Doe vida

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Com um intervalo mínimo de dois meses para homens e três meses para as mulheres, a doação pode ser realizada no máximo quatro vezes ao ano

Todos estão sujeitos a passar por algum procedimento onde a transfusão de sangue seja indispensável e, portanto, a contar com a boa vontade de doadores. Mas a maioria das pessoas, apesar de saber a importância da doação de sangue e até de se propor mentalmente a contribuir, adia este ato que pode salvar vidas.

Segundo a Dra Maria Isabel Ayrosa Madeira, coordenadora do Banco de sangue do Hospital São Lucas, a doação de sangue é importante durante todo o ano, pois os estoques normalmente estão abaixo do limite esperado. “O principal motivo que traz as pessoas para a doação é a necessidade de sangue para algum familiar ou amigo. Outra forma de trazer as pessoas para doação são as campanhas realizadas frequentemente pela equipe do Banco de Sangue” avalia.

A Secretaria de Estado da Saúde, com base nos dados da Fundação Pró-Sangue, avaliou que os idosos representam 2% dos doadores no estado de São Paulo, enquanto jovens entre 18 a 29 anos formam 37%, seguidos pelas pessoas de 30 a 39 anos que representam 31%, as de 40 a 49 anos que somam 21% e pessoas com 50 a 59 anos que totalizam cerca de 9% das doações.

A pesquisa mostra claramente que quanto maior a faixa etária menor a quantidade de doadores, isso apesar de a pessoa com mais de 60 anos, em boas condições de saúde, estar apta a doar tanto quanto qualquer outra.

Frederico Carbone Filho, médico da Hemorrede em São Paulo explica que embora a participação dos idosos entre os doadores seja limitada por fatores como problemas de saúde, ainda é possível aumentar esse número. “A população está envelhecendo e é preciso que as pessoas mais velhas também tenham essa participação social, ajudando a salvar vidas por intermédio da doação”, diz o médico.

A doação é permitida pela legislação brasileira na Lei 10.205 instituída em 2001 para toda pessoa que apresente uma boa saúde, sem distinção de sexo, condição sexual, cor ou raça. Segundo a Organização Mundial da Saúde cerca de 2% da população mundial realiza doações regularmente, sendo o número recomendável de contribuições entre 4% e 5% para que o país possa armezenar a quantidade necessária aos atendimentos.

O sangue doado é fracionado em plasma fresco, concentrado de hemácias e plaquetas e somente o que o paciente precisar é enviado. Assim, a partir de uma doação é possível beneficiar entre três a cinco pessoas, afirma Maria Isabel.

Segundo dados do Banco de Sangue do Hospital São Lucas, a utilização de sangue cresce a cada dia nos hospitais da região e em alguns períodos como os de festas, férias e inverno o número de doadores cai de forma significativa. “A doação é um procedimento rápido, homens e mulheres podem doar desde que estejam com boa saúde e preencham os requisitos solicitados na entrevista e triagem clínica”, explica a médica.

Para a universitária Roberta Sueroz a doação é um ato de bondade onde um gesto simples pode salvar uma vida, “Eu nunca doei, pois tive hepatite e só poderei doar quando estiver com 30 anos de idade, mas tenho esse ato como um objetivo na vida. Estou tratando um linfoma, um tipo de câncer que surge quando uma célula do sistema linfático normal se transforma em uma célula maligna e convivo diariamente com a quimioterapia, sei a necessidade da doação de sangue”, conta.

O técnico em instrumentação, Edvaldo da Silva, passou a doar sangue quando um colega de trabalho realizou um mutirão para ajudar a esposa que estava doente, “A primeira vez que doei sangue foi para ajudar um amigo, mas me tornei um doador regular após minha filha precisar de doação, depois de um acidente de carro. Sentir o problema de perto nos faz ver as coisas com outros olhos, faço a doação três vezes ao ano e enquanto puder vou continuar ajudando”, diz satisfeito.

Com um intervalo mínimo de dois meses para homens e três meses para as mulheres, a doação pode ser realizada no máximo quatro vezes ao ano, não podendo ser doador aquele que possui algum problema atual de saúde ou ter realizado algum procedimento cirúrgico recente. As situações que podem impedir a doação são avaliadas durante a entrevista, realizada antes do procedimento.

 Após realizar o procedimento o doador não exibe nenhuma manifestação corpórea, deve apenas seguir alguns cuidados como: aguardar alguns minutos após a coleta comprimindo o local, não fumar ou ingerir bebidas alcoólicas durante algumas horas e evitar esforço físico após a doação. “A doação é um procedimento seguro e rápido, e que salva muitas vidas”, conclui Maria Isabel.

Tipos de doação
A doação de sangue pode ser autológica - especifica e programada para pacientes que serão submetidos a cirurgias seletivas e que irão necessitar de transfusão durante ou após o procedimentos. Nesse caso, a bolsa de sangue é colhida do próprio paciente em um período mínimo de uma semana antes da cirurgia para, quando necessário, ser utilizado o seu próprio sangue.

Também pode ser uma doação dirigida - direcionada para receptor específico - onde a doação de plaquetas, concentrado de hemácias e granulócitos por aférese, componentes específicos do sangue, é realizada em uma máquina que filtra e separa esses componentes sanguíneos, que são utilizadas em pacientes com necessidade específicas.

Informações sobre postos de doação de sangue no estado de São Paulo podem ser encontrados no site www.saude.sp.gov.br/content/doacao_sangue.mmp

Revide On-line (colaboradora Pâmela Silva)

*matéria publicada em 12/11/2010

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