Educação além da sala de aula

O projeto pedagógico do Liceu Albert Sabin privilegia a formação de cidadãos críticos, atuantes e capazes de superar desafios em todos os estágios da vida

Uma escola que tem os principais atores da educação, os professores, como componentes da sua gestão. O ideal desses educadores, em 1991, juntou-se ao do professor Nicolau Dinamarco Spinelli, grande incentivador e empresário da Educação. Essa seleta equipe de profissionais teve o apoio necessário dos mantenedores, as famílias Fávaro e Spinelli, que investiram em um projeto educacional diferenciado, com os professores atuando de forma intensa e participativa com a organização. Assim foi criado o Liceu Albert Sabin, que integra o grupo Barão de Mauá e dedica-se à educação de crianças e jovens desde a Educação Infantil até o Ensino Médio e o Pré-vestibular.

A escolha do nome do colégio, que inicialmente funcionava em um prédio na rua Laguna, ficou por conta do professor Spinelli. Ele quis, com isso, homenagear um homem que efetivamente havia deixado grande contribuição à humanidade. A liberação do nome aconteceu em São Paulo, em um encontro com o próprio Albert Sabin que, antes de concordar, tinha consultado e obtido o aval de Carlos Chagas Filho em relação à qualidade da proposta pedagógica e à seriedade das pessoas envolvidas no projeto. Sabin veio ao Brasil em campanha pela vacinação contra a poliomielite, em 1991.

A escola começou a funcionar em 1992 com turmas de Ensino Médio e Pré-vestibular. “Naquele momento, não havia promessas salariais, apenas o compromisso de um trabalho sério e focado em criar uma escola de excelência em Ribeirão Preto. As bases para montar um projeto diferenciado foram fundamentadas naquilo que realmente tínhamos como ideal de educadores”, relata o professor João Mucke, o Gepê, que integrava o corpo docente do Sabin no início das atividades. Com ele, 70% dos fundadores permanecem na escola até hoje.

Em 1992, o Sabin já confirmava o diferencial da competência e da contínua formação dos professores. “O projeto pedagógico da escola desenvolveu-se com base na especialização dos professores, sempre comprometidos em manter um olhar atento em seus alunos e sempre atualizados diante dos modernos rumos da Educação. Para nós, sempre foi importante conhecer cada aluno, exercendo, assim, o papel de mediadores, a fim de que ele se transforme em um cidadão crítico e atuante”, explica o professor Nelson Marzola, também integrante do grupo fundador do Liceu Albert Sabin. Reunindo professores que compartilhavam o mesmo ideal de educação, foi definido o modelo pedagógico, o número de salas e de alunos por turma, entre outras decisões importantes para o andamento de uma escola, tornando o professor um participante ativo também da formação do colégio como uma organização educacional em que o pedagógico é apoiado pelo administrativo e ambas as áreas se complementam.

Entre os estudantes do terceiro ano do Ensino Médio de 1992 estava Luana Benedini que, anos mais tarde, apostaria no mesmo formato de ensino para seus filhos: Matheus, de 17 anos, Victoria, de 15 anos, e Thiago, de 11 anos. “A relação com os professores era a melhor possível e este foi o fator preponderante para a minha decisão de, mais tarde, escolher o Sabin para ser a escola dos meus filhos”, avalia a ex-aluna. No primeiro ano de funcionamento, também estava, entre os alunos, Leandro Gardenghi, que se tornou cirurgião vascular depois de ter cursado Medicina em uma universidade pública. “O Sabin me fez enxergar o que era realmente o vestibular e como enfrentá-lo”, afirma o ex-aluno, que agradece aos ex-professores o incentivo recebido naquele período.

A confiança e a proximidade com o corpo docente também são pontos destacados pelo advogado, mestre e doutor em Direito Penal, Alamiro Velludo Salvador Netto, também ex-aluno do Sabin, que cursou os três anos do Ensino Médio na escola, entre 1995 e 1997. “A qualidade dos professores e o número reduzido de alunos por sala são dois pontos principais que eu destacaria em relação à minha experiência no Sabin”, aponta o profissional, que ingressou, sem necessidade de cursinho, no curso de Direito da Universidade de São Paulo. O profissional atribui à escola, também, uma importante carga cultural, de base humanista e compromissada com os valores sociais que adquiriu.

No que diz respeito às relações pessoais, a passagem pelo Sabin também foi importante para o advogado. “Tenho amigos daquela época até hoje, tanto entre meus colegas quanto entre os professores”, relata o advogado. Alamiro conta que, ao completar dez anos do fim do Ensino Médio, uma festa foi realizada para reunir os colegas. “O grande sucesso do encontro, que também contou com professores, representa o tipo de convivência saudável que sempre tivemos”, garante.

Em 1994, o Liceu Albert Sabin recebeu as primeiras turmas da Educação Infantil e dos primeiros anos do Ensino Fundamental, que ficou completo em 1995. “Decidimos ampliar nossa atuação e oferecer uma formação completa da Educação Infantil ao Ensino Médio, sempre buscando professores que compartilhassem dos nossos ideais e que estivessem dispostos a aprender diariamente”, relata Margaret Guimarães, que se tornou coordenadora das novas áreas de ensino.

O processo educativo começa com crianças a partir de dois anos que, gradativamente, passam a ter aulas de Música, de Artes, de Educação Física e de Inglês, entre outras. Mais tarde, no Ensino Fundamental I e II, os alunos entram em contato com outras disciplinas e com situações e estímulos que os levam à construção de sua autonomia. As atividades extracurriculares e os projetos interdisciplinares, além da orientação profissional, fazem parte da proposta de “formação completa” de todos os alunos.

A infraestrutura da Escola também contribui para o interesse dos educandos em aprender. Ginásio de esportes, conforto nas salas de aula, estúdios de fotografia e TV, biblioteca e espaço para atividades lúdicas fazem parte do projeto do Sabin. Atualmente, são duas unidades: uma, da Educação Infantil e do Ensino Fundamental, o Sabin – Unidade Golfe, e outra, do Ensino Médio, localizada no Jardim Califórnia.
Quando chegam ao Ensino Médio, os alunos já estão totalmente capacitados para iniciar a preparação para o vestibular, uma vez que a aquisição do conhecimento já faz parte do seu cotidiano. O processo educativo integrado passou a ser intensificado em 2010. “Alinhavar esse conhecimento e esse aprendizado do Infantil ao Médio é a nossa principal busca atualmente”, completa o professor Décio Ribeiro da Fonseca.

O ex-aluno Marco Antônio Guimarães Vianna Filho viveu todo esse processo, do Infantil à conclusão do Médio. “Foram 13 anos de Sabin, período que deixou muita saudade”, garante Marco Antônio, que acaba de retornar do exterior, onde concluiu os últimos semestres do curso de Administração de Empresas do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), antigo Ibmec São Paulo, tendo passado pela Suíça e por Cingapura. As lembranças dos tempos de colégio são as melhores possíveis. “Tenho várias histórias para recordar: os primeiros ‘Dorme Gotinha’ e a macarronada da Tia Rosa; o ‘Passeio Ciclístico’ (hoje Agita Sabin) — em um deles, fiz questão de que até minha bisavó participasse para ganharmos como a família mais numerosa —; as festas juninas; as apresentações de Natal do Coral; os Jogos da Primavera; o futebol aos sábados com amigos e professores; a participação no Grêmio Estudantil e, por último, a comemoração da aprovação no vestibular”, enumera Marco Antônio que, até hoje, quando está em Ribeirão Preto, visita a escola para conversar com a professora Margaret. “Tenho muito carinho por todos que, além de me dar toda a base teórica de que eu precisava, transmitiram valores e sempre me fizeram sentir que eu era importante para eles”, conclui.

Lorenzo Spedicato chegou ao Sabin em 1998, na Educação Infantil, e saiu em 2009, quando concluiu o Ensino Médio e ingressou no curso de Engenharia Mecânica na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). “O Sabin faz parte da minha história e foi fundamental para que eu entrasse exatamente na faculdade que queria”, afirma o estudante. Para ele, o corpo docente é o grande diferencial da escola, aliado ao estilo “caseiro” de ensino. “Acredito que não fazer parte de uma grande rede de educação é uma vantagem do Sabin, já que isso propicia um ambiente agradável e um contato mais próximo entre alunos e professores”, opina Lorenzo, que mantém uma relação de amizade com os antigos professores. “Também conversava com a recepcionista, o senhor da cantina e o supervisor do intervalo. Sempre chamei todos pelo nome, assim como era chamado por eles de Lorenzo”, destaca. Para o estudante, se os três anos do Ensino Médio o ajudaram a ingressar na faculdade que escolheu, os anos anteriores foram fundamentais para a formação pessoal, com valores e ideais bem definidos.

Também estudando no Sabin desde 1998, Alexandre Galafazzi, de 16 anos, prepara-se para o último ano do Ensino Médio. Apesar de ainda não saber que curso fará na faculdade, Alexandre confia na sua formação até aqui. Além de destacar a relação com cada professor, o estudante revela que gosta de aproveitar o que a Escola oferece fora do período das aulas. “Podemos escolher entre diversos esportes e também recorrer aos reforços quando necessário”, avalia Alexandre.

Os esportes, especialmente o Futsal, também eram um dos grandes diferenciais da escola para Matheus Benedini, de 17 anos, que acabou de concluir o Ensino Médio. “O Futsal, esporte em que fomos campeões em 2010, já me deixou muita saudade”, recorda. Os irmãos Victoria, de 15 anos, e Thiago, de 11, seguem estudando no Sabin e pretendem concluir o Ensino Médio na escola, assim como fez o irmão e a mãe, Luana.

Próximos 20 anos

O Sabin completa 20 anos em 2011 em um momento especial: de renovação e de consolidação do trabalho. “O comitê gestor está mais comprometido do que nunca, focado em fazer um trabalho de excelência, como sempre fez”, avalia Marco Aurélio Palma Spinelli, membro do conselho dos mantenedores do Liceu Albert Sabin. Este ano, somam-se ao corpo docente do Sabin novos professores, o que reforça o compromisso da escola em manter em seu quadro os melhores profissionais da educação.

Entre os novos está Fernando Henrique Gelfuso, que também é ex-aluno do Sabin. “Estudei aqui durante todo o Ensino Médio e foi no Sabin que me apaixonei pela profissão. O exemplo dos mestres me fez um educador”, avalia o professor de História formado no Centro Universitário Barão de Mauá. O Sabin sempre incentivou as relações humanas e a consolidação de valores éticos e humanos. Como professor, Fernando Henrique reitera essa impressão. “Entre o corpo docente e a direção, as relações são tão democráticas quanto aquelas que norteiam as relações da Escola com os alunos. Um ambiente agradável e uma equipe unida facilitam o aprendizado e o crescimento humano dos estudantes”, acrescenta.

Segundo José Antonio P. Capito, diretor executivo do grupo, os alunos e pais podem esperar da equipe da escola uma postura inovadora, ética e comprometida com os valores que permeiam o trabalho desde a sua fundação. O Liceu Albert Sabin inicia seu 21º ano preparado para as próximas décadas. “O nosso projeto de integração pedagógica, centrado no aluno, dá sustentação ao
trabalho que está sendo realizado e àquilo que será oferecido para as futuras gerações”, completa Margaret.

Responsabilidade reforçada

Em uma carta, Albert Sabin fez questão de mandar o seu recado aos professores e alunos do Liceu que levaria seu nome: “Sinto-me altamente honrado por ter o meu nome em uma escola de Ribeirão Preto. A mensagem que eu deixaria, não somente aos estudantes do Liceu Albert Sabin, mas a todos os jovens é para que façam suas vidas mais dignas. Posso citar alguns dos princípios que norteiam a minha vida e que gostaria de deixar para vocês: Lembre-se sempre do principal mandamento “O que é ruim para você, não faça aos outros. O que lhe fere, não faça ao próximo.” Lembrem-se também do que disse o sábio israelita Hillel: ‘Se você não for por si mesmo, quem será? Mas se você for por si mesmo, o que você será!’. Isso significa que cada pessoa tem a responsabilidade primeira de fazer o melhor por si mesmo. Então estará em condições de assumir a sua responsabilidade de fazer também algo pelos outros...”
(Dr. Albert Sabin, 1991)

Fotos: Carolina Alves, Ibraim Leão e Julio Sian

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