É só Esquentar
Segmento de congelados tem conquistado cada vez mais adeptos ao oferecer refeições de forma prática, sem comprometer o sabor e os nutrientes
A busca pela saúde, pela beleza, pela qualidade de vida e pela longevidade passa, necessariamente, por uma dieta balanceada. Quando bem selecionados e ingeridos na proporção adequada, sem privações indevidas ou exageros, os alimentos contribuem para o bom desempenho do organismo, tanto no aspecto físico quanto mental. A elaboração de um cardápio deve ser sempre personalizada e feita por um profissional, levando em consideração o perfil da pessoa e seus objetivos, mas, segundo o nutricionista André Facchin, certos hábitos básicos podem ser aplicados para todos. “Diariamente, devemos tomar dois litros de água, comer saladas, legumes e frutas diversas, variar a fonte de proteína — carne bovina, frango, peixes e ovos —, dar preferência para os alimentos cozidos ou grelhados e evitar o consumo excessivo de açúcar e de álcool”, aponta o especialista.

Manter esse nível de equilíbrio com regularidade é o verdadeiro desafio. Exige disciplina e força de vontade, ainda mais com a correria do dia a dia. A falta de tempo — tanto para preparar, quanto para sentar à mesa e apreciar as refeições — o custo dos ingredientes e o fácil acesso aos produtos industrializados são a desculpa perfeita para cometer alguns deslizes no decorrer do caminho. Os ultraprocessados aparecem como a alternativa mais descomplicada, porém, a maioria deles conta com fórmulas ricas em açúcares, gorduras, sódio e compostos químicos, como corantes, aromatizantes, conservantes e antioxidantes. Essas substâncias desequilibram a qualidade nutricional e prejudicam a saúde, pois favorecem o surgimento de quadros como obesidade, hipertensão e diabetes.

O público que não tem disponibilidade para cozinhar em casa — ou não tem afinidade com o fogão mesmo —, mas também não quer recorrer aos itens fabricados em massa com frequência, motiva o crescimento expressivo da gastronomia artesanal ultracongelada, que confere praticidade à alimentação saudável. “Essa é uma tendência de consumo que vem ganhando força nos últimos anos. Desde que o estabelecimento cumpra todos os requisitos para a produção e o armazenamento apropriado das refeições, o processo de congelamento em si não interfere em nada no aspecto nutricional. Graças à tecnologia, as propriedades dos alimentos são preservadas. Sem dúvida, é uma opção muito mais interessante do que os industrializados”, explica Facchin.
Uma nova proposta
Há alguns anos, ainda existia certo preconceito em relação aos congelados. O termo era imediatamente vinculado às comidas industrializadas, encontradas nos freezers do supermercado. Outro ponto que prejudicava a imagem desses produtos era a associação com os alimentos congelados em casa, que, por enfrentarem um processo lento de resfriamento, formam cristais de gelo que comprometem o sabor, a textura e os nutrientes, proporcionando um resultado final bem aquém do esperado. Essa percepção, no entanto, está mudando. Em países como os Estados Unidos e a França, as refeições artesanais congeladas já ocupam um lugar de destaque no mercado e o Brasil, aos poucos, acompanha essa tendência.

Em Ribeirão Preto, já existem empresas que trabalham com essa proposta. Uma delas é o Empório Tartufo. “Para a comida ficar boa de verdade, com aquele gostinho de comida de mãe e de vó, não existe milagre. O fator humano é imprescindível. A produção de cada uma das receitas envolve cuidado e carinho. Temos uma equipe de 40 pessoas só na cozinha. O fogão deve continuar sendo o principal instrumento de trabalho, o sabor precisa ser apurado por meio de uma cocção lenta e os grelhados feitos na grelha tradicional. Isso faz a diferença. A contribuição da tecnologia vem na técnica de congelamento. Com o ultracongelador, o processo acontece de forma mais rápida e uniforme, mantendo as características dos alimentos intactas, e a câmara fria sustenta a temperatura ideal para a conservação. Assim, depois de aquecida, a refeição fica com a aparência, o cheiro e o gosto de uma comida feita na hora”, afirma o chef de cozinha Bruno Perego.

A variedade e a durabilidade são atrativos que ajudam a elevar o número de adeptos. “Antigamente, o universo dos congelados se resumia a pizza e lasanha. Hoje, disponibilizamos aproximadamente 350 itens para os clientes e estamos sempre lançando novidades. Se a pessoa quiser comer uma refeição congelada todos os dias, ela pode fazer isso por um bom tempo sem ter que repetir o cardápio”, completa a nutricionista da empresa, Melina Franci Lapi Perego. Quanto à validade, produtos como arroz, molhos e sopas duram, em média, seis meses. Já receitas mais sensíveis, como carnes, a indicação de consumo é de três a quatro meses a partir da data do congelamento.
O Sabor de Família é outra marca especializada que confirma o crescimento do setor. “Cada vez mais a população tem se preocupado com a alimentação, prezando pela qualidade na hora de fazer suas escolhas. Por causa da correria do dia a dia, a comida congelada tem se firmado como uma ótima alternativa, já que é saudável, saborosa, nutritiva e simples de preparar. Quando a pessoa deixa o receio de lado e experimenta um dos nossos pratos, fica positivamente surpresa e acaba se tornando um cliente assíduo da loja. É muito comum recebermos esse tipo de retorno. Temos registrado um aumento em torno de 20% ao ano no número de vendas”, relata o diretor de produção, Caio Tonello Vieira.

A empresa também leva o melhor do artesanal e da modernidade para a cozinha. “Apesar de ser uma produção em grande escala, mantemos o processo artesanal, pois acreditamos que esse é o segredo do sucesso dos nossos pratos. Constantemente, testamos novas receitas e variamos o nosso cardápio, incluindo sugestões dos clientes. Temos opções que contemplam diferentes necessidades e paladares. A Linha ‘Body Fit’ por exemplo, atende todos aqueles que buscam uma alimentação mais equilibrada, livre de lactose e com alto teor proteico”, descreve Caio.

Praticidade com qualidade
Mariela Girotto confessa que, no dia a dia, dificilmente vai até a cozinha para preparar uma refeição. “Sempre almoçamos fora de casa. Na hora do jantar, normalmente, recorremos aos pratos congelados. Depois que me tornei mãe do Joaquim, a rotina ficou ainda mais corrida e o tempo tem de ser bem aproveitado. Pegar os produtos, colocar no forno ou no micro-ondas e, em questão de minutos, tudo estar pronto facilita bastante a minha vida”, revela. O congelador fica abastecido e não faltam opções, tanto de receitas básicas, como arroz, feijão, farofa e sopa, quanto de itens mais sofisticados, como bacalhau e filé Wellington, por exemplo. A busca pela praticidade, no entanto, não faz com que Mariela seja menos criteriosa em relação ao que coloca na mesa. “Pelo contrário. Fiquei mais seletiva com as minhas escolhas e me preocupo com a qualidade dos ingredientes, com o sabor, com a textura e com o valor nutricional do que vou servir para a minha família. Não compro industrializados, só comida de verdade, que sei que foi produzida, congelada e armazenada adequadamente”, conclui.

Variedade e sabor
Felipe Lyra gosta muito de cozinhar e, quando consegue, fica feliz em assumir o comando das panelas e do fogão de casa. Porém, atualmente, esses momentos estão cada vez mais raros. “Trabalho como Coordenador de Performance em Mídias Digitais e Facebook Ads Manager em uma agência de publicidade de Ribeirão Preto. Fico completamente envolvido com as minhas demandas profissionais. Não dá para cozinhar todos os dias, até porque não é só preparar o alimento em si. Tem de comprar os ingredientes, lavar a louça e arrumar o ambiente depois, entre outros”, justifica. Na tentativa de manter uma alimentação saudável mesmo assim, Felipe começou a pedir marmitex em alguns restaurantes da cidade. “Esse período foi difícil. Não me adaptei. Ficava enjoado rapidamente”, lembra. A solução veio há quase um ano. “Descobri o universo das refeições congeladas. Não aquelas ultraprocessadas que encontramos nos supermercados, mas as que são produzidas por empresas especializadas nesse segmento. A variedade de pratos é grande, o preparo é simples, o preço é atrativo e basta aquecer o produto para sentir o sabor de uma comida feita na hora”, indica Felipe.