Dom de cativar

Dom de cativar

Donas de um carisma especial, as pessoas simpáticas combatem o baixo astral contaminado aqueles que as cercam com sentimentos positivos

Poucas características são tão unânimes na apreciação das pessoas como a simpatia. A razão é simples: por mais que o dia tenha começado mal, que tudo tenha dado errado no encontro planejado ou que o cansaço da semana já esteja abalando o humor, é difícil quem resista ao carisma de uma pessoa simpática. É como se ela tivesse a fórmula capaz de derrubar sutilmente as barreiras do ser humano, tornando-o mais receptivo, expansivo e afável.

Não é à toa que pessoas assim facilmente conseguem destaque e são capazes de fazer toda a diferença nos mais variados lugares e setores. Um exemplo é o cirurgião vascular Wagner Ferreira, uma das pessoas que vêm à cabeça, por unanimidade, quando o assunto é simpatia — que contamina funcionários, pacientes e todos que com ele convivem diariamente.

Por isso, não causa surpresa saber que a maioria de seus funcionários se mantém fiel há mais de 15 anos. “Dr. Wagner é um ídolo, um privilégio conviver com alguém como ele. Hoje, é muito difícil encontrar uma pessoa que tenha a sua autenticidade”, comenta Hisléia Ferreira da Silva, assistente administrativa do Centro de Tratamento Vascular do especialista há 28 anos. Segundo ela, Wagner tem uma qualidade rara: nem na hora da “bronca” perde a simpatia.

Devido a tantos anos convívio, Hisléia sabe que a vida reservou grandes desafios a Wagner, e se surpreende em vê-lo sempre a encarando de frente com o mesmo otimismo. “Essa forma de ser contagia: ninguém quer parecer antipático para uma pessoa que está sempre sorrindo e de bem com a vida. Podemos observar isso na clínica: após conviver com ele, os funcionários mudam a maneira de tratar as pessoas”, conta.

Outra prova disso é a reação dos pacientes, principalmente com os atrasos no atendimento, devido a alguma urgência. Aqueles que se irritam com a demora geralmente mudam de opinião ao passarem pela consulta com o médico. “Eles saem do consultório dizendo que valeu a pena esperar, alguns comentam até que só de olhar para ele já melhoraram”, acrescenta Hisléia, observando que todo mundo gosta de se sentir à vontade e acolhido. Conforme ela, a diferença está no amor que o médico sente por todos que o cercam.

Juliana Aparecida dos Reis também convive com Wagner há muito tempo: são 14 anos dedicados à casa e à família do médico. “Já tive muitos patrões, mas o Dr. Wagner é um dos melhores: é amigo e companheiro, gosto muito de trabalhar aqui”, revela Juliana. O segredo, conta, é que o médico trata a todos muito bem, de igual para igual, inclusive os membros de sua família. “Ele é bondoso, amoroso, amigo e me deixa segura. Daqui não saio não, só quando estiver bem velhinha”, afirma.

Apesar de ser expansivo desde pequeno, houve uma época em que o médico se sentia inferior às pessoas e se fechava. “Percebi que, quando agia assim, as pessoas me achavam antipático, e comecei a mudar esse comportamento”, conta o médico. Para Wagner, a simpatia é uma condição inerente à pessoa, mas pode ser cultivada, desde que seja autêntica. “A pessoa tem que gostar de gente para ser simpática e ela só consegue isso quando não se sente superior ou inferior aos outros. Quando usada para manipular, a simpatia pode ser uma arma, o que se vê muito nos discursos políticos”, define o médico.


Talvez isso explique a relação que desenvolveu com suas funcionárias: a admiração, o sentimento de gratidão e de amizade são recíprocos. “A Hisléia e eu temos uma relação de confiança muito grande. Hoje, ela sabe mais de minha vida do que eu. Não dá para imaginar o cotidiano da clínica sem ela”, comenta Wagner.O médico dedica o mesmo carinho à Juliana, já sorrindo, ao mencionar seu jeito mineiro. “Juliana é minha cuidadora, também não consigo conceber a casa sem ela. Quando viajo a trabalho, vou tranquilo porque sei que minha família está sendo cuidada com amor e carinho, e que minha casa está protegida”, revela o médico.

Apesar de ter consciência de que a simpatia o auxilia em seu trabalho, afirma que jamais a usaria para alcançar suas metas. “Muita gente é simpática por interesse, mas as pessoas logo percebem. Para ser simpático é preciso ser autêntico. No consultório, a simpatia é importante porque os pacientes, às vezes, chegam assustados, acostumados às atitudes superiores de alguns médicos, e, se a pessoa não está aberta, a entrevista com o paciente fica difícil. Quando o paciente entra e começo a brincar, ele vai se desarmando e torna o contato mais fácil. Mas não faço isso com essa finalidade, brinco com ele porque sou assim”, explica o especialista.

SIMPATIA ATÉ NO NOME

Para o médico, a simpatia se torna natural quando o indivíduo percebe que todas as pessoas são bonitas, mesmo quando fogem aos padrões vigentes. “A simpatia depende da capacidade do ser humano de enxergar a si e ao outro”, enfatiza.

Para a jornalista e apresentadora Letícia Bighetti, essa característica é uma forma de conduta. “A simpatia é a capacidade que a gente desenvolve de distinguir o ‘dito’ do ‘querer dizer’ e o ‘ouvir’ do ‘escutar’”, opina. Ou seja, é se desarmar para estar aberto ao outro. “Eu procuro ter empatia pelo outro, colocar-me no lugar dele, sem perder de vista o meu lugar. Assim, conduzo minhas relações de maneira leve e saudável. Com o tempo, a gente aprende que é difícil, porém, possível, mostrar a cara sem causar grandes transtornos”, acrescenta a jornalista.

Em seu intenso contato com as pessoas, Letícia se lapidou ao longo dos anos e aprendeu que é bom ser agradável, mas que é preciso aprender a discordar com elegância e a silenciar quando houver necessidade. “Cada ser humano é uma fonte de aprendizado, independente do adjetivo que carrega. Simpatia não tem nada a ver com ser boazinha, alegre, engraçada e, muito menos, com perfeição. Ela tem a ver com a coerência de atitudes e com humildade. É sorrir quando se tem realmente vontade, elogiar quando isso vem de dentro, reconhecer o brilho do outro e saber que essa luz circula, que passa de uma mão para outra”, define a apresentadora, reconhecendo que, como simples mortal, sua simpatia oscila em brilho e intensidade.  

A simpatia, conforme a jornalista, pode ser uma arma favorável, desde que não se perca de vista a perspectiva do outro, nem se abra mão dos próprios valores. “Para ser do bem, a simpatia tem que ser natural. A gente tem que se trabalhar internamente e buscar atitudes sinceras nas nossas relações. Assim, as coisas fluem, ficam leves e a gente consegue atingir objetivos de um jeito justo”, pondera Letícia, argumentando que, para alcançar seus objetivos, busca conhecer seus pontos fortes e fracos.

Para a pessoa simpática, afirma Letícia, a conquista das metas ocorre de forma natural, devido à sua aptidão para os relacionamentos. “Se você apenas usa algo que existe verdadeiramente em você, não é falso. Por isso, é bom nos conhecermos, sabermos onde estão nossa paz, nossa fé e nossa sabedoria. A diferença entre simpatia e falsidade está no autoconhecimento. Se você se conhece, sabe até onde pode ir, identifica onde está o seu brilho e deixa o outro brilhar”, comenta a jornalista.


Esta fórmula é praticada por Letícia, conforme a amiga Leticia Canesin, com quem a jornalista convive há mais de 25 anos. “A Letícia é sinônimo de amizade, alegria e alto astral. A alegria está até no nome: a palavra Letícia é originária do latim, ‘Laetitia’, que dizer alegria, prazer, felicidade”, conta. Uma das características que mais admira na amiga é a capacidade de rir de si mesma. “Ela é tão bem resolvida que consegue rir de tudo”, acrescenta Letícia, para quem a amiga, além do sorriso sempre estampado no rosto, tem a capacidade de enaltecer as qualidades das pessoas de forma sincera. “Ela cumprimenta quem quer que seja, sem discriminar ninguém, e está sempre pronta a ajudar”, completa.

Como conhece Letícia Bigheti há anos, não tem dúvida de que o sucesso alcançado por ela tem muito a ver com a simpatia. “Toda pessoa que é bonita externamente já tem vantagens na vida. Imagine, então, uma pessoa linda, inteligente e simpática! Consegue tudo o que quer, o mundo conspira a favor”, justifica. Segundo ela, vivenciou situações como essa várias vezes, ao lado da amiga: certa vez, durante a aula, Leticia Bigheti escreveu um bilhete criticando a matéria que estava sendo dada e, no meio do percurso, o bilhete caiu nas mãos da professora, que passou o maior sermão em Letícia Canesin. “Ela achou que eu tivesse escrito o bilhete porque, é ‘claro’, a ‘Letícia Bighetti, gracinha e querida’, jamais escreveria algo assim”, comenta, rindo.

Essa não foi a única situação em que a simpatia da amiga falou mais alto. Sempre estudaram juntas e, enquanto Letícia Canesin se matava fazendo resumos impecáveis das matérias, Letícia Bigheti fazia brincadeiras, comia bolo ou pintava as unhas. No final do dia, tiravam xerox dos resumos para que a Leticia Bigheti pudesse estudar antes de dormir. “Quando chegavam as notas, a bonita tirava 10 e eu 6. Mas isso nunca me incomodou, era uma troca: ela me fazia companhia e eu adorava passar as tardes com ela. Nunca competíamos entre nós, uma ajudava a outra”, explica, afirmando que com a amiga aprendeu a levar a vida com mais leveza e bom humor, a ter delicadeza com as pessoas, a procurar se harmonizar com tudo e com todos.

SER FELIZ POR FAZER FELIZ

Para quem lida com o público, nada pesa mais do que a simpatia. Sílvia Helena Volta é coordenadora de relacionamento de uma das unidades da rede Pão de Açúcar. Com sua experiência, já aprendeu que um dos segredos para conquistar a simpatia do cliente é gostar do que faz. “Não tem nada melhor do que acordar e sair para fazer o que gosta. Eu trabalho com amor e ponho alegria em tudo o que faço”, conta.

Apesar disso, é impossível agradar a todos, portanto, nada como uma boa dose de simpatia para dobrar clientes arredios. “Uma cliente queria trocar um produto sem a nota, como não foi possível, ela ficou brava. Eu sempre tentava reconquistar a simpatia da cliente, até que um dia, peguei uma caneca-lousa promocional da rede, com giz colorido, onde era possível responder à frase ‘O que você faz para ser feliz?’. Eu escrevi ‘ter você aqui na loja’ e a presenteei. Hoje ela chega e me procura para contar suas histórias”, comenta Sílvia Helena.

Com a caixa da mesma loja, Alice das Graças Silva, a situação não é diferente. Depois de atuar por 30 anos em contabilidade hospitalar, dar aula por 25 anos e se aposentar, decidiu investir em uma nova função e constatou sua aptidão no trato com as pessoas. “Naqueles poucos minutos em que o cliente passa, o caixa é um divã. As pessoas dizem porque estão ali, contam histórias de suas vidas e eu escuto. No meu caixa faz fila e os clientes não se importam de esperar 15 minutos porque querem conversar comigo. Tem clientes que falam que vêm aqui por minha causa e eu me sinto feliz por fazer alguém feliz”, afirma Alice.

UM TEMPERO ESPECIAL

Outro ambiente que cativa os clientes por ter acrescentado à comida uma boa pitada de simpatia é o “Flor de Romã”, até pouco tempo conhecido como “Casa da Gis”. Como mora em Brodowski, José Antônio Lanchoti almoça todos os dias fora de casa. Foi assim que conheceu o lugar: um pequeno restaurante, que fica na Floriano Peixoto, entre a Prudente de Moraes e a Rui Barbosa. “O que esse restaurante tem de especial é a simpatia do dono, um paulistano que pergunta seu nome no dia em que o conhece e nunca mais esquece. Ele trata a todos pelo nome e tem um sorriso enorme no rosto, demonstrando alegria em te ver. Seu filho adolescente é tão simpático quanto o pai. Isso me obrigou a saber o nome deles para retribuir a gentileza. Resultado: a simpatia me conquistou e virei freguês”, conta  o arquiteto e urbanista.

Lanchoti se refere a Luís Fernando Calil e a Mathias Fernandes Calil. Como atua no ramo desde os 17 anos, Luís Fernando já teve três pizzarias, chegou a atender mais de 400 pessoas por dia e aprendeu que ser simpático é a receita mais eficaz na conquista dos clientes. “É uma coisa natural e os clientes acabam se transformando em amigos”, explica o empresário.

Tudo começou quando Gislaine Botelho de Freitas decidiu comprar um restaurante. No início, houve dias ruins, em que atendia, em média, 15 clientes por almoço. Quando Luís e Gislaine iniciaram a parceria, mudaram o perfil da Casa e tornaram o atendimento personalizado.  Hoje, atendem em torno de 150 pessoas ao dia e 15 pedidos de entrega. “Todos os dias recebemos de 10 a 12 novos clientes, sendo que cerca de 80% deles frequentam o restaurante todos os dias”, conta Gislaine.

Ao ver o pai com dificuldade no atendimento, Mathias decidiu colaborar. Todos os dias, depois da escola, põe a mão na massa. Conforme os funcionários foram sendo treinados, Gislaine, que é a chef, ganhou mais liberdade para ajudar no atendimento. “O cliente chega ao caixa, dá um abraço e um beijo. Alguns comentam que podem até chegar e não encontrar a comida que gostam, mas que se não ganharem um abraço, não ganharam o dia”, relata Luís Fernando.

Segundo Gislaine, outra atitude simpática que tem conquistado os clientes é fazê-los se sentirem em casa. “Às vezes, quando estamos muito atarefados, os próprios clientes vão até o freezer, servem a própria bebida e nos informam quando passam pelo caixa. E se um cliente diz que está com vontade de comer um ovo frito, fazemos na hora, independente do cardápio do dia”, revela a chef.

Mathias aprendeu bem rápido a receita. Para ele, ver os frequentadores à vontade, perceber como gostam de estar lá e de voltar sempre o motiva a ajudar. “A gente faz parte de uma grande família. Todo mundo vem dar um abraço e contar suas histórias. Não é uma relação impessoal, mas de amigo: a gente olha dos olhos dos clientes e é muito bom ter essa relação com eles”, afirma o jovem aprendiz.

A ALMA DO NEGÓCIO

Para o advogado Clodoaldo Armando Nogara, simpatia é, sim, a alma do negócio quando a intenção é agradar o cliente, tão importante quanto a boa comida, a boa companhia e a cerveja gelada. “Esses são alguns dos diferenciais que fizeram com que me tornasse freguês do Casemiros, assim como a presença do Kiá, sempre alegre, divertido, atencioso, observador e agradável”, afirma. Clodoaldo refere-se ao maítre do bar, Valdeci Aparecido de Souza, natural de Areado, cidadezinha mineira.

Foram justamente essas características que levaram o maítre para um lugar onde nem em sonho pensou estar um dia: ao programa do Jô Soares. “Tive o privilégio de ser entrevistado por ele. Um dos clientes mandou um e-mail falando sobre minha forma de interagir e o Jô me convidou”, conta Kiá.

O maítre afirma que adora servir: quando vai para o salão atender aos clientes brinca, canta, faz de tudo para tornar sua estadia a mais agradável possível. A recompensa é a reciprocidade. “É uma coisa espontânea, várias situações acabam acontecendo em função dessa atitude. O que me dá mais prazer é o retorno dos clientes que cantam e contam piadas comigo”, ressalta Kiá, acrescentando que essa relação gostosa só é possível graças à liberdade dada pelo proprietário, que entende a importância do bom relacionamento com o cliente.

O maítre ressalta que servir as pessoas é um dom e que transmite alegria porque aprendeu que a vida é bela e passageira e, portanto, busca fazer sempre o melhor. “Uma pessoa atenciosa só se realiza quando dá atenção a alguém. O cliente acaba sentindo o bar como uma extensão de sua casa, onde pode se relacionar de forma muito natural. Devo tudo aos clientes porque é deles que vem minha alegria, meu sustento e grande parte do meu conhecimento”, conclui Kiá.

INTERAÇÕES MAIS RICAS E SIGNIFICATIVAS

Segundo a psicóloga Mônica Soares, simpatia é o nome dado ao processo de gostar do outro por características que, muitas vezes, não são identificadas. Portanto, ser simpático é se comportar de forma socialmente agradável, favorecendo os relacionamentos interpessoais. Mônica destaca, no entanto, que a simpatia não é uma capacidade nata. “Estudos demonstram que as bases do temperamento humano podem ser inatas, tanto que podemos observar diferenças de temperamento em bebês, mas as tendências inatas sofrem muitas mudanças ao longo do desenvolvimento da criança”, explica a psicóloga.

A simpatia envolve um conjunto complexo de comportamentos e os fatores psicológicos e sociais serão fundamentais na formação das capacidades humanas, sobretudo, nas de caráter social. “Nascemos com uma série de tendências biológicas, cujo desenvolvimento dependerá de vários fatores, entre eles, estimulação adequada”, ressalta Mônica, observando que o comportamento social inicia-se no nascimento e progride, continuamente, à medida que a criança interage com os pais.

A psicóloga revela que a criança observa os comportamentos dos pais, passando a imitá-los, e que tais condutas se tornam mais refinados quando os pais ensinam maneiras adequadas de convívio social, como pedir algo educadamente ou agradecer quando obtém o que foi solicitado. Mônica destaca, ainda, que, ao interagir fora do ambiente familiar, novas exigências comportamentais se apresentam, como dar a vez ou dividir o mesmo brinquedo, que progredirão na fase adulta para atitudes como abrir portas, cumprimentar e outras tantas exigidas nos diversos contextos sociais.

Segundo a psicóloga, as consequências das atitudes pessoais nas mais diversas situações determinam o comportamento individual. “Se você, todos os dias, cumprimenta seus colegas com um entusiasmado ‘bom dia’, esses cumprimentos calorosos geram respostas igualmente entusiasmadas. A tendência, portanto, é que você continue a cumprimentá-los dessa mesma maneira, de forma que essa situação possa progredir para abraços, beijinhos ou convite para um café. Mas, se os colegas não recebem bem o seu bom humor matutino, provavelmente, você irá parar com os cumprimentos e se tornará mais uma daquelas que soltam um quase inaudível ‘bom dia’. Ser simpático depende das consequências que seus gestos e ações causam no ambiente”, ressalta a Mônica.

Apesar disso, a psicóloga defende que, mesmo quando as pessoas não retribuem o gesto simpático, a pessoa deve manter sua forma calorosa de se relacionar, pois a simpatia sempre tem mais efeitos positivos do que negativos sobre os outros e buscar ser uma pessoa simpática e agradável aumenta as chances de interações mais ricas e significativas.

Apesar dos conceitos culturais existentes sobre a simpatia, ela é uma característica subjetiva. Ao mesmo tempo em que receber uma pessoa em casa com um abraço caloroso pode ser agradável para alguns, pode ser considerado como um comportamento invasivo para outros. “É preciso identificar o contexto em que estamos para escolher a melhor forma de nos comportarmos. Além do mais, ser simpático envolve não apenas uma atitude, mas um conjunto complexo de comportamentos de cuidado para com o outro que nem sempre são fáceis de definir”, explica a psicóloga.

É preciso, entretanto, estar atento aos simpáticos oportunistas. Afinal, se uma pessoa está mal intencionada, qualquer coisa pode se tornar uma arma, principalmente contra indivíduos muitos carentes, seja no aspecto físico, emocional ou econômico. “Usar a simpatia como mecanismo de controle do outro para prejudicá-lo ou obter benefícios ilícitos é tão antiético quanto imoral”, adverte Mônica.

Portanto é preciso estar atento ao contexto em que a simpatia aparece. Não é tão difícil de perceber, conforme a psicóloga: os simpáticos sinceros geralmente serão simpáticos com qualquer pessoa, pois sua recompensa é justamente a oportunidade de serem simpáticos e tratarem o outro com respeito e bondade — eles se satisfazem em fazer o que é certo. Já nos oportunistas, a característica surgirá em situações mais específicas, com a possibilidade de outros ganhos, além da reciprocidade da simpatia, estarem presentes. “Essa simpatia se apresentará com comportamentos de gentileza, proximidade e interesse excessivos, acompanhados de pedidos ou de trocas de favores e dirigidos apenas àquelas pessoas que possibilitarem o acesso a esses ganhos”, ressalta a psicóloga. O que conforta é saber que os oportunistas tendem a ser desmascarados com o tempo.

 

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