Em nome da liberdade
A estilista estabeleceu o padrão da minissaia: cerca de 30 cm acima do joelho
Mulheres (e homens!), agradeçam Mary Quant. A estilista britânica, símbolo da moda dos anos 1960, é responsável pela criação da minissaia, o diminuto pedaço de pano que mudou o guarda-roupa feminino por dar mais liberdade às mulheres, permitindo um andar mais rápido e desenvolto. Desde então, a peça está cada vez mais nas ruas e nas vitrines. Mesmo no inverno, usadas com leggins e meias-calças por baixo ou mesmo em verões em que a tendência é saia longa, a minissaia nunca sai de foco. De diferentes tecidos, como jeans, couro ou sarja, a peça ainda obedece ao padrão estabelecido há mais de 50 anos pela estilista: ficar cerca de 30 cm acima do joelho.
Nascida em 1934, Mary Quant estudou Belas Artes no Goldsmith’s College, da Universidade de Londres. Aos 21 anos, achava a moda da época “sem graça” e decidiu criar e vender época de contestações dos valores até então estabelecidos, válidos também para a moda. Os jovens, entrando no movimento hippie, queriam roupas diferentes e abusadas. Mary Quant somou esses fatores para criar um estilo novo, alegre e descontraído, no qual a palavra de ordem era a liberdade. O sucesso foi tanto que em poucos anos ela abriu 150 filiais na Inglaterra, 320 nos Estados Unidos e milhares de pontos de venda no mundo todo da Bazaar. A butique se tornou o símbolo de vanguarda dos anos 60 e 70.
Conhecida como a rainha da moda da “swinging London” (termo usado para descrever a efervescência cultural e o modernismo de costumes da cidade de Londres), Mary Quant foi a primeira a lançar tops de crochê e a pioneira na utilização do material PVC, devido à sua crença otimista no futuro e à euforia das viagens espaciais. Quant também adorava usar flores, símbolo da juventude e da naturalidade, e o cabelo “cogumelo”, no estilo Beatles, que com os olhos aumentados graças à maquiagem, criavam um aspecto quase infantil, meio boneca. Na época, foi um sucesso, pois todas as mulheres progressistas queriam provar sua independência cortando os cabelos.
Hoje, Mary Quant tem 77 anos e ainda exibe o corte de cabelo remanescente da Londres dos anos 60. Sua marca existe em plena atividade na linha dos cosméticos, principalmente para o mercado asiático. Em uma de suas frases mais recentes (à France Presse, em 2004), ela afirma que “o desejo pelo individualismo ficou ainda mais forte e que não se quer mais regras para a moda, apenas peças e ideias que possam ser usadas e combinadas de um jeito próprio no nosso dia a dia”. E viva a liberdade!