Disrupção econômica

Disrupção econômica

Segundo o especialista em Gestão Empresarial Maurício Moraes, no atual momento, é fundamental que as empresas foquem no cliente e inovem em produtos e serviços para seguirem competitivas no mercado

Responsável pelo escritório da PwC Brasil em Ribeirão Preto, o especialista em Gestão Empresarial Maurício Moraes também é, desde setembro do ano passado, sócio líder da indústria de Agrobusiness no país da PricewaterhouseCoopers, uma das maiores prestadoras de serviços profissionais do mundo nas áreas de auditoria e consultoria de empresas.

Moraes analisa as ameaças à saúde financeira das empresas, os riscos e os desafios para os empresários brasileiros, o avanço da tecnologia nos negócios e a importância da cadeia do agronegócio. “O mundo, incluindo o Brasil, passa por constantes mudanças e o momento é de transformação e de disrupção. Os administradores precisam estar atentos e se adaptarem a este novo cenário, com o próprio aperfeiçoamento contínuo e dos profissionais que fazem parte da equipe”, avalia. 

Na entrevista a seguir, Moraes também destaca a importância de Ribeirão Preto para o cenário econômico e produtivo nacional, reiterando que a cidade sedia feiras, congressos e eventos importantes no cenário nacional e relevantes empresas locais e multinacionais. 

Qual a principal ameaça que existe hoje à saúde financeira das empresas?
Considerando o ritmo lento da economia, é fundamental para a saúde financeira das empresas uma boa gestão orçamentária para assegurar investimentos que tragam retornos positivos, com redução de custos e melhoria contínua dos processos e atendimento às novas exigências dos consumidores. É importante apresentar informações seguras e confiáveis para manter a credibilidade no mercado e ter acesso ao crédito.

Como administrar uma empresa em cenários tão inconstantes, sejam econômicos ou políticos, como ocorre no Brasil?
O mundo, incluindo o Brasil, passa por constantes mudanças e o momento é de transformação e de disrupção. Os administradores precisam estar atentos e se adaptarem a este novo cenário, com o próprio aperfeiçoamento contínuo e dos profissionais que fazem parte da equipe. Também necessitam de novas habilidades de gestão. Nesse momento, em que diversas empresas passaram por problemas com a recente crise, é necessário que elas foquem no cliente e inovem em produtos e serviços para seguirem competitivas no mercado.

Aliada à economia inconstante, muitos setores se veem às voltas com rápidas mudanças tecnológicas, que impactam diretamente os custos de produção. Como encarar este momento de transformações para se manter atuante?
A evolução da tecnologia é algo contínuo e está transformando a forma de trabalho e como as pessoas se relacionam. A digitalização dos processos pode otimizar os custos, mas vai requerer novas habilidades analíticas dos profissionais, investimentos em capacitação e em sistemas de gestão.

Em que nível as empresas brasileiras estão em termos de gestão e de planejamento?
Em um mundo de constantes e aceleradas mudanças, estabelecer metas e planejamentos é um grande desafio. Novos negócios, novos mercados, novas formas de relação com o consumidor, novas tecnologias, consumidores mais exigentes são ingredientes que precisam ser avaliados na preparação do planejamento. Isso requer conhecimentos diversos que, muitas vezes, não estão totalmente dentro das empresas. Muitas organizações possuem conselhos e comitês estratégicos, de inovação, de riscos e de inteligências de mercado, que, conjuntamente, preparam as diretrizes estratégicas das empresas, base para o planejamento. Também existem empresas que não possuem tal estrutura. É cada vez mais importante investir em governança nas empresas.

Quais são os maiores pecados das empresas nacionais?
Cada empresa tem sua particularidade e, assim, cada uma tem de ser analisada individualmente. É importante que a empresa elabore um mapeamento de riscos internos e externos, bem como um plano para monitorar e rapidamente agir à medida que cada risco possa afetar o futuro. 

Quais são os principais desafios que se apresentam, atualmente, para as empresas?
As empresas precisam se reinventar e se preparar para as tecnologias digitais, bem como atualizar os profissionais para esse cenário cada vez mais competitivo e globalizado, buscando engajamento e diferenciação. Assim, continuarão sendo atrativas tanto para os colaboradores quanto para o mercado.

Ribeirão Preto ainda é um mercado atraente para novas empresas?
Sem dúvida, a cidade é um polo regional e nacional, tanto em serviços, consumo e varejo, quanto na indústria e no agronegócio. Ribeirão sedia feiras, congressos e eventos importantes no cenário nacional e relevantes empresas locais e multinacionais, bem como oferece excelentes opções de ensino e de saúde. No caso da PwC, é em Ribeirão Preto que sediamos nosso Centro Brasil de Excelência em Agronegócio, referência na PwC em assuntos do Agro, gerando análises e informações fundamentais para nossa atuação diferenciada no setor.

“Ribeirão Preto é um polo regional e nacional, tanto em serviços, consumo e varejo, quanto na indústria e no agronegócio”, afirma o especialista

Geralmente, as recessões passam ao largo do agronegócio. Como o senhor avalia o setor neste momento?
O agronegócio é globalizado e há forte demanda mundial por alimentos, fibras e energia. O aumento da população mundial tem mantido a demanda pelas principais commodities agrícolas, das quais o Brasil participa nas primeiras colocações tanto na produção quanto exportação, e isso deve continuar nos próximos anos. 

Do ponto de vista da iniciativa privada, quais as perspectivas para os próximos anos para a economia brasileira?
As perspectivas são positivas. No entanto, o Brasil ainda tem muitos desafios a serem superados e, nesse sentido, é fundamental a aprovação das reformas estruturais, como previdenciária e fiscal, e de investimentos em infraestrutura, educação, ciência e tecnologia e saúde, para que tenhamos um desenvolvimento sustentável no longo prazo. 

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