Emoção, aplausos e orações
Muita gente se emocionou durante o sepultamento do garoto Joaquim Ponte, de três anos, em São Joaquim da Barra
Cerca de mil pessoas, segundo a Polícia Militar, passou pelo velório do garoto Joaquim Ponte Marques, que desapareceu na terça-feira, dia 5, e o corpo foi encontrado no domingo, dia 10. O velório e o sepultamento ocorreram em São Joaquim da Barra, onde moram os familiares da mãe do menino, Natália Ponte.Durante o trajeto do velório até a sepultura, numa distância de cerca de 200 metros, a população aplaudiu o cortejo por quatro vezes. Já no momento do sepultamento, por três vezes, parentes e amigos rezaram o Pai Nosso por três vezes, enquanto os coveiros terminavam de fechar a sepultura.
Foi um momento de muita emoção, com pessoas chorando. Sobre a lápide, entre as flores, alguém colocou uma miniatura de carro, certamente um brinquedo do menino. O pai de Joaquim, Artur Paes, saiu do velório segurando uma das alças do caixa, mas não ficou muito tempo ao lado da sepultura.
Durante o sepultamento também se ouviu gritos de pedido de justiça, logo abafados por aplausos. “São Joaquim da Barra quer Justiça”, gritou uma mulher, mas alguém pediu que ela parasse de falar. Os familiares evitaram falar com a imprensa e o pai saiu direto do cemitério para São Paulo, onde mora e trabalha como produtor de eventos.
O consultor de vendas Edwaldo Luís Barbosa disse no velório que o sobrinho dele brincava com Joaquim na praça pero da casa deles. “Acho que o culpado, ele ou ela (mãe ou padrasto de Joaquim), deve pegar pelo menos 30 anos de prisão”, disse o consultor, que é amigo do avô paterno do garoto, Vicente Ponte.
O mecânico Vanderlei Hercílio dos Santos, 49, disse que ia muito à oficina do avô de Joaquim, um auto elétrico na cidade. “A cidade ficou muito chocada. Em 25 anos que moro aqui nunca tinha visto uma coisa dessas”, disse.
O caso
O garoto Joaquim desapareceu de sua residência, no Jardim Independência no último dia 5. O padrasto dele, Guilherme Longo, e a mãe, Natália Ponte, foram considerados os principais suspeitos do desaparecimento. Os dois negaram qualquer envolvimento e diziam esperar o garoto com vida.
No domingo, 10, o corpo foi encontrado no Rio Pardo, no município de Barretos, a cerca de 150 quilômetros de onde o garoto teria sido jogado, no Córrego Tanquinho, perto do local onde ele morava. Só depois do encontro do corpo a Justiça autorizou a prisão temporária dos dois, por 30 dias.
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Texto: Guto Silveira
Fotos: Carolina Alves