia Negra” percorreram 6.000 km, viajando 750 quilômetros por dia.
O relato dessa aventura você confere a seguir.
Primeiro dia
“Em Janeiro de 2012 convidei vários amigos motociclistas para me acompanhar até San Pedro de Atacama, mas não houve nenhuma adesão. Resolvi enfrentar o trajeto sozinho. Equipei a minha moto e no dia vinte de janeiro deste ano, embaixo de chuva, saí com destino a Foz de Iguaçu. Preferi percorrer 40 km a mais, passando por Bauru e Ourinhos, para entrar no Paraná, pois o trecho mais curto, de Borborema a Marília, está muito ruim. Pernoitei em Medianeira, próximo a Foz do Iguaçú, porque já estava escurecendo e os hotéis nessa cidade são mais baratos”.
Segundo dia
“No segundo dia eu pretendia chegar a Corrientes, uma provícia argentina, mas não foi possível. Pernoitei em Posadas, capital da província de Misiones. A fila na Aduana Argentina estava enorme e em Puerto Iguaçu fui atrás da tal carta verde, e isso atrasou muito a viagem. Na Argentina as estradas são boas e motos não pagam pedágio. Lá, os postos de gasolina não aceitam cartão de crédito, somente pesos argentinos (Efetivo)”.
Terceiro dia
“No terceiro dia de viagem: mais atraso. Até a cidade de Jujuy, ainda na Argentina, a cada quatro postos que parava para reabastecer, só um tinha combustível. Pretendia pernoitar em Salta, a 1200 km de Posadas, mas terminei dormindo em um hotel de posto de gasolina em Monte Quemado, que por sinal era muito simples. Meu café da manhã foi um pão francês com manteiga, café com leite e nada mais. Custou-me 120 pesos, mas foi melhor que dormir na beira da estrada ou continuar a viagem a noite”.
Quarto dia
“No quarto dia de viagem eu pernoitei na Província de Jujuy, região noroeste da Argentina, onde tem uma oficina Honda multimarca, lá pude trocar o óleo, esticar e lubrificar a corrente da minha moto para que eu pudesse seguir meu caminho. Alguns quilômetros depois de Jujuy, comecei a subida para o Altiplano Andino. Esse trecho merece atenção redobrada, pois as curvas são muito fechadas e em aclive, com muitas pedras no leito da rodovia que podem alterar a trajetória da motocicleta ou provocar uma queda. A altitude e consequente falta de oxigênio não me tiraram o fôlego, mas a beleza da paisagem sim. Mesmo em janeiro, existem muitos picos nevados. Os Salares (salinas), superam 3000 Km² de extensão e a fauna com os Guanacos, Vicunãs e Llamas que habitam a região, são de uma beleza indescritível. Definitivamente eu integrava a paisagem com a minha moto e nada nos separava de tanta beleza. Pilotei por várias horas no Altiplano Andino e esporadicamente cruzava com outro veículo. A sensação térmica era de mais ou menos 9 graus e uma preocupação tomou conta de mim. Se ocorresse algum problema mecânico com a motocicleta ou comigo, que sou 'um pouco mais velho' que a moto, provavelmente eu teria que passar a noite na beira da estrada, aguardando socorro e enfrentando temperaturas próximas de zero grau centígrados. Se no início da viagem eu acreditava ter coragem, agora, começava a achar tudo uma loucura”.
A chegada
“Fiquei três noites em San Pedro. A cidade Chilena está no deserto de Atacama, o mais árido do mundo. Lá chove somente cinco dias por ano, a cidade só tem uma Farmácia (La Botica) e um Posto de Gasolina. A comida Chilena é muito gostosa, mas picante. Toda a minha gula causou um desarranjo intestinal. Minha salvação foi a ‘La Botica’, onde me ofereceram um pozinho milagroso e tudo voltou ao normal. Visitei o Valle de La Luna e os Gêiseres Del Tatio, com a água emergindo da terra com temperatura de 85º Celsius atingindo aproximadamente oito metros de altura. Devem ser visitados logo ao amanhecer quando a temperatura externa é muito baixa. Deveria ter ficado mais dias em San Pedro, porém compromissos em Ribeirão Preto exigiam a minha presença”.
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Texto: Bruno Silva
Fotos: Divulgação