Doação de conhecimento
Os exemplares, editados nos séculos XIX e XX, estão em bom estado
Em 2010, a Biblioteca Padre Euclides doou 320 livros ao Centro Médico de Ribeirão Preto. Os exemplares, editados nos séculos XIX e XX, estão em bom estado. “São livros de várias áreas médicas que pertenceram à biblioteca do Dr. Manoel Emboaba da Costa, ilustre médico de Ribeirão Preto, já falecido”, aponta Cleusa Cascais Dias, presidente do Centro Médico.
Por serem técnicos, os livros não despertavam o interesse dos frequentadores da biblioteca e ocupavam muito espaço. Segundo José Raymundo Guimarães Braga, presidente da Sociedade Legião Brasileira Civismo e Cultura Ribeirão Preto (SOLEBRARP), entidade mantenedora da Biblioteca Padre Euclides, a doação dos livros ao Centro Médico aconteceu por intermédio do médico Odilon Ianneta, presidente da Associação dos Cidadãos Ribeiraopretanos e Cidadãos Eméritos (ACRECE). “Houve uma oferta de doação ao campus ribeirãopretano da Universidade de São Paulo (USP), mas sem interesse. Já o Centro Médico aceitou a oferta imediatamente”, disse Braga.
Para a presidente do Centro Médico, a generosidade deste ato contribuiu para o enriquecimento do valor histórico da biblioteca do Museu da Medicina do Centro Médico. “Cada livro doado foi catalogado. O Museu conta com um rico acervo que preserva a história da Medicina de Ribeirão Preto e está aberto à visitação, compondo o patrimônio cultural da cidade”, conclui Cleusa.
Dificuldades
Centenária, a Biblioteca Padre Euclides foi fundada em 1903 pelo Padre Euclides Gomes Carneiro. Na época, o local também servia para encontros literários, cívicos, religiosos e morais. Em 1965, o prédio foi demolido, abrindo espaço para um estabelecimento comercial, ainda em posse da SOLEBRARP, que hoje abriga a Biblioteca em seu primeiro andar. “Quem passa pela rua não vê a biblioteca”, desabafa o presidente.
Com um acervo de aproximadamente 12 mil livros, a Padre Euclides precisa de recursos para investir, principalmente, em infraestrutura, projetos de modernização e de atualização dos livros, especialmente para vestibulandos e alunos do Ensino Médio e Fundamental. Segundo o presidente, um dos problemas que levam à falta de verba é o baixo valor da anuidade paga pelos associados da SOLEBRARP, de R$ 120,00. Outros problemas são a desvalorização do centro de Ribeirão Preto e a cobrança do condomínio. “Ninguém mais quer alugar salas no centro da cidade. Mesmo assim temos que pagar o condomínio, que antes não existia”, explica. “Pedimos ajuda à Prefeitura, a empresas e recorremos a programas do Governo, como o ProAC, mas ainda assim temos o mínimo do mínimo”, finaliza.