Eficiência administrativa
Com um orçamento de R$ 42 milhões, Osvaldo Bezzon, quer ampliar os sistemas de segurança, melhorar a infraestrutura e agilizar os serviços prestados
No comando da Prefeitura da USP de Ribeirão Preto (PUSP-RP), desde o dia 6 de julho, Osvaldo Luiz Bezzon tem pela frente o desafio de administrar uma Instituição que corresponde ou até supera o orçamento de muitas cidades da região. Criado em 1952, o campus ribeirãopretano da Universidade está instalado em uma área de aproximadamente 242 hectares, sendo 96 deles relativos a reservas florestais. A USP abriga uma comunidade de cerca de dois mil funcionários; 12 mil alunos, mil professores, além de receber diariamente milhares de pessoas em busca de conhecimento, pesquisa, atendimento médico, entre outros serviços.
Para administrar tudo isso, o orçamento estimado para este ano, incluindo todas as unidades, supera os R$ 438 milhões. Sozinha, a Prefeitura tem à disposição R$ 42 milhões, além de receitas provenientes de outros projetos e investimentos aplicados aos mais diferentes setores sob responsabilidade do executivo local.
Envolvido ativamente com as questões acadêmicas desde os tempos da graduação, Osvaldo ingressou na USP como aluno, aos 18 anos, e hoje tem sob sua responsabilidade a administração de um dos principais campi do país. Professor titular da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (FORP), tem experiência na área administrativa, como chefe de departamento, coordenador de programa de pós-graduação, diretor da FORP e presidente do Conselho Gestor do campus local.
Entre as missões do prefeito estão o desenvolvimento e a execução de serviços de apoio ao ensino e à pesquisa, de infraestrutura e de atividades socioculturais, esportivas e de comunicação para atender tanto à comunidade interna quanto favorecer a inserção da Universidade na sociedade. Para isso, o prefeito conta com apoio de uma equipe de 492 funcionários e dos membros do Conselho Gestor, composto por representantes das faculdades, dos órgãos administrativos, de discentes de graduação e de pós-graduação e convidados.
Apoia oito unidades de ensino, creche e pré-escola Carochinha, Departamento de Saúde (UBAS), Escritório Regional da Superintendência do Espaço Físico da USP (ER-SEF/RP), Procuradoria Jurídica, além da administração do restaurante, do Centro de Treinamento e Educação Continuada (CETEC), as seções de atendimento social, as atividades culturais, o Centro de Apoio ao Professor e Estudante Estrangeiro (CAPEE) e o Centro de Educação Física, Esportes e Recreação (CEFER). Compras, informática, moradias, oficinas de precisão, transporte, segurança, entre outros departamentos, também fazem parte da lista de atribuições da administração local.
Também é de responsabilidade da Prefeitura do campus a manutenção das áreas verdes e de lazer, a manutenção do abastecimento de água, a fiscalização das reservas ambientais, entre outras. Para ele, um dos principais desafios do início da gestão é identificar os gargalos operacionais da administração para, assim, criar ferramentas eficientes que tornem a tomada de decisões mais ágil.
Segundo o prefeito, muitas vezes, os processos acontecem lentamente, como em diversas instituições públicas, o que acaba gerando alguns transtornos. “Talvez este seja o principal desafio desde início de gestão e uma das maiores metas desta administração: tornar o sistema realmente eficiente”, antecipa Osvaldo. Para isso, já solicitou a ajuda de uma consultoria. Outro ponto que precisa ser melhorado, segundo Osvaldo, é a segurança interna e o controle de acesso às duas portarias. “Ainda estamos estudando quais os mecanismos mais eficientes, tanto para veículos quanto para pessoas”, aponta o prefeito.
Com a criação de uma Superintendência de Segurança pela Universidade, a adoção de sistemas de cartões magnéticos para acesso e a instalação de mais câmeras de monitoramento estão entre os projetos em estudo. “Estamos analisando a possibilidade de criar, por exemplo, um sistema de dupla custódia, onde os carros oficiais teriam um sistema semelhante ao que hoje é usado pelas concessionárias rodoviárias, conhecido como Sem Parar/Via Fácil”, acrescenta. A Prefeitura receberá investimentos para iluminação já previstos em projeto da Universidade para todos os campi, na ordem de R$ 62 milhões.
Atualmente, a Prefeitura da USP conta com um efetivo da guarda universitária de mais de 100 homens, além de uma frota de veículos e motos para patrulhamento tanto das vias urbanas quanto da área de preservação ambiental. Para Osvaldo, este é um dos setores prioritários neste momento, tanto por sua extensão territorial quanto pelas ações do clima, quanto pela intervenção humana. A presença da Polícia Militar no campus também não é descartada pelo atual prefeito.
Infelizmente, o vandalismo é um dos principais responsáveis por uma série de ocorrências, como danos às cercas que demarcam o campus. “Depois de violada essa proteção, o acesso fica fácil e o controle, mais difícil”, lembra o prefeito, ressaltando que o trabalho de aterramento de cabos, concluído recentemente, também já foi danificado, com o furto de toda a fiação de cobre.
Patrulhamento motorizado, periódico, intensificação dos aceiros (desbaste de terreno próximo à cerca de arame para prevenir queimadas), disposição de carretas de águas ou tanques próximos às áreas mais críticas durante a estiagem são algumas das medidas já intensificadas para garantir a segurança do lugar. Mesmo assim, as medidas não foram suficientes para impedir o incêndio que atingiu a mata em agosto de 2011. O fogo destruiu aproximadamente 40 hectares do único banco genético de árvores nativas do Brasil, que possuía mais de 40 espécies de árvores da mata Atlântica, como ipês, jequitibás, angicos, jatobás, entre outras.
Para tornar ainda mais eficiente a proteção desta área, Osvaldo antecipa que a Prefeitura do campus está adquirindo um sistema de monitoramento 24 horas, feito por meio de câmeras com um campo maior de cobertura. O sistema será implantado, inicialmente, em duas torres de vigilância, com aproximadamente 40 metros de altura cada uma, ampliando, assim, o monitoramento nas áreas rurais e urbanas do campus. O investimento necessário será de R$ 300 a R$ 400 mil, dependo do sistema adotado. “Ainda estamos estudando o melhor tipo de torre, que agregue segurança e eficiência ao mesmo tempo, mas estimamos concluir o processo de compra ainda este ano”, reforça Osvaldo, lembrando que somente em 2012, 20 focos de incêndio foram identificados e combatidos na floresta.
Texto: Rose Rubini
Fotos: Julio Sian