Do físico ao sentimental

A exposição crônica ao elemento químico Arsênico revela a melancolia, a negação e a anulação presente em grandes obras

Em muitas ocasiões a melancolia é inspiração para produções artísticas, e dessa vez é apresentada de forma singular na exposição “Arsênico” com curadoria de Renan Araújo que propõe uma reflexão sobre o negativismo em suas formas. A mostra retrata uma substância química cancerígena como um poema onde se discute os elementos como separação da vida. “Existem alguns possíveis caminhos dentro da exposição Arsênico, sua base nasce de um convite para pensar em uma relação de obras para ocupar a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, na mesma época de um curso de cultura e extensão, onde na origem do discurso está ancorado o “coração” (real/físico e em outras conotações imateriais). Dessas informações nasce o princípio que gera a trajetória subjetiva que conecta os trabalhos,” conta o artista e curador da mostra, Renan Araújo.

A mostra revela obras de diversos artistas como um vídeo-arte de Bas Jan Ader, mestre da arte contemporânea e a moda de viola de Tião Carreiro e Pardinho, essa mistura faz com que o espectador reflita sobre a diferença dessas artes.

A conexão entre outras mídias pode ser vista no projeto de web criado pelo artista Cleido Vasconcelos, nessa obra é possível visualizar uma página na internet com nomes de pessoas que é linkado com um lugar específico. Cleido Vasconcelos usa como base o Google Maps para misturar pesquisa e sentimentos com ruas.

Edwin Sanchez tem uma participação marcante na exposição, o artista mostra de forma abstrata a invisibilidade social, anulando a figura de um indigente através de uma caixa de papelão.

A sonoridade presente na exposição Arsênico traz certo incômodo ao espectador, Iolanda Gollo Mazzoti trabalhou com um objeto mecânico ligado a um motor, lembrando um braço onde é possível ler a palavra “Não” em caixa alta. O espectador também tem a chance de ver o belo trabalho da artista Denise Alves-Rodrigues, que criou um dispositivo sem função no mundo.

“Há de se perceber que a poesia aqui tenta passar ripando. A exposição formada com  ajuda de artistas do Brasil, Colômbia e Holanda. Alguns importantes na história da arte contemporânea e outros no começo da pesquisa. Enfim, são estados e ações que se debruçam em obras onde o progresso nunca é alcançado e a perda burocratizada. A melancolia, a separação, a negação e a anulação também aparecem como personagens nessa exposição”, conclui Renan.

A exposição pode ser visitada até o dia 4 de dezembro das 8h às 18h no saguão da faculdade de medicina da USP. A entrada é gratuita.

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Texto: Pâmela Silva
Fotos: Divulgação

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