É preciso focar para fazer bem feito
Nossa expectativa é que os esforços diários sejam convertidos em benefícios que elevem nosso padrão de vida
Os objetivos de uma economia são, basicamente, promover o crescimento, uma distribuição equitativa de renda, a estabilidade, a eficiência e um alto nível de emprego. Nossa expectativa é que os esforços diários sejam convertidos em benefícios que elevem nosso padrão de vida. A responsabilidade por alcançar essas metas não é só do governo, mas de toda a sociedade: empresas privadas, entidades e indivíduos.
Agora, na condição de político, vejo que há uma diversidade de assuntos urgentes a serem tratados, dos quais a sociedade espera solução dos governantes. Estes precisam assumir a liderança do processo de busca por soluções, pois vivemos em um Estado no qual, infelizmente, mais de 40% da riqueza é administrada pelo setor público (carga tributária mais a dívida pública). Roberto Campos, um dos economistas que mais admiro, em sua análise da Constituição Brasileira, alertou sobre o documento em que a palavra “direitos” aparece 75 vezes; a palavra “deveres” apenas cinco; produtividade, duas vezes e eficiência, apenas uma. “Algo assim não poderia dar muito certo”, dizia ele.
É preciso focar. As pessoas de sucesso e as empresas lucrativas focam. Os governos, por outro lado, costumam querer “abraçar o mundo”. Assim são criadas uma infinidade de estatais, programas, autarquias, fundações, projetos e cargos, como se o governo fosse capaz de fazer tudo bem feito e as famílias estivessem dispostas a retirar dinheiro do seu orçamento para dar aos políticos e gestores públicos.
Ribeirão Preto, assim como todo o país, sofre do mesmo mal: uma despesa pública enorme e uma capacidade limitada de gestão que gera baixa eficiência e desperdício. É preciso focar para fazer bem feito. Mais ainda, aquilo que o governo assumir, é preciso monitorar com indicadores claros e gerenciar os resultados. O engajamento da sociedade civil organizada, pressionando e apoiando o governo, é fundamental para que as estruturas governamentais sejam redimensionadas e as políticas públicas sejam realistas e justas. Um governo aberto ao diálogo social tende a errar menos, ser mais transparente e entregar mais valor com uma mesma ou menor quantidade de impostos e taxas.
Crescimento se promove com uma política industrial e de desenvolvimento econômico audaciosa, o que ainda não temos. Só o crescimento gera emprego — este sim, definitivamente, é a melhor política social que um governo pode pensar em promover. Distribuição equitativa de renda se promove ao definir, de fato, a educação básica como a maior prioridade da sociedade.
Ainda estamos longe disso. Eficiência se promove quando o Estado é confiável, previsível, transparente, rápido e acessível. Mais uma vez, estamos longe disso, mas as respostas e as soluções estão ao nosso alcance e são viáveis de serem implementadas por um governo focado em 2030, 2050, e não somente na próxima eleição. Os escândalos que envolvem os três poderes da nação e a inércia das reformas que nunca saem do papel nos diminuem a esperança, mas é preciso persistir, pois, para cada obstáculo, sempre haverá uma solução.
Por: Fabiano Guimarães