Dupla Dedicação

Dupla Dedicação

Isabel de Farias e Murilo Pinheiro são os nomes da diretoria da Revide e, juntos, comandam a editora responsável por importantes publicações da história de Ribeirão Preto

O trabalho é intenso e mobiliza duas dezenas de profissionais para a produção de material — entre equipes de redação, diagramação e departamento comercial. A dedicação é a diária e a rotina semanal, com o planejamento do conteúdo da Revide a partir de cada quinta-feira para que a revista esteja pronta para ser impressa na quarta seguinte.

À frente de uma equipe empenhada em produzir conteúdo informativo de qualidade estão o diretor, Murilo Pinheiro, e a diretora comercial, Isabel de Farias. Parceiros há três décadas, ambos atravessaram fases distintas da Revide: produção de cadernos especiais, reformulações de projeto gráfico, mudanças na linha editorial. Com a revista, Murilo e Isabel também acompanharam as transformações da cidade e do país, vivenciando mudanças de moeda, de comandos políticos e infraestrutura municipal.

Toda essa trajetória é relembrada em um bate-papo: a emoção de chegar à milésima edição da Revide, as grandes batalhas em 34 anos de história da publicação e o que vem pela frente.

Confira, a seguir, a entrevista com Isabel e Murilo.

O que representa para a Revide chegar à milésima edição? 
Murilo: Conseguimos manter uma revista circulando, com uma tiragem de 55 mil exemplares, semanal, com 68 ou 84 páginas. Poucas publicações do país chegaram a esse ponto e se mantêm. Isso só é possível à custa de muito trabalho. O número 1.000 é representativo — depois que o Pelé fez os mil gols virou um marco emblemático. A milésima edição oferece uma ideia de longevidade. O que decidimos fazer com essa comemoração foi realizar o evento da milésima edição num parque público, fazendo algo mais comunitário, no sentido de estabelecer e fortalecer essa relação com a cidade. São 1.000 edições que contam a história da cidade. Isso é o mais importante.

Isabel: Para mim, manter a Revide circulando há 34 anos, com, atualmente, edições, semanais, é um fato que merece ser comemorado. Vivemos uma grande instabilidade econômica no país, ao mesmo tempo em que o mercado da comunicação passa por transformações, com o avanço das plataformas digitais. Eu ainda acredito profundamente na perenidade e na importância de um veículo impresso para formar cidadãos. Chegar à milésima edição com Revide me deixa muito feliz, porque é um indicativo da credibilidade e da confiança que conquistamos junto aos leitores. 

 

Quais os principais desafios nessa trajetória?“Acredito que uma revista que persista por mais de três décadas tenha o potencial de ser um veículo transformador”, pontua Isabel de Farias
Isabel: Para mim, os principais obstáculos que transpusemos durante esse tempo todo foram as transformações do mundo e da comunicação a que conseguimos nos adaptar. Nossa cidade e nosso país mudaram muito em 34 anos, período em que produzimos essas 1.000 edições. A Revide sobreviveu a mudanças de governo, recessões econômicas e ao avanço da tecnologia, sempre se adaptando e sendo resiliente frente às dificuldades.

Murilo: Olhando para trás, os mesmos desafios que existiam quando a revista foi lançada permanecem praticamente intactos hoje. O grande problema de veículos impressos no Brasil é que o país lê pouco, de uma forma geral. Em outros países do mundo, as pessoas leem mais. Ainda é pequeno o número de pessoas que buscam informação de um veículo de comunicação e que o colocam como parte do cotidiano. Acho que a Revide conquistou isso com uma parcela expressiva dos ribeirãopretanos. Atingir mais gente, mais leitores, mais mercado publicitário. Esses desafios permanecem muito vivos. 

Murilo, quais destaques você apontaria na cobertura da Revide durante essas 1.000 edições?
Murilo: Uma revista semanal em uma cidade não tem nada de muito estrondoso e arrebatador, ao contrário do que ocorre no país, sempre com grandes escândalos e tragédias. Claro que aqui também existem, mas numa escala bem menor. O mérito de uma revista é tornar conhecidas as pessoas. O que a Revide fez de bom nesses 34 anos foi tornar personalidades conhecidas. Cobrimos bem assuntos relacionados à educação e à política. Para destacar duas coberturas, uma importante foi o caderno da Operação Sevandija, que está sendo destacado nesta edição especial, porque o assunto fugiu um pouco das notícias comuns da história da cidade. Outro conteúdo importante foram as edições que contaram a história da cidade, com personagens específicos.

Como a Revide tem se portado com relação ao mundo digital?
Murilo: A Revide, de acordo com a capacidade de investimento, tenta acompanhar os avanços tecnológicos. Como esse é um mercado em que existem grandes concorrentes, a velocidade com que as empresas que estão na ponta da corrida avançam é muito rápida, que outros veículos e agentes menores não conseguem acompanhar. O que a Inteligência Artificial está fazendo no mundo, ainda não conseguimos associar e colocar em prática no jornalismo ou nas redações. Esse é um desafio que mudou radicalmente o plano da concorrência. Antes da era digital, os concorrentes da Revide eram os próprios veículos regionais, tanto em questão publicitária, quanto em termos de comunicação. Hoje, mudou: o Portal Revide é concorrente de portais nacionais, não de outro veículo da cidade. Isso mudou radicalmente o mercado. Hoje são centenas de possibilidades para explorar um mercado novo e desconhecido. 

Isabel: Acho que temos uma experiência bem sucedida no mundo digital. O Portal Revide evoluiu muito nos últimos cinco anos e hoje é acessado por média de 400 mil internautas a cada mês. Claro que gostaríamos de avançar mais e pretendemos ampliar nossa participação na web, mas ainda acredito muito na força do veículo impresso e na relação de cumplicidade que construímos com a cidade. Estou certa de que podemos compartilhar experiências nos mundos on e off-line, com ambos coexistindo e sendo importantes.

“Os assuntos mais consumidos e mais lidos se transformaram”, afirma Murilo PinheiroO que mudou em relação à linha editorial da Revide em 1.000 edições?
Murilo: Mudou muito. Os assuntos mais consumidos e mais lidos se transformaram. Antigamente, o jornalismo tinha editorias clássicas, como economia, política, cobertura geral, polícia e esporte, que predominavam. Nos anos 90, a decoração, a construção civil e a gastronomia passaram a ter peso. Matérias relacionadas à área de saúde e comportamento também ganharam espaço bem maior do que já tiveram. A Revide teve êxito, porque nesses 34 anos houve renovação da redação. Novas pessoas trouxeram ideias novas. Nunca me esqueço de uma reunião de pauta em que sugeriram festival de hambúrguer. Nos anos 90, isso não existia. A matéria foi um sucesso com grande número de acessos no Portal, porque as pessoas descobriram esse novo segmento. Antigamente, a notícia parece que tinha um senso mais coletivo e abrangente. No mundo atual, uma pessoa fazendo algo isolado e sozinho, ganha uma projeção maior.
Qual a importância de um veículo como a Revide para uma cidade do porte de Ribeirão Preto?

Isabel: Hoje temos acompanhado uma série de revistas que têm sido descontinuadas. Grandes editoras estão sofrendo com a falta de recursos da publicidade e até de leitores. Como o Murilo afirmou, o Brasil não é um país onde se lê muito, por isso é um desafio manter um veículo impresso por tanto tempo. Eu acredito que uma revista que persista por mais de três décadas e 1.000 edições tenha o potencial de ser um veículo transformador, oferecendo informação, cultura e entretenimento a uma cidade, gratuitamente. Esse é nosso diferencial: oferecer conteúdo gratuito de qualidade. Na internet, podemos acompanhar uma avalanche de informações, mas nada muito perene. Com a Revide, assuntos ganham projeção e pessoas se tornam conhecidas. Acredito profundamente que a educação é uma ferramenta transformadora e formar leitores pode nos ajudar a criar uma sociedade melhor. Algumas escolas sempre buscam a Revide como referência para os textos serem usados em aula e no aprendizado de crianças. Isso tem um valor imenso, que nos motiva a trabalhar ainda mais. 

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