Entidade propõe mudança na educação
Grupo de Estudos em Eficiência, da FEA-RP USP, identifica modelos eficientes na gestão da educação através de estudos matemáticos
O Observatório Social de Ribeirão Preto (OSRP) – entidade sem fins lucrativos que tem o intuito de analisar e auxiliar na gestão de recursos públicos – se reuniu com representantes da Secretaria de Educação do município e da sociedade civil para um debate sobre os resultados nas avaliações do ensino fundamental, divulgados a cada dois anos pelo Ministério da Educação (MEC) através do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
Durante o debate, a professora Elaine Toldo Pazello, da Faculdade Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) apresentou a metodologia utilizada pelo MEC para gerar os dados do Ideb. A professora apresentou ainda os dados de projeção de crescimento deste índice, estipulado pelo governo federal que pretende atingir, até 2021, 6 pontos na avaliação.
As metas foram fixadas no Termo de Adesão ao Compromisso Todos pela Educação, com base na média dos países integrantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDCE). Todos os anos iniciais do ensino fundamental das escolas das redes públicas (estadual e municipal) e particulares do País participam da avaliação.
No Ideb realizado no ano passado o país fechou em 4,9 – 0,2 pontos acima da meta de crescimento prevista para este ano. Os anos iniciais – 4ª série ou 5º ano – em Ribeirão Preto, contudo, fecharam o Ideb em 6,1, sendo que a meta para a cidade era de 5,7.
Propostas
Alexandre Salgado, professor da FEA-RP, apresentou durante o debate um estudo realizado pelo Grupo de Estudos em Eficiência (GREFIC), em que utiliza a metodologia conhecida como Análise Envoltória de Dados (DEA) para analisar e identificar, através de cálculos matemáticos, práticas eficientes em uma cadeia de gestão.
“Estudamos escolas com bom desempenho e com desempenho ruim. Analisamos e verificamos um padrão que se repete nestas escolas de alto desempenho para que encontremos modelos eficientes de gestão”, explica Salgado, que propôs a implantação de um modelo diferente a Maria Angela Marchi, diretora do Departamento Pedagógico da Secretaria Municipal de Educação, representante da secretária Débora Vendramini no debate.
A proposta apresentada por Salgado é de estudar parte da gestão da Secretaria da Educação, da gestão dos diretores e de algumas práticas pedagógicas.
Hoje o corpo que gere as escolas em Ribeirão Preto é nomeado pelo Poder Executivo. No entanto, na opinião do professor, há modelos de gestão que podem ser mais eficientes. Pois, da maneira como é feita hoje, quando há mudanças na prefeitura e consequentemente nas secretarias, o poder altera a gestão. E muitos param projetos que podem ser benéficos para o ensino. O que, na opinião de Salgado, atrapalha o desenvolvimento deste setor.
Entre 2012 e 2014, o GREFIC analisou mais de 20 escolas nos estados do Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. “Identificamos práticas eficientes e queremos propor isso a Ribeirão Preto, que já está com bons indicadores, mas dá para melhorar”, diz Salgado.
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Bruno Silva
Fotos: Julio Sian
* Publicado em 12/11/2014