Elas na direção
As mulheres estão se tornando decisivas, inclusive, na hora de escolher o carro dos integrantes da família
A evolução feminina na sociedade atual é nítida e clara: as mulheres alcançaram altas posições políticas, bons cargos executivos, tornaram-se referência em saúde, ciência e pesquisa, além de terem conquistado seu espaço no universo do esporte e da educação. Enfim, passaram a exercer diversos papéis que há pouco tempo não seriam delas. Mais presentes e influentes em todos os aspectos — da compra de produtos básicos a decisões políticas globais —, as mulheres estão se tornando decisivas, inclusive, na hora de escolher o carro dos integrantes da família.
Estatísticas das principais montadoras que atuam no Brasil indicam que, atualmente, a influência do público feminino na decisão de compra de veículos está entre 80% e 90% das negociações bem-sucedidas de automóveis no mercado nacional, porcentagem que em 1980 chegava a apenas 18%. Ou seja, a participação feminina sobre o mercado de automóveis cresceu mais de 400%. “As mulheres estão se interessando por todas as categorias de veículo, do Mini ao Porsche. A influência feminina já me fez, inclusive, perder algumas vendas”, conta Leonardo Cardoso, supervisor de vendas da Eurobike Mini. “Elas se tornaram independentes e recebem a mesma atenção dada aos homens”, completa.
Segundo a percepção de Leonardo, o primeiro atributo do veículo que chama a atenção da mulher na hora da compra é o design e, em segundo lugar, os dispositivos internos. O dado foi confirmado pela empresária Daniela Vieira Rocha, que escolheu o Mercedes C180 pelo belíssimo design, além da estabilidade e do conforto. “A decisão foi minha em todas as etapas, desde a iniciativa da compra e da escolha do modelo, até a definição da cor branca”, conta. Daniela tinha uma caminhonete, mas decidiu trocar o veículo, pois estava cansada do modelo. “A C180 é ideal para qualquer mulher”, completa a empresária, que procurou a concessionária sozinha e fez o test-drive na companhia do filho.
As mulheres buscam, também, espaço e comodidade em seu veículo. “Uma pesquisa recente apontou que os ‘porta-trecos’ estão se tornando cada vez mais comuns em todos os modelos justamente para atender às mulheres que se atentam a cada detalhe”, ressalta Leonardo, atestando que o próprio desenvolvimento dos carros está sendo afetado pela influência feminina. A última aquisição da despachante documentarista Rogéria Gentile foi um Honda CR-V, retirado da concessionária há dez dias. “Analiso muito a segurança do carro, que precisa responder à necessidade do trânsito. Mas o conforto e a comodidade são indispensáveis”, explica ela, satisfeita com seu SUV. A escolha do modelo foi motivada pelo marido, que é muito alto e tem problemas na coluna, mas Rogéria tomou todas as decisões de compra, desde a pesquisa inicial de modelos. “Apesar disso, sempre fazemos nossas escolhas juntos”, afirma a despachante, referindo-se também ao momento da compra.
O mesmo acontece com a aposentada Maria Ruth Venancio Nakadi, que acompanha o marido, também aposentado Ivo Choiti Nakadi, na hora de comprar o carro novo. Ambos visitam concessionárias, fazem test-drives e palpitam — a opinião de Ruth tem o mesmo peso que a de Ivo. Enquanto ele analisa primeiro a dirigibilidade do veículo, Ruth fica atenta ao conforto e ao tamanho do porta-malas. A última compra do casal, há poucos dias, foi um Corolla Toyota, carro que agrega as características ideais, tanto para Maria Ruth, quanto para Ivo — após test-drives em sedãs e SUVs de outras marcas. “Além do excelente custo/benefício, o Corolla tem ótima dirigibilidade e nenhum barulho. Para completar, o porta-malas é enorme”, diz Maria Ruth.
Texto: Marina Rezende | Fotos: Carolina Alves e Ibraim Leão