Diversidade que apaixona

Diversidade que apaixona

Assim como muitas pessoas, Mylla Maranho se rendeu a pluralidade de sabores que a famosa mistura de água, malte, cereais e lúpulo permite

Conhecida por ser uma bebida popular, a cerveja já foi, historicamente, considerada alimento. Tanto isso é verdade que os egípcios, criadores das primeiras receitas, chamavam a bebida de “pão líquido”. Já na Idade Média, devido às condições precárias de saneamento, era comum e mais seguro beber cerveja para se hidratar. A história também conta que o boteco teve origem nas boticas do século passado, locais onde se vendia de tudo um pouco, especialmente alimentos. Nesses armazéns, as pessoas costumavam fazer suas compras e, também, conversar com os amigos. Os donos dos estabelecimentos começaram a servir aperitivos e bebidas aos frequentadores, o que logo passou a fazer parte do dia a dia.

A associação das cervejas aos botecos aconteceu, portanto, naturalmente, o que foi tornando a bebida em questão conhecida pelo seu poder de promover a socialização. Assim como a cerveja, os botecos ganharam o mundo e, hoje, é difícil encontrar uma cidade que não possua um estabelecimento com essas características servindo uma cerveja gelada. Para muitas pessoas, conhecer esse enredo torna a bebida ainda mais saborosa. 

Se em diversas áreas, o brasileiro é conhecido pela criatividade e pela originalidade, no mundo da cerveja não é diferente.  Diante do crescente mercado das artesanais, especiais ou gourmets, como também são conhecidas, o país deu um salto em qualidade e em variedade de rótulos ao alcance de um público cada vez mais exigente. 

Beer sommelier e técnica cervejeira, Mylla Maranho acredita que, além das características culturais que carregam, os brasileiros estão cansados de cervejas fabricadas em grande escala, servidas estupidamente geladas, mas com um sabor extremamente suave. “Sempre gostei de tomar cerveja, mas nunca prestei muita atenção às novidades desse universo. Em 2015, comecei a estudar um pouco mais sobre o assunto e a degustar diferentes rótulos. Assim, comecei a perceber que há milhares de estilos cervejas e fiquei completamente encantada por essa diversidade”, relata a especialista. 
“A diversidade de rótulos me fez nutrir uma paixão única pelas cervejas artesanais”, conta Mylla
Há incontáveis tipos diferentes de cerveja, sendo a pilsen a mais consumida no mundo. Trata-se de uma cerveja clara, límpida, refrescante e fácil de tomar. Já as Strong Ales belgas são bastante complexas e donas de um sabor mais marcante. As Dark Strong Ale tem os aromas frutados, como de ameixas, uvas passas e figo como características principais. Elas podem apresentar, também, um dulçor caramelizado, notas de tuttifrutti e toques apimentados. Uma Strong Old Ale inglesa, envelhecida em madeira, costuma ter notas que lembram vinho do Porto, caramelo e nozes.

As diferenças entre as cervejas gourmet, portanto, são inúmeras, variando de acordo com os métodos de produção e as matérias-primas incluídas na receita. Para a fermentação, foram definidos quatro estágios, que servem como parâmetro: Lager (baixa fermentação), Ale (alta fermentação), fermentação espontânea e dupla fermentação. “As minhas preferidas são as Rauchbier e as Berliner Weisse/Sour. As primeiras são mais defumadas e lembram alimentos como bacon e presunto, por exemplo. Minha indicação é a Conclave, da Cervejaria Pratinha, de Ribeirão Preto. Já as Berliner Weisse são cervejas mais ácidas, com variações de notas frutadas. Um dos rótulos que gosto bastante é o “Yellow Tart”, da Cervejaria Dádiva, de Várzea Paulista”, indica Mylla. 

As preferidas da Mylla 

Conclave:
produzida com quatro tipos de malte originais de Bamberg, na Alemanha, sua mistura resulta em uma experiência marcante, suave e equilibrada.

Yellow Tart: esta Berliner Weisse leva três tipos de frutas na receita (abacaxi, manga e pêssego), fermento inglês e de lupulagem de NE IPA.

TOP 5 - Confira a seleção de cervejas que, além de saborosas, são famosas e acessíveis: 

1. Paulaner Hefe-Weissbier Dunkel: o malte escuro confere à cerveja uma cor castanha e um aroma intenso que recorda o malte tostado. 

País de origem: Alemanha
Estilo: Dunkelweizen
Copo ideal: Weizen
Combina com: comida mexicana, lombo defumado, ceasar salad, salsicha e linguiça de porco

2. Hoegaarden: cerveja de trigo belga de textura cremosa e saborosa. É condimentada com sementes de coentro e raspas de laranja que a tornam cítrica e muito refrescante. 

País de origem: Bélgica
Estilo: Witbier
Copo ideal: Tumbler
Combina com: patês, queijos, bife de carne, lasanha, frutos do mar e torta de chocolate

3. Chimay Red Cap: possui uma conceituada linha de cervejas trapistas, tem Red Cap moderada e equilibrada, com excelente formação de espuma.

País de origem: Bélgica
Estilo: Belgian Dubbel
Copo ideal: Cálice
Combina com: queijos meia cura e carnes com alto teor de gordura, como paleta de Javali

4. Erdinger Weissbier Pikantus: geralmente é apreciada nos meses mais frios. Seu sabor acentuado se deve ao uso de trigo escuro e de maltes de cevada.

País de origem: Alemanha
Estilo: Wizenbock
Copo ideal: Weizen
Combina com: comida chinesa, camarão frito, truta, lagosta e frango assado

5. Leffe Vieille Cuvée: combina sabores complexos e o frutado de banana, cítrico, coentro e cravo, com um leve picante.

País de origem: Bélgica
Estilo: Belgian Dark Strong Ale
Copo ideal: Cálice
Combina com: acarajé, queijos, peru, terrines, massas, carneiro e risoto

Compartilhar: