Em busca de si mesma

Em busca de si mesma

Enquanto redefine seu papel profissional e familiar, a mulher também ajuda a modificar as relações da sociedade

Forjada culturalmente para cuidar da casa e da família, a entrada da mulher no mercado de trabalho ocorreu em função da I e II guerras mundiais. Graças às frentes de batalhas, as mulheres assumiram os negócios da família ou a posição anteriormente ocupada por seus maridos. Com o fim das guerras, devido a mortes e mutilações, coube à mulher arregaçar as mangas e se lançar a uma dinâmica bem conhecida atualmente: as jornadas duplas, e até triplas, de trabalho, em que, além de prover os lares, ainda precisam corresponder às expectativas seculares de continuar desenvolvendo, exemplarmente, os papéis de esposa e de mãe.

Esses passos insipientes da mulher no mercado ganharam força quando os ventos que sopraram na Revolução Francesa, agitando os pensamentos e questionando os direitos da mulher em sociedade, no final do século XVIII, começaram a bramir em solo americano, o que culminou com a famosa “queima dos sutiãs”, de 7 de setembro de 1968, em Atlantic City.

De lá para cá, a mulher começou a conquistar, gradativamente, seu espaço e sua liberdade, numa luta contra a intolerância, o desrespeito e o preconceito que perdura até os dias de hoje. As tendências não englobam toda a pluralidade do universo feminino. Algumas descobriram a felicidade no aconchego do lar; muitas realizaram seus sonhos conquistando independência em carreiras sólidas; outras, ainda, ficaram presas às amarras da submissão, do desrespeito e da subserviência, emaranhadas em uma teia de silêncio, solidão e medo.

PROFISSÃO MÃE

A fisioterapeuta Débora Cristina Bis Pasquini já havia encontrado seu lugar no mercado de trabalho: atuava em seu próprio estúdio de Pilates, uma referência na área, que sinalizava a construção de uma carreira sólida. Com a chegada do primeiro filho, que hoje está com quatro anos, percebeu que seus horários profissionais eram incompatíveis com a rotina de uma criança recém-nascida. “No começo, procurei conciliar as atividades. Contudo, quando fiquei grávida do meu segundo filho, que está com dois anos, compreendi que tinha que fazer uma escolha: ou a maternidade e a criação dos filhos, ou a dedicação à profissão”, conta Débora. Optou pela família.

Há três anos longe do mercado de trabalho, não se sente na contramão da mulher contemporânea. “Quando fiz minha escolha, tinha certeza do que queria, e hoje me realizo com o que faço”, afirma, acrescentando que o acúmulo de atividades sobre as mulheres tem mostrado que é saudável ter alternativas que conciliam o bem-viver à possibilidade de criar e educar os filhos à moda antiga, acompanhando seu desenvolvimento, cumprindo as funções diárias de uma mãe.

No começo, percebeu certo preconceito em relação à sua decisão e até hoje é questionada sobre seu possível retorno ao trabalho.  No entanto, Débora está convencida de que fez a escolha certa. “Hoje, consigo acompanhar meus filhos em suas atividades diárias e participo diretamente da educação deles. Avalio que a mãe mais presente no lar traz uma segurança, uma tranquilidade maior para toda a família”, explica.      

EDUCADORA DENTRO E FORA DE CASA

Priscilla Maria Bonini Ribeiro também enfrenta o desafio cotidiano de educar, mas, no caso dela, essa tarefa extrapola a esfera familiar: além de mãe, é presidente da União dos Dirigentes Municipais do Estado de São Paulo (Undime-SP) e da região Sudeste (Undime Sudeste), conselheira estadual de educação de São Paulo, secretária de educação de Guarujá (SP), mestre em educação e professora universitária.

Para a educadora, as diferenças entre os desafios enfrentados no âmbito doméstico  e no campo profissional não podem ser mensuradas porque suas dimensões são distintas. “Conciliar tarefas profissionais, de mãe e de esposa pode não ser fácil, mas é possível quando acreditamos nas escolhas que fizemos na vida e na missão que temos como seres humanos. Acredito que quem ama sua profissão carrega dentro de si uma força inesgotável”, ressalta a professora. Priscilla descobriu na disciplina, na persistência e na força de vontade o caminho para o equilíbrio no cumprimento dessas diferentes funções.

Essas qualidades se refletem no ritual de cuidados que a secretária de Educação dedica aos filhos. “Todos os dias, independente de onde eu esteja e da forma de me comunicar, dou bom dia e boa noite aos meus filhos”, revela. Com esses pequenos atos, fortalece a relação de respeito e de construção mútua. Quando não pode estar presente, conta com o apoio incondicional do marido, dos pais, da sogra, das irmãs e dos amigos, sempre leais nos momentos de turbulência inerentes aos cargos que ocupa.

Nem mesmo nos momentos de desânimo e de angústia pensou em desistir da profissão. “Fui criada no seio de uma família de educadores e aprendi que a qualidade de tempo junto aos filhos é superior à quantidade”, explica Priscilla. Sua maior preocupação é, em meio a tantas funções, não ultrapassar os limites do corpo e da alma, o que torna a disciplina é essencial em sua vida.

Com sua mãe, Elmara, que alcançou um papel de destaque em sua área de atuação e criou cinco filhas, aprendeu que realização profissional nada tem a ver com culpa. “A culpa é reflexo de uma situação não definida verdadeiramente no interior da pessoa. Quando tive meu primeiro filho, soube que minha vida mudaria.  Reavaliei meus projetos e planejei com muito amor a vinda dele e as mudanças que aconteceriam com seu nascimento”, afirma. Sua atitude foi a mesma com o nascimento da filha. Graças a essa relação pautada no amor, no respeito e no limite, acredita que seus filhos jamais se sentiriam felizes se ela fosse uma mãe diferente.

Apesar da carreira sólida, sabe que não pode ficar estagnada profissionalmente. Como a maior parte das mulheres, já sentiu que a condição feminina poderia ser uma ameaça à sua realização profissional. Optou por não se abater e usar a situação a seu favor. “Demonstrei que era merecedora do lugar que ocupava. Com o tempo, as muralhas da discriminação se quebraram”, conta a educadora.

Hoje, sabe que as conquistas da mulher no mercado são muito pautadas por suas ações na luta pelo espaço. A educadora destaca que ter coerência é fundamental. “Não se pode exigir apenas direitos, é preciso assumir as responsabilidades”, defende Priscilla. Para ela, preconceito e discriminação em relação às mulheres são frutos de uma cultura que não se sustenta nos dias de hoje.

ROMPENDO O SILÊNCIO

A responsável pela Coordenadoria da Mulher de Ribeirão Preto, Jussara Teixeira Marcelino, tem trabalhado incessantemente para ampliar a rede de atenção aos direitos, à proteção e à saúde da mulher. Mais do que uma estudiosa no assunto, Jussara tem como motivação sua própria história de vida. Casou-se na década de 70 com um rapaz que personificava o sonho de genro de qualquer pai: era dentista, profissão respeitada e desejada naquela época, um pretendente perfeito para quem tinha uma filha militante, que acabou presa em função da ditadura militar. Aos 21 anos, abandonou o curso de direito da Faculdade Mackenzie para se casar.

Os primeiros indícios de violência surgiram com agressões verbais. “Essas situações começaram a ocorrer num crescente, porque eu reagia, batia de frente”, conta Jussara. Na época, sabia que se voltasse a viver perto de sua família cessaria a violência, mas não conseguia tirar da cabeça uma frase dita pelo pai ao entregar as chaves de um carro, quando ela completou 18 anos: “A partir de hoje, você é responsável pelos seus atos”.

Para piorar a situação, seu marido passou a beber cada dia mais. Na primeira vez, apanhou porque não quis ir a uma roda de samba. Acabou cedendo porque achava que tinha que obedecer, como foi ensinada em um colégio de freira onde foi criada. “Quando estava grávida do meu segundo filho, esse homem me deu uma surra, não me lembro por qual motivo, que fiquei caída no chão. Mas eu não contava, não falava com ninguém”, revela Jussara.

Em 1980, começou a se preparar para a separação, mas uma nova gravidez adiou seus planos. “Teria que aguentar mais três anos, até que meu filho estivesse idade de ir à escola. Entrei em depressão, fiquei mais de um mês sem sair de casa, fiquei em pânico total”, afirma. Entre lágrimas, desculpas, serestas e buquês de flores, Jussara acabou permanecendo naquela situação.

Em 1985, mudou-se para Uberaba e, sob o pseudônimo “Angela”, começou a defender os direitos da mulher em artigos de jornal, passando, posteriormente, a trabalhar com adolescentes. Aos 37 anos, Jussara já estava em seu limite. Foi quando aconteceu a cena que a fez despertar e mudar definitivamente de vida. “Um dia, enquanto meu ex-marido me arrancava da cama e me arrastava pelo quarto, puxando meus cabelos, vi meu filho de 11 anos assistindo à cena. Naquele dia, percebi que se não acabasse com aquela situação, criaria um círculo vicioso, perpetuaria a violência”, explica.

Um ano depois, retornou à casa dos pais, quando, enfim, rompeu o silêncio e relatou o que sofrera por 15 anos, sentindo-se culpada, envergonhada. Finalmente, deixou cair a máscara da personagem que criara:  a mulher realizada e feliz no casamento. “As pessoas têm a falsa ideia de que somente mulheres pobres e ignorantes são vítimas da violência doméstica. Isso é uma grande mentira: não éramos ignorantes, nem miseráveis, no entanto, durante anos vivi um cotidiano de medo. A mulher tem que romper esse silêncio, livrar-se da vergonha e da culpa; ela precisa se conscientizar de que é uma vítima”, afirma. Hoje, quando olha para o passado, Jussara se sente mais que uma sobrevivente. “Sinto-me vitoriosa”, orgulha-se.

A MULHER E O AGRESSOR

A cartilha da Ordem dos Advogados do Brasil mostra o perfil do agressor em potencial: ataca a mulher a maior parte do tempo; é mais agressivo quando bebe ou se droga; acusa-a de infidelidade constantemente; desencoraja relações familiares e de amizade; priva-a de trabalhar e de estudar; critica-a por pequenas atitudes; controla as finanças, forçando-a a comprar o que ele acha importante; humilha-a na frente dos outros; destrói objetivos pessoais e sentimentais; agride e espanca os filhos dela; usa ou a ameaça com armas e a obriga a ter relações sexuais contra a vontade.


Conforme a delegada Luciana Camargo Renesto, titular da Delegacia de Defesa da Mulher, o agressor feminino pode ser qualquer um, independente desse perfil básico. “Um homem com uma conduta até então normal, em uma situação de confronto, pode cometer violência contra a mulher. O latino é muito machista, isso é do brasileiro”, declara.

O agressor contumaz, entretanto, não é nada fácil no trato. Segundo Luciana, é um homem ignorante, emocionalmente fechado e de difícil dialogo. “Temos projetos para tratar o agressor, mas é muito mais difícil: homem fala menos por natureza, ouve uma ou duas frases e, da terceira em diante, já não escuta mais. Isso quando são relativamente cultos, pois os ignorantes, acostumados a resolver tudo pela força, ouvem menos ainda”, relata a delegada.

A Lei Maria da Penha, segundo ela, é uma das mais completas e uma das duas que seguramente levam o homem à prisão — a outra é a falta de pagamento de pensão alimentícia. Mas o problema é mais complexo. “Se a mulher de fato quiser, está totalmente coberta pela Lei. Mas, muitas vezes, ela vem, denuncia, pede medida protetiva e, mais tarde, reconcilia-se com o marido e retira o processo. Precisamos que a mulher queira que a Lei funcione para que ela tenha um resultado efetivo”, observa Luciana.

Diante das mudanças no cenário global, a delegada acredita que a dependência da mulher do agressor, hoje, é muito mais emocional do que financeira. “Em vários casos, quem trabalha é ela. O vínculo é emocional, pois o agressor só se relaciona com quem tem o perfil de vítima: sente culpa, tem vergonha, acha que merece apanhar. A mulher que é vítima de violência e se indigna, apanha uma vez só”, explica a delegada. Quando a relação de violência se mantém por anos, trata-se de um caso crônico, de uma dinâmica que se estabelece entre o casal. A prova disso, conforme Luciana, é que, geralmente, quando uma mulher com esse perfil se separa do agressor, tende a se relacionar com outro, pois o amor, para ela, está relacionado à posse e à violência, e é preciso tratar o casal.

Luciana frisa que antigamente a mulher vitimizada permanecia com o companheiro por falta de opção: quando se separava, era malvista e tinha dificuldade para inserir-se no mercado de trabalho. “As que dependem financeiramente do marido, hoje, pertencem à minoria e é por isso que aposto alto na dependência emocional”, comenta Luciana.

Em 2013, Ribeirão Preto registrou tentativas, mas não homicídios contra a mulher. Houve na cidade 54 casos de crianças vítimas por maus tratos e 48 casos de menores vítimas de estupro. No todo, foram registrados 4.734 boletins de ocorrência de violência doméstica. “Há muitos projetos em andamento. Um dia deixarei esse posto e espero que Ribeirão Preto tenha menos violência e mais mulheres conscientes e esclarecidas sobre seus direitos e sobre quem pode ajudá-las. Minha missão é fazer com que elas tenham escolha, é ampliar a gama de ajuda para que possam sair dessa situação”, destaca Luciana.

DEGRAUS SOCIAIS

Da mulher de 1960 à contemporânea, a mudança foi geral, sobretudo em relação à independência e autonomia.  Como ressalta o filósofo Wlaumir de Sousa, os projetos feministas avançaram devido à necessidade de mão de obra: na visão capitalista, a mulher representava a possibilidade da manutenção de baixos salários. Mas, a cada década, a mulher tem comprovado seu valor. “As principais vias de crescimento delas têm sido a educação e o empreendedorismo. A vida acadêmica tem demonstrado o avançado lapidar da mulher”, ressalta o filósofo.

Com a tecnologia e a terceirização de serviços, elas caminham para a conquista de uma condição mais igualitária à do homem no que se refere ao tempo para se dedicar à profissão.  “A mudança no espaço privado é fundamental para que a mulher ascenda no mercado, no qual já se destaca como mão de obra qualificada, o que se evidenciará nesta década”, afirma Wlaumir.

Apesar dos desafios, a mulher tem conquistado o mercado de trabalho, conquista que se deve, ironicamente, ao domínio social exercido sobre ela: a mulher é educada para ter um comportamento mais contido, sobretudo, nas classes média e alta, o que a torna mais dedicada e concentrada nos estudos. “A sociedade que domina a mulher possibilita como subproduto o avanço da mesma”, observa o filósofo.

Conforme Wlaumir, libertar-se do pensamento dominante é o grande desafio da mulher atual. “Evitar a armadilha de tomar o poder e fazer mais do mesmo, sem mudar a forma de exercê-lo”, completa. É ser mulher a partir de suas próprias concepções, sem reproduzir as expectavas do pai, do esposo, dos filhos e do patrão.

A MULHER NO MERCADO

Entre os fatores que mais impedem a isonomia entre homens e mulheres no mercado de trabalho está a maternidade. De acordo com a economista Natália Batista, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FEA-RP), apesar da diferença entre gêneros estar diminuindo, são necessárias mudanças institucionais. Países mais avançados têm garantido aos trabalhadores os direitos à licença paternidade.

A economista relata que, em 2012, a Corte Europeia de Direitos Humanos decidiu que os homens têm direito ao mesmo tempo de licença que as mulheres para cuidar de filhos recém-nascidos. Entendeu-se que restringir esta licença apenas à mulher é discriminação sexual, o que viola a Convenção Europeia de Direitos Humanos. “Esta revisão também indica que, já que a tarefa reprodutiva necessita dos dois sexos, o cuidado não precisa ficar a cargo de somente um dos cônjuges. Esta mudança é bem-vinda, mas reflete costumes sociais e culturais distantes da realidade brasileira”, acrescenta Natália.

Segundo dados de 2012 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 55% das mulheres com 15 anos ou mais estão inseridas no mercado de trabalho brasileiro; entre os homens, esse índice é de 78%. Considerando a totalidade dos ocupados, a mulher representa 42,4% e os homens, 57,6%. Segundo Natália, essa realidade muda quando se trata de cargos de destaque ou de chefia. “A pesquisa apontou que a proporção de mulheres dirigentes é de 4,4% contra 5,5%, no caso masculino. A grande inserção da mulher no mercado de trabalho ocorre no setor de serviços e em cargos administrativos”, explica.

Apesar de as mulheres ocupadas terem mais anos de estudo do que os homens (9,4 anos contra 8,1 anos para os homens), quanto maior o grau de instrução, mais alta é a diferença na remuneração entre ambos, refletindo uma dificuldade real para a ascensão feminina a cargos de chefia, um argumento empresarial que se baseia nos custos mais elevados decorrentes da licença maternidade e das ausências femininas em função da atenção aos filhos. “Esse argumento reflete a ideia de divisão sexual do trabalho, que atribui à mulher os cuidados com os filhos e que impacta negativamente em sua carreira”, ressalta Natália. Em 2012, as mulheres receberam 72,9% do rendimento de trabalho mensal dos homens — em 2011, esta proporção era de 73,7%.

A pesquisadora acrescenta que a principal dificuldade encontrada pela mulher atual é conciliar o avanço na sua formação acadêmica e técnica, que permite ganhos de produtividade, com um modelo de sociedade que ainda acredita que a responsabilidade de manutenção e cuidado da família é uma tarefa feminina, conceito incorporado aos padrões culturais brasileiros, inclusive entre as mulheres.

NA FAMÍLIA

Pesquisa realizada por Natália levando em conta o período de 1977 e 2007, a partir de dados levantados nas regiões metropolitanas (Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre) e o Distrito Federal, também aponta mudanças significativas na participação da mulher nas finanças do lar: enquanto o modelo tradicional de família, em que o homem é provedor ,era predominante em 1977, representando 73,4%, não chegou a englobar nem metade das famílias biparentais (com a presença dos dois cônjuges) em 2007. As pesquisas se referem a casais entre 25 e 54 anos.

As famílias em que o homem e a mulher estão inseridos no mercado de trabalho compreendiam 23,75% em 1977, tendo subido para 48,89% em 2007. Nesse período, foi verificado um aumento da contribuição feminina na renda familiar. A proporção dos casais em que a mulher contribui mais do que o marido era de 5,30% em 1977 e passou para 10,40% em 2007. O mesmo ocorreu com o número de famílias que possuem a mulher como única provedora, em função do trabalho: de 2,8% no fim da década de 70 saltou para 7,5% em 2007. A proporção de famílias monoparentais chefiadas por mulheres aumentou de 18% em 1977 para 31,5% em 2007.

Apesar do papel da mulher ter se tornado bastante significante, há uma grande discrepância tanto na participação em atividades domésticas quanto na sua intensidade. “Quando os dois trabalham, constatamos que 94,1% das mulheres realizam atividades domésticas, contra 60% de seus maridos. Entre os que a auxiliam com os cuidados do lar, o tempo de contribuição também é muito discrepante: enquanto as mulheres gastam em média 21,8 horas semanais em atividades domésticas, os maridos contribuem com em torno de 5,7 horas semanais”, conclui a pesquisadora.

Texto: Carla Mimessi
Fotos: Júlio Sian, Ibraim Leão e Carolina Alves
Produção de Moda: Marcela Versiani e Mel Cândido
Estagiária de produção de Moda: Julia Verzola
Bolsa: Arezz
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