Em busca de tendências
A feira, realizada entre 12 e 17 de abril em Milão, comemorou os 50 anos do Salone Internazionale del Mobile
Este ano, o Salone Internazionale del Mobile completou 50 anos. A Feira, realizada entre 12 e 17 de abril em Milão, na Itália, é a principal referência no setor de móveis e de decorações quando o assunto são as tendências. O evento, que reúne as criações dos principais designers e os lançamentos das mais renomadas fábricas, pode ser considerado uma verdadeira vitrine para o mundo. Os conceitos apresentados nesses dias serão amplamente difundidos e farão parte de diversos projetos executados nos próximos meses.
E há opções para todos os estilos e gostos, já que a diversidade é uma das premissas mais importantes do encontro. Tanto os produtos mais comerciais quanto os extremamente conceituais têm lugar garantido nos pavilhões que compõem a infraestrutura da exposição. Portanto, o Salone é o local ideal para quem busca inspiração e inovação, atraindo inúmeros visitantes.
Alguns profissionais de Ribeirão Preto marcaram presença no evento, conferiram os lançamentos e trouxeram todas essas novidades em primeira mão para o público da cidade e da região. Entre eles, estavam o arquiteto Sérgio Coelho, o empresário Stélio Robusti, a designer de interiores Ângela Titoto e a arquiteta e urbanista Márcia Okamura.
Para Sérgio Coelho, o mais interessante nessa edição foi ver o nascimento de um novo estilo: o essencial. “Isso é reflexo direto da crise monetária dos Estados Unidos. Como o país é um dos grandes compradores desse ramo, as fábricas europeias tiveram que se adaptar à nova realidade de seus clientes nesse momento crítico. Essa mudança alterou o perfil das tendências. Nos últimos anos, a palavra em voga era o minimalismo, ditando os conceitos do design. Este ano, o essencial é o tema da vez”, adianta o arquiteto.
Segundo Sérgio, o essencial é caracterizado pela busca de elementos ainda mais puros dos que já eram adotados pelo minimalismo e, ao mesmo tempo, mais fortes. “O objetivo principal é encontrar a essência em sua totalidade. Algo simples, porém marcante”, acrescenta. O arquiteto ainda comenta que essa vitrine não se restringe ao espaço onde a feira é realizada. Toda a cidade se envolve nesse universo e diversos eventos paralelos acontecem pelas ruas das zonas Tórtona, Brera e Durini, principalmente. Quem passa pelo local pode conferir exposições, desfiles, mostras e novos talentos, no movimento chamado de “fora salão”.
Stélio Roubusti também visitou o Salone. Entre tudo que foi apresentado, ele destaca algumas tendências que devem ser bem aceitas no mercado regional. Os sofás, por exemplo, prezam, acima de tudo, pelo conforto. Por isso, são profundos, com diversas almofadas fofas e soltas. Os pés são finos e delicados geralmente de inox. Nos móveis, as madeiras continuam, com lâminas naturais. Há predominância da laca, tanto brilhante, quanto fosca, em cores mais neutras, como branco, cinza e camelo. “Essas são tendências da moda em vestuário, que têm grande influência sobre a indústria do mobiliário. Esses dois cenários andam mais próximos do que muitas pessoas imaginam”, aponta Stélio. Algo mais ousado e colorido, como vermelho e amarelo, é indicado apenas nos detalhes, para complementar a ambientação. Os tampões em mármore e granito encrustados nas madeiras também estão em alta. Quando o assunto são os tecidos, os lisos são mais recorrentes, em veludo, couro e linho. O empresário estima que todos esses conceitos em breve farão parte dos projetos desenvolvidos em Ribeirão Preto. “O Brasil absorve rapidamente essas tendências. Há um grande interesse por parte do público, o que gera alta demanda. Assim, o dinamismo se faz extremamente necessário nesse mercado”, opina.
Este ano, a designer de interiores Ângela Titoto participou da Feira pela segunda vez. Para ela, a viagem foi muito importante. “A atualização é fundamental nessa profissão. A todo momento, algo novo é criado. As tendências mudam constantemente e, se você não acompanhar, fica ultrapassado. Eventos assim são essenciais para dar um sopro de renovação no nosso dia a dia. Ver como a criatividade não tem limites, como a estética pode ser trabalhada, checar de perto as composições e os contrastes é fascinante. Tudo é inspirador”, indica Ângela.
A arquiteta e urbanista Márcia Okamura fez a sua estreia em Milão. Segundo ela, a palavra que melhor define o Salone é a liberdade. “Lá, absolutamente tudo pode ser criado, sem preocupação com custo, forma ou uso. E a tecnologia abre um vasto leque para tornar as ideias possíveis. O objeto nasce como peça de criação, de satisfação, como formador de questionamentos. Assim, quando filtramos o que vemos para a nossa realidade, cresce em nós um toque de ousadia. A tendência dos objetos que nos cercam é uma evolução natural de conceitos de vida”, revela.
Texto: Paula Zuliani
Fotos: arquivo pessoal