Doença pouco conhecida
O lúpus é uma doença autoimune que poucas pessoas conhecem
Lady Gaga (foto), Tony Braxton e Seal: o que os cantores têm em comum, além da música? Os três sofrem de uma doença conhecida como Lúpus. O Rei do Pop, Michael Jackson, padecia do mesmo mal assim como a apresentadora de TV, Astrid Fontenelle.
Recentemente, a novela ‘Amor à Vida’ discutiu o problema quando apresentou a personagem Paulinha (Klara Castanho) como portadora de lúpus, onde foi submetida a um transplante de fígado.
Famosos e televisão discutem o caso, mas a verdade é que pouco se fala a respeito do lúpus. Conhecido também como Lúpus Eritematoso Sistêmico – LES, trata-se de uma doença inflamatória crônica e de origem autoimune.
Os sintomas são manchas vermelhas pelo corpo (em principal, mancha vermelha no rosto em formato de borboleta), aftas, inflamações e dores nas articulações, inflamação dos pulmões, mal estar e febre. O LES ainda pode ocasionar lesões no sistema nervoso, fígado, rins, vasos sanguíneos, pulmões, pele, articulações e também coração. Porém, esses sintomas variam em intensidade de acordo com o estágio da doença.
Embora o lúpus seja uma doença de causa ainda desconhecida, alguns fatores hormonais, genéticos e ambientais estão entre os responsáveis pelo seu surgimento. Valquíria Matsuda Casaroti já foi manicure, mas precisou interromper a profissão por conta do lúpus. Hoje, aos 25 anos, ela está no quarto ano de tratamento do LES.
“É assustador saber que você terá que tomar remédios para sempre ou que nunca mais vai poder engravidar, nem tomar sol”, lastimou Valquíria. O lúpus, descoberto em 2009, afetou o pulmão da jovem e o tratamento é a base de medicamentos que controlam dores e amenizam a falta de ar. Em alguns casos, a pessoa lúpica é submetida a quimioterapias.
Atingindo a faixa etária dos 20 aos 45 anos, o LES ataca muito mais as mulheres do que os homens – mas a doença pode ocorrer independente de raça, sexo ou idade. O caso de Valquíria faz parte do cálculo estimado da Sociedade Brasileira de Reumatologia, que aponta cerca de 65 mil portadores de lúpus no Brasil, sendo a maioria do sexo feminino. Estima-se também que uma a cada 1.700 brasileiras tenha lúpus eritematoso sistêmico.
Valquíria conta que, ao descobrir ser portadora de LES, alguns amigos se afastaram. “Fiquei um pouco debilitada, não podia sair de casa nem trabalhar. Luto todos os dias contra a doença”, disse.
O diagnóstico é feito através do reconhecimento médico, mas vale o alerta para os sintomas acima. Mesmo não existindo um exame que seja exclusivo do lúpus, exames de sangue e urina são ideais para a descoberta do LES, além do Fator ou Anticorpo Antinuclear (FAN), que permite o diagnóstico do lúpus com muita precisão.
Tipos de lúpus
Há três tipos de lúpus: o lúpus discoide, o lúpus eritematoso sistêmico e o lúpus induzido por drogas.
- O lúpus discoide é identificado por inflamações na pele, surgindo no rosto, couro cabeludo e nuca. Quem tem lúpus discoide pode evoluir a doença para o lúpus eritematoso sistêmico (LES), ao qual foi mencionado acima e que pode agredir demais órgãos do corpo.
- O lúpus eritematoso sistêmico, ou LES, é mais grave que o lúpus discoide e tem sintomas mais evidentes.
- O lúpus induzido por drogas surge devido ao uso de determinados medicamentos, sendo que os sintomas são semelhantes ao LES. Suspendendo o uso das drogas, os sintomas também somem.
Cuidados
O indivíduo portador de lúpus, em geral as mulheres, devem tomar alguns cuidados básicos:
- atenção rigorosa com o sol (não ficar diretamente exposto aos raios solares)
- repouso adequado
- evitar situações de estresse
- evitar alimentos gordurosos
- evitar alto consumo de bebidas alcoólicas
- evitar ou suspender uso de anticoncepcionais
- parar de fumar
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Texto: Fernando Belezine (Colaborador)
Fotos: Arquivo pessoal e divulgação