DRIVE

Alexandre Carlomagno faz uma crítica ao filme "Drive"

Há um quê de rompimento que traça toda a narrativa de Drive, novo filme do diretor Nicolas Winding Refn. A história do dublê de cinema, solitário, perdido em um passado e desprendido de um futuro, que participa de fugas e é chamado apenas de “piloto”; este ser perambulante, por intermédio de quem o ajuda, se vê no meio de um trâmite mafioso. Sua vontade era correr profissionalmente, mas os caminhos escolhidos o desvencilham das pistas. A possibilidade de uma paixão invade seu âmago e a racionalidade dá vazão ao instinto animal. Essa ruptura da moralidade, que até a metade do filme se mostrava investigativa, ambígua e introspectiva, acontece com o vislumbre da figura feminina e sua prole exterminadas. Na segunda metade vemos um “piloto” sedento por sangue, com ações “tarantinescas” e elevado à posição de herói imortal. No final, são signos emblemáticos em intenções lúdicas – carro, jaqueta, o palito, a violência, a música oitentista. E o rompimento também – e principalmente - se dá, portanto, do clima noir para o herói. Divertido, sim, mas destoante e não imortal.

* Alexandre Carlomagno é jornalista e crítico de cinema através dos sites www.ocapacitor.com.br e www.telehistoria.com.br e do blog https://cinemorfose.wordpress.com. E-mail para contato:[email protected]

O Filme

Ação. EUA, 2011. Durante o dia, um motorista trabalha como mecânico e dublê em filmes de Hollywood, enquanto à noite presta serviços para a máfia. Ele é vizinho de Irene, casada e mãe de um filho com Standard. Percebendo a situação difícil de Standard, que saiu há pouco da prisão, o motorista o convida para realizar um assalto. Só que o golpe dá errado, o que coloca em risco as vidas do motorista, Irene e seu filho. Filme dirigido por Nicolas Winding Refn, com Ryan Gosling e Carey Mulligan.

Compartilhar: