Educação no trânsito

Educação no trânsito

Projetos educacionais buscam o fortalecimento das relações sociais, desde a infância, para reduzir o número acidentes e vítimas do trânsito

Um acidente de trânsito fatal ganhou repercussão recentemente. No dia 27 de setembro, a estagiária do DAERP, Camila Maia de Oliveira, de 20 anos, faleceu enquanto participava do Programa Casa a Casa. Camila estava no interior do veículo quando uma motorista, dirigindo um Corsa, teria atravessado o cruzamento das ruas Conselheiro Saraiva e Martinico Prado no sinal vermelho, colidindo com a Kombi da vítima. Como Camila estava sem cinto, foi lançada para fora do veículo e esmagada pelo próprio automóvel, segundo o Corpo de Bombeiros. A estagiária chegou a ser encaminhada para a UBDS Central, mas não resistiu aos ferimentos. Como tantos outros, o acidente poderia ter sido amenizado, e até evitado, se as regras do trânsito tivessem sido totalmente respeitadas.

A boa notícia é que, se depender dos resultados dos diversos projetos de educação no trânsito desenvolvidos em Ribeirão Preto junto às redes de ensino, em um futuro não muito distante, motoristas, passageiros e pedestres serão mais conscientes. Uso do cinto de segurança para motoristas e passageiros, obediência à legislação de trânsito vigente e a travessia na faixa de pedestres são algumas das lições que os futuros motoristas apreendem ainda crianças ao participarem dos vários programas desenvolvidos pela Transerp.

Entre eles, os Programas de Educação para o Trânsito da Transerp (PROGETT), o Programa de Auxílio à Travessia de Escolares (PATE) e o Concurso de Segurança e Educação no Trânsito (Transetran). O Transetran é aberto às unidades escolares, envolvendo professores e alunos, integrantes dos Ensinos Infantil, Fundamental, Médio e de Jovens e Adultos, das redes municipal, estadual e particular de ensino, além de instituições de educação especial e de grupos da terceira idade de Ribeirão Preto.

Já o Projett envolve estudantes de três a 14 anos, com visitas à minicidade do trânsito mantida nas dependências da Transerp. De acordo com a coordenadora do projeto, Mara Sturari, o Programa tem o foco centralizado na formação do cidadão na condição de pedestre. Em sala de aula, as crianças recebem noções sobre sinalização, semáforos, uso das faixas de pedestres, respeito aos idosos e aos portadores de necessidades especiais, entre outros tópicos. Na minicidade, eles colocam em prática o conteúdo visto em sala. “As mudanças de atitude são muito importantes. Para isso, quanto mais cedo começamos a educar estes futuros motoristas, melhor”, assegura Mara.

As equipes de monitores do Projett também atuam na formação de professores, que agem como multiplicadores do projeto em escolas e em instituições de atendimento especiais, como a Apae. A Transerp promove, ainda, visitas técnicas e estudos de circulação de veículos no entorno das escolas, com foco na melhoria do fluxo no trânsito, calçadas, sinalização viária, entre outros aspectos.

Para Luciana Andréa Furco, gerente administrativa da Transerp, a educação é a principal ferramenta para a conscientização dos motoristas. A empresa, segundo ela, também atua na capacitação dos motoristas das empresas permissionárias do transporte público na cidade e de outras empresas que se interessam pelo trabalho.

Outra iniciativa positiva que pretende alertar os futuros motoristas para as armadilhas do trânsito vem da Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Ana dos Santos Gabarra, que construiu sua própria minicidade para orientar os alunos na prática sobre o tema.

Em sala de aula, eles realizam vários trabalhos manuais e chegam a construir carros de papelão e sucatas para trafegar nas ruas da cidade. Monitorados por professores, os pequenos andam nos arredores da escola, cruzam as ruas nas faixas de pedestres, identificam as cores e sinais de trânsito, entre outras ações. A entrada e saída dos alunos, assim como o tráfego dos veículos dos pais, também é abordado durante as aulas. “O trabalho tem dado tão certo que muitos pais me procuram para dizer que, em determinados momentos, acabam sendo cobrados pelos filhos, que se lembram das lições aprendidas na escola”, frisa a diretora Luciana de Siqueira Zamboni.

Durante a Semana Nacional de Trânsito, a Prefeitura Muncipal, por meio da Transerp e do  Grupo Técnico de Avaliação e Prevenção de Acidentes de Trânsito e Transporte Técnico (Gapat), realizou uma série de atividades em vários pontos da cidade, chamando a atenção dos motoristas. Houve distribuição de panfletos, carreata, lançamento da Inspeção Veicular de Poluentes, blitz educativa em bares, bicicletada noturna, entre outras atividades.

Alerta importante
Ainda na área educacional, os guardas municipais Lino Fonseca e Normando Celestino, que atuam como agentes de cidadania do EduVis aplicam aula especifica sobre orientação de trânsito durante as aulas do projeto, EduVIS no Trânsito.

Os alunos são alertados sobre a importância de respeitar a todas as formas de vida, os cuidados e normas de segurança, como atravessar com segurança, uso da faixa de pedestre, uso do cinto de segurança, carona de ciclistas em ônibus e caminhões, uso do capacete, uso de semáforos inteligentes, uso da buzina, uso do celular, lixo nas vias, entre outras orientações.

“Uma multa só é educativa se houver orientação. E os filhos chamando a atenção dos pais sobre o que aprenderam, trazem o adulto a razão, e eles passam a ser mais cuidadosos”, ressaltam Lino e Normando.

Valores fortalecidos
O Programa de Educação para o Trânsito da TRANSERP – PROGETT, criado em 2001, visa incorporar valores como base para o fortalecimento das relações sociais que, em última instância proporcionará a redução dos acidentes de trânsito. Ele visa atingir a comunidade como um todo, com a participação dos setores organizados da sociedade.

Sua principal tarefa é desenvolver os conceitos básicos do Programa dentro da instituição que representa. Entendendo como de suma importância a valorização desses profissionais, buscamos auxiliá-los na reflexão e aprimoramento de sua auto-estima e de seus valores pessoais, para que tenham condições de compreender também as emoções, concepções e valores de seu público, e assim, agir e desenvolver seu trabalho a partir de princípios éticos, de forma crítico-reflexiva.

Essa perspectiva compreende a reflexão sobre os valores individuais e coletivos. Dentre estes, estão: segurança, respeito, cooperação, responsabilidade, solidariedade etc., que, uma vez firmados no âmbito indivíduo-coletividade, perpassarão, por extensão, todas as outras instâncias de interação social, inclusive o trânsito.

Mais de seis mil beneficiados
Americana e Aparecida foram os municípios escolhidos para a fase piloto do programa de educação para o trânsito “Se Essa Rua Fosse Minha” lançado pelo governador Geraldo Alckmin. Com previsão de continuar até dezembro, durante este período, haverá avaliação de resultados e adequações da metodologia, para que a iniciativa seja expandida para outras cidades do Estado, a partir de 2012.

“A ideia é que, após essa avaliação, a implantação siga o cronograma de reestruturação das unidades do Detran.SP no Estado. O programa também poderá contar com a parceria dos municípios paulistas e demais instituições do setor”, explica a diretora de Educação para o Trânsito do Detran.SP, Tarcila Peres Santos.

Inicialmente, o programa será desenvolvido com 950 alunos do 5º ano do ensino fundamental, em Americana, com previsão de três mil familiares atingidos. Em Aparecida, serão 660 alunos do 6º ano, mais 2 mil familiares envolvidos. Nas duas cidades, o número total de beneficiados, considerando alunos, professores e familiares, passa de 6,6 mil.

Desde sua primeira edição, em 2006, o programa já capacitou 4.092 professores em 127 municípios de oito Estados, atingindo 827.063 alunos do Ensino Fundamental. Em 2009, ganhou o 9º prêmio de educação de trânsito do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).

Dados do Ministério da Saúde indicam que o Brasil registrou uma média anual de 19,8 mortes por acidentes de transporte terrestre, em cada grupo de 100 mil habitantes, entre 2005 e 2007. No mesmo período, o Estado de São Paulo registrou uma taxa de 18,2 mortes para cada 100 mil habitantes (oitavo no ranking nacional). O maior índice foi em Santa Catarina (33,1/100 mil habitantes) e o menor, no Amazonas (12,1/100 mil habitantes).

Ainda segundo o Ministério da Saúde, em 2008 foram registradas 38.273 mortes por acidentes de transporte terrestre, em todo o país, média de 103 por dia (dados preliminares). São quase dez mil óbitos a mais, em comparação ao ano 2000, quando 28.996 foram notificados. No Estado de São Paulo, ocorreram 7.697 mortes no trânsito em 2008 – o equivalente a 20% do total registrado naquele ano no País.

O Brasil ocupa o quinto lugar entre os recordistas em mortes no trânsito, atrás da Índia, China, Estados Unidos e Rússia, segundo o Informe Mundial sobre a Situação de Segurança no Trânsito, da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado em 2009.

Com o compromisso de:

                                                          

Compartilhar: