Eles estão bebendo mais
Uma pesquisa recente apontou o aumento do consumo de cervejas artesanais entre os homens ribeirãopretanos, que aderiram ao lema beba menos, beba melhor
O universo da cerveja artesanal, inicialmente dominado por produtos estrangeiros, teve um crescimento significativo em Ribeirão Preto, graças ao grande número de microcervejarias regionais. Cada vez mais exigente, o consumidor procura produtos de qualidade, com diversidade de sabores e de ingredientes. A região de Ribeirão Preto também segue o fluxo e tem se tornado um centro importante para o segmento das cervejas artesanais.
De acordo com a pesquisa, realizada em fevereiro pelo Instituto Engrácia Garcia – Pesquisa de Mercado & Opinião, 38% dos homens ribeirãopretanos estão consumindo mais cervejas artesanais. A pesquisa, que procurou verificar os hábitos de consumo dos ribeirãopretanos apontou, também, que entre os participantes que consomem a bebida, todos concordam com o lema “Beba menos, beba melhor” e que consomem as artesanais para apreciar novos sabores.

Segundo Gerson Engrácia Garcia, responsável pela pesquisa, o mercado de cervejas artesanais em Ribeirão Preto desperta o paladar dos fãs da bebida e atrai o interesse de pessoas que buscam novidades em aroma, sabor e harmonizações. “A variedade de produtos tem conseguido mudar o padrão de consumo e as escolhas dos consumidores. Dessa forma, boa parte do público já tem modificado os hábitos de forma natural, bebendo menos, mas melhor”, define Gerson.
Para o jornalista e assíduo consumidor das artesanais, Daniel Navarro, não há dúvida de que existe um grande potencial de mercado para as cervejas artesanais no Brasil. Essas bebidas representam 1,5% do mercado interno no país e mais de 15% do consumo nos Estados Unidos. “Hoje, a expansão por aqui esbarra no preço final do produto para o consumidor. Isso tem relação com os altos impostos que o segmento enfrenta, com alíquotas maiores do que pagam as cervejas industriais e com os custos da cadeia de distribuição. Da fábrica para o nosso copo, o preço da cerveja chega a aumentar 150%, mas nem isso faz os apreciadores das artesanais desistirem de degustar novos sabores”, garante o jornalista.
Daniel conta que sempre procurou sabores diferentes na gastronomia e a cerveja faz parte desse conjunto. “Quando o Brasil teve a primeira fase das cervejas de fato artesanais, tive a oportunidade de provar as Dadobier, em meados dos anos 90. Logo depois, tivemos o privilégio de ter em Ribeirão Preto o histórico brewpub da Colorado, na Av. Independência, o que deixou a experiência com cerveja artesanal muito mais acessível”, lembra.
Para o jornalista, a grande maioria das cervejas fica melhor se consumida fresca, por isso, Daniel prefere os rótulos locais e regionais. “A Colorado tem feito cervejas excelentes na nanocervejaria, porém, elas não são engarrafadas. Pensando em cervejas mais autorais, gosto muito da Weird Barrel, que sempre tem novidades nas torneiras do bar. Já quando penso em lúpulo, com certeza, a SP330 é uma das minhas favoritas. Dentro da escola belga, a Culotte de La Duchese, da Pratinha, é perfeita e para o dia a dia, gosto muito da Lund, em especial, da München e da Hefeweizen”, destaca.
Daniel salienta que cada momento pede um estilo diferente, mas ele prefere a escola belga, onde os aromas e os sabores resultantes da fermentação são os protagonistas. “Gosto das Saison, cervejas do meio rural da Bélgica, e também das mais ácidas e com frutas, como Lambic e Krieks. Não abro mão, também, de uma boa Hefeweizen típica e das Session IPAs com lúpulos cítricos americanos”, conclui.
Além das gôndolas

“Em 2009, fiz um curso promovido pelo Biergarten no Cervejarium, movido muito mais pela curiosidade e pelo aprendizado do que pela ideia de fazer a própria cerveja. Claro que essa história não serviu apenas para saciar a curiosidade. Absorvi tudo o que aprendi no curso e logo comecei a colocar em prática. No fim, gostei tanto do resultado que este se tornou meu hobby e constantemente combino sabores e produzo a própria cerveja artesanal”,
conta Daniel.
As preferidas do Daniel

As cervejas belgas são as queridinhas do jornalista, que destaca a Bélgica — assim como outros apreciadores — como o “paraíso cervejeiro”. Apesar de pequeno, o país conta com mais de 100 cervejarias com rótulos diversificados. Veja as sugestões do jornalista:
Trapistas: as cervejas dos monges apresentam perfil aromático frutado, alto teor alcoólico, alta carbonatação e um paladar mais seco.
Experimente: Chimay Rouge.
Anote: com a adição de candi sugar, oferece notas maltadas, aromas de frutas secas e leves notas de caramelo.
Flanders Red Ale e Oud Bruin: parte da produção passa por extenso envelhecimento em grandes dornas de carvalho, o que contribui para o caráter ácido.
Experimente: Duchesse de Bourgogne.
Anote: cerveja delicada que passa por envelhecimento em barricas de carvalho onde o produto final é um blend entre safras de 8 a 18 meses.
Saison: o baixo corpo e a alta carbonatação tornam as saisons refrescantes, porém, o teor alcoólico pode variar por volta de 3,5% a versões com mais de 8%.
Experimente: Fantôme Saison.
Anote: uma cerveja cheia de nuances. Aroma ésteres frutados, fenóis picante, notas cítricas e selvagens, traz um final levemente azedo.
Lambics: fermentadas através da ação de leveduras presentes no ar, em vez de serem inoculadas com variedades selecionadas, como é comum nas Ales e Lager.
Experimente: Lindemans Kriek.
Anote: uma cerveja seca, de acidez pronunciada, leveduras selvagens e notas frutadas que remete muito a geleia de cereja.
Witbier: a cerveja de trigo da Bélgica tem coloração amarelo-palha, normalmente é turva, com boa formação de espuma densa e cremosa.
Experimente: Hoegaarden
Anote: sementes de coentro e raspas de casca de laranja conferem um gosto refrescante, suave e cítrico