Doutores palhaços

Doutores palhaços

Criado em 2008, o Expresso Riso começou com cinco voluntários

Quando se está num leito de hospital, as dores, a rotina hospitalar e o afastamento da família fazem a vida perder um pouco do brilho. Um sorriso no rosto se torna um artigo raro. Existem formas de se aliviar essa carga emocional e trazer qualidade de vida aos pacientes.

O pioneiro a aliar o bem-estar do paciente a um ambiente hospitalar mais alegre, o Dr. Patch Adams se vestiu de palhaço e fundou, nos Estados Unidos, o Instituto “Gesundheit!”. Virou referência no mundo, tema de filme e exemplo a ser seguido.

Em Ribeirão Preto, o Expresso Riso segue a mesma proposta do Dr. Adams. A ideia de formar a trupe veio de Pérsio Silva, o Dr. Peteleco, um dos cinco fundadores do Expresso. Pérsio, que é formado na área da saúde, descobriu a arte do palhaço em São Paulo. “Conheci, me capacitei e depois mudei para Ribeirão Preto, aí tive a oportunidade de trabalhar nos hospitais”, conta.

Criado em 2008, o Expresso Riso começou com cinco voluntários. No começo, eles faziam “consultas” no hospital Beneficência Portuguesa. Hoje, “atendem” além do Beneficência, mais sete hospitais, em Ribeirão Preto, na capital e algumas cidades da região. No último ano, a trupe que é formada por 50 doutores graduados em Besteirologia, atendeu 11.811 pessoas entre pacientes adultos, crianças, acompanhantes e funcionários de 46 alas de oito hospitais.

Os “doutores palhaços” vão em duplas ou trios paramentados de jaleco branco e um grande nariz de palhaço vermelho. Fazem as consultas nos quartos e mudam totalmente a rotina fria de um hospital. Levam alegria, conforto e muitos risos. Eles são instrumento de humanização a serviço do bem estar dos enfermos. A Cia Expresso Riso é mantida por patrocínios de empresas e doações de pessoas, o serviço não custa nada aos hospitais atendidos.

A alegria levada pelos palhaços do Expresso melhora todo o ambiente hospitalar, trazendo a humanização dos pacientes, que estão numa fase de fragilidade física e emocional, dos funcionários que se livram da tensão cotidiana e dos parentes dos pacientes que têm o coração aliviado ao ver seus entes queridos mais confortáveis. A constatação é da psicóloga Luciane Del Lama, que acompanha o trabalho da trupe no Beneficência Portuguesa. “Eles promovem alívio dos efeitos da doença e melhoram a saúde emocional dos pacientes, que se afastam da rotina dolorosa de um hospital”, conclui.

Um trabalho como este é um exemplo de como o amor e a alegria podem mudar a vida de uma pessoa. Os “doutores” fazem um grande bem nas vidas de seus “pacientes” e também em suas próprias vidas. A satisfação de ver um sorriso no rosto de uma pessoa e saber que seu trabalho está fazendo a diferença na vida dela deve ser grande. Os doutores do Expresso Riso que o digam.

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Texto: Brunno Vogah (Colaborador)
Imagens: Carolina Alves/Divulgação

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