Difícil união de forças
De olho no voto, partidos buscam coligações para fortalecer candidaturas e ampliar tempo no rádio e televisão

Difícil união de forças

Partidos buscam coligações para as eleições de prefeito e vice, mas não demonstram essa preocupação com a votação para vereadores, já que a união reduz número de candidatos por partido coligado

A pouco menos de um mês das convenções partidárias — que começam no dia 20 de julho — para as eleições de outubro, os partidos intensificam negociações com outras siglas para definir com quem caminhar na campanha deste ano em busca do voto para o principal cargo político das cidades. No caso de Ribeirão Preto, a sucessão da prefeita Dárcy Vera (PSD) tem atraído número recorde de pré-candidatos, mas muitos devem preferir mesmo seguir com outra legenda para escolher o vice, por exemplo. Teoricamente ainda há nove pré-candidatos, mas não se sabe se todos eles ultrapassarão o período de convenções, que vai até 5 de agosto, com o nome sacramentado para ser levado ao registro da justiça eleitoral. As conversas na busca de coligações podem reduzir consideravelmente o número de pretendentes.
O presidente do diretório municipal do PSDB, Nicanor Lopes, arrisca-se a falar em conversas bem adiantadas com três partidos, o DEM, o Solidariedade (SD) e o PTC. Os tucanos têm como pré-candidato o deputado federal Duarte Nogueira. “Estamos ainda na fase de namoro, e este já é um namoro com aliança, com grandes possibilidades de coligação”, disse o tucano. Ainda segundo ele, há conversas com PP, PPS e PSB. “Este, no entanto, é um momento onde tudo é difícil e nada é difícil. Por isso, não dá para antecipar qualquer possibilidade de união. Estamos na busca dos parceiros certos”, comentou Nicanor. Dos seis partidos citados, ao menos dois falam da possibilidade de candidatura própria; o PSB, com o juiz aposentado João Gandini, e o PPS, que não descarta a possibilidade de lançar o promotor de justiça Carlos Cezar Barbosa.
Questão controversa após a minirreforma eleitoral, a coligação para a eleição proporcional, de vereadores, está relegada a um segundo plano. Isso porque o número máximo de candidatos que um partido pode lançar é o mesmo do permitido em qualquer coligação. Antes, o partido podia lançar 150% do número de cadeiras da Câmara e, em coligação, 200%. Hoje, só é possível chegar aos 150%, em qualquer situação. Em Ribeirão Preto, os partidos consideram 27 cadeiras e, portanto, podem chegar a 41 candidatos.  “A minirreforma matou a possibilidade de coligação na proporcional. Só fará coligação o partido que não tiver nomes para montar uma chapa completa ou que encontrar dificuldade para atingir o coeficiente eleitoral e eleger pelo menos um vereador”, comenta Nicanor Lopes.

UNIÃO ENXUTA

O vereador e pré-candidato a prefeito pelo PDT, Ricardo Silva, disse que tem conversado com vários partidos na busca por coligação, mas que tentará uma coligação enxuta, com poucos partidos. Apesar disso, ele próprio antecipa que pode haver, além do PDT, outros seis partidos: Pros, PSC, PRB, PMB, PMN e PTN. “Estamos buscando uma coligação com propostas, sem vinculação ao oferecimento de cargos. Não estamos fazendo qualquer compromisso nesse sentido. Queremos partidos e pessoas compromissadas com um projeto para a cidade”, apontou o vereador. Apesar de enxuta, a possível coligação já conta com cerca de 240 candidatos a vereador, mas não há coligações proporcionais. “Ajudei na montagem das chapas, mas os partidos vão para disputas independentes para o mandato de vereador”, esclarece.
O Partido Verde não quer saber de coligações. Depois de ter disputado o cargo de vice-prefeito na eleição passada, com o ex-vereador Gilberto Abreu (que se transferiu este ano para o PDT), o PV vai para a eleição “desacompanhado”. O presidente local da sigla, André Rodini, será o candidato a prefeito, com o professor Edmur Manfrin como vice. Também a chapa de candidatos a vereador será formada apenas de filiados ao partido. “Nossa proposta é desvincular a discussão do modelo atual. Temos ideias suficientes e valores próprios para a disputa. Aproveitaremos o momento para elevar o nível do debate”, salientou Rodini, que pretende discutir, durante a campanha eleitoral, não apenas propostas ambientais, mas a sustentabilidade.
Presidente local do PTB, Paulo Garde não fala em coligações. O partido lançou a pré-candidatura a prefeito do radialista e advogado Rodrigo Camargo. Garde diz que as conversas estão indo bem, sem revelar quem são os interlocutores. “Temos coligações a serem feitas, mas só entre 20 e 30 de julho teremos as definições. Há algumas posições, mas tudo que dissermos agora será especulação”, afirma. O que o petebista garante é que a chapa de candidatos a vereador está montada e que, neste caso, não haverá coligação. Garde opina que esta será a campanha da sola de sapato gasta. “Será essencial andar pela cidade. Quem não estiver disposto a gastar sola de sapato não vai chegar a lugar nenhum”, afirmou.
Partido antigo e grande, o PMDB em Ribeirão Preto ainda enfrenta indefinições e não sabe ainda se irá coligar com alguma legenda. “Ainda não temos nada fechado. Estamos conversando com outros partidos, mas com o objetivo de pensar formas de administrar a cidade”, disse Paulo Saquy, presidente do diretório municipal do partido. Ele admite ter conversado com o PP, PSB e com os pré-candidatos Duarte Nogueira e Ricardo Silva, sem nenhuma conclusão por enquanto. “Estamos fazendo força para ter uma candidatura própria. Agora surgiu a possibilidade da candidatura do Léo (Oliveira, deputado estadual) e o PMDB tem caminhado nesta direção”, anuncia. De acordo com Paulo Saquy, um dos motivos de o deputado estadual ainda não ter confirmado a candidatura é profissional. Com um programa de TV que leva seu nome, ele teria que sair do ar dia 30 deste mês para ser candidato.

NA VICE

Depois de disputar sete eleições em Ribeirão Preto e eleger Antônio Palocci Filho por duas vezes, o PT pensa em deixar o protagonismo da disputa e já discute fazer uma coligação onde ofereceria o candidato a vice-prefeito. A união em discussão é com o PCdoB, que pode lançar o presidente afastado do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto e Guatapará, Wagner Rodrigues. “Não há uma posição fechada. Hoje, o partido está dividido entre ter ou não candidato próprio”, comentou o presidente do diretório local, Jorge Parada. O PT ainda discute dois possíveis nomes, Ricardo Sobral e Fernando Tremura, para prefeito ou vice, no caso de a corrente pela coligação vencer. O jornalista Galeno Amorim era outro nome, mas desistiu da pré-candidatura. O PT também admite coligação na proporcional. Segundo Parada, não há número de candidatos suficientes para a formação da chapa completa.
O PSD, partido da prefeita Dárcy Vera, ainda não se definiu por coligações. O presidente da comissão provisória local, Marco Antônio dos Santos, disse que, por enquanto, não há nada fechado. Uma das possibilidades que chegou a ser discutida bem no início da pré-campanha seria coligar com o PTB para que a ex-secretária de Assistência Social, Maria Sodré, fosse a vice na chapa possivelmente encabeçada por Rodrigo Camargo. No lançamento da pré-candidatura de Camargo vários secretários municipais estiveram presentes, incluindo o próprio Marco Antônio. Parece, no entanto, que a união não tem ainda muita firmeza.


NÃO VICE

Presidente do PSB em Ribeirão Preto, o juiz aposentado e pré-candidato do partido a prefeito João Gandini ainda não definiu se fará coligações para a disputa majoritária, mas assegura que a chapa de vereadores será apenas do partido. “Estamos participando de várias discussões, mas a cada dia aparece candidato, assim como há desistências. Já conversei com vários partidos, como PSDB, SD, DEM, Rede e estamos avançando. Vai chegar uma hora que as decisões vão se precipitar e tudo se define”, disse. Gandini garante que não será vice de nenhum candidato e que só será candidato a prefeito. “Não tive nenhuma conversa sobre ser vice de ninguém. A campanha está de pé. Podem ter interesse em me tirar do páreo, mas já falei com o vice-governador (Márcio França, presidente estadual do PSB) e não há possibilidade de o partido ser vice na disputa”, frisou.
O PPS, que pretende lançar o promotor de justiça Carlos Cezar Barbosa a prefeito, também não definiu suas “companhias” para o pleito de outubro. “Estamos conversando com dois partidos e poderemos ter novidades em breve”, comentou o presidente do partido em Ribeirão Preto, César Sturari, sem revelar quais são os partidos. “Agora, as conversas começam a melhorar, porque está chegando o mês das convenções. Precisamos de coligação para aumentar o tempo de TV e encontrar um bom nome pra vice, já que o do pré-candidato a prefeito tem boa aceitação dentro e fora do partido”. Já a eleição proporcional será mesmo com chapa pura, sem coligações.
O PHS, que tem como presidente local o ex-deputado federal Corauci Sobrinho, que anunciou seu nome como pré-candidato a prefeito, ainda não definiu com que deve se coligar. A chapa de vereadores, no entanto, está completa. “Está tudo ainda muito obscuro, principalmente para os pequenos partidos. Tudo deve ser definido já no início de julho. Por enquanto, estamos falando com todos, mas são tratativas iniciais”, comentou Corauci. 

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