Donos de postos de combustíveis pedem mais segurança
Em reunião na Prefeitura, proprietários de estabelecimentos disseram que situação está crítica
Proprietários de postos de combustíveis de Ribeirão Preto fizeram um apelo por maior segurança nos estabelecimentos da cidade, em reunião realizada na manhã desta terça-feira, dia 18, no Palácio Rio Branco, sede da Prefeitura.
Além de empresários do setor e frentistas de postos de combustíveis, participaram da reunião representantes das polícias Militar e Civil, Guarda Civil Municipal, Ordem dos Advogados do Brasil e Ministério Público.
Adolfo Silveira Oliveira Neto, proprietário de uma rede de oito postos, relatou que apenas neste ano seus estabelecimentos sofreram 23 assaltos, sendo um deles na manhã de segunda-feira, dia 17, quando bandidos fortemente armados renderam os frentistas e explodiram um cofre.
Ele até mostrou vídeos com a ação de bandidos em seus postos, mostrando os assaltantes encapuzados e fortemente armados, agredindo funcionários. “Vivemos uma situação crítica, delicada. Não conseguimos nem contratar funcionários. Por isso estamos pedindo socorro às autoridades”, disse Oliveira Neto.
Rotatividade de frentistas
Ele também informou que rotatividade de frentistas é grande e alguns pedem demissão em três semanas de trabalho, com medo dos assaltos. Um frentista disse, durante a reunião que sua mulher já pediu que ele deixasse o emprego, mas que ele precisa do trabalho.
Outro frentista, agredido por ladrões na manhã de segunda-feira, enquanto fazia medição em um dos tanques disse que sai de casa e não sabe se volta. “Já pensei em desistir do trabalho, mas preciso encontrar outro trabalho”, disse.
O presidente do Sindicato dos Proprietários de Postos de Combustíveis e Derivados de Petróleo (Sincopetro), Osvaldo Manaia, disse que apenas em 2014 já foram 27 explosões em postos, entre cofres dos estabelecimentos e caixas eletrônicos.
“Hoje ocorrem de quatro a cinco assaltos por dia. Já devemos estar próximos de 200 neste ano e não temos mais o que fazer. Temos câmeras, seguranças, seguro, e temos como enfrentar os prejuízos materiais, mas se alguém morrer, quem será responsabilizado?”, questiona.
União de todos
O coronel José Roberto Malaspina, comandante do Comando da Polícia Militar do Interior (CPI) disse que a sociedade colhe hoje o que plantou, uma situação que já se projetava, porque há aumento de prisões e a criminalidade não diminui.
Para ele, é preciso união e transmissão de informações pelas vítimas para que os bandidos sejam identificados e presos. Mas também falhou do sistema falho onde os bandidos são presos e liberados em seguida.
“As pessoas são presas, com vasta ficha criminal e são soltas. O que estas pessoas estão fazendo nas ruas?”. Mas disse que fará a sua parte. Incluindo a preparação de donos de postos e funcionários para que tomem medidas corretas.
Bandidos nas ruas
O diretor do Deinter-3, da Polícia Civil, João Osinski, disse que a preocupação é importante, e fez um discurso parecido com o do coronel Malaspina. Ele citou como exemplo a prisão, na manhã desta terça-feira, do assaltante Diógenes Ramos, acusado de participar do assalto e explosão do cofre na segunda-feira.
“Ele tem quatro mandados de prisão, sendo dois de Barretos, um da Polícia Federal e um de Ribeirão Preto. Tem condenação de mais de 30 anos e estava na rua. Nós estamos prendendo e encaminhando à Justiça”, disse.
Há prisões e processos
O promotor Naul Felca foi outro a afirmar que há aumento considerável de ações contra criminosos, mas que a criminalidade não diminui. Citou que a estrutura de postos de combustíveis é a mesma há décadas, com fácil acesso e área de escape.
“Nunca se processou tanto e se condenou tanto. Sou um dos dois promotores da área criminal e tenho feito uma média de 30 denúncias por mês. Também nunca se impôs tantas medidas restritivas à infância e adolescência”, disse.
Mas afirmou que os congressistas têm sempre buscado atenuar as penas. “Fazemos das tripas coração para mantes estes vagabundos recolhidos ao cárcere”, disse. E sugeriu que se adotem medidas que reduzam o volume de dinheiro nos estabelecimentos.
Por fim, Felca sugeriu um fórum de discussão permanente do problema em busca de soluções. A prefeita Dárcy Vera (PSD), que coordenou a reunião, acatou a sugestão e disse que marcará novas reuniões e apontou a necessidade de se formar uma comissão.
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Texto: Guto Silveira
Fotos: JF Pimenta/Divulgação/CCS