Entre os Maiores
Em 18 anos, Festival João Rock já atraiu mais de 600 mil pessoas e está consolidado como um dos principais eventos musicais do Brasil
Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jorge Ben Jor, Skank e Lenine: nomes de peso da música nacional que poderiam compor o line-up (escalação de bandas) de qualquer festival de grande porte realizado no Brasil. E é exatamente em Ribeirão Preto que um dos principais eventos de Rock movimenta fãs de todo o país.
Desde 2002, ano em que 10 mil pessoas se reuniram para curtir Ira, CPM 22 e Titãs na cidade, o Festival João Rock cresce e se consolida como uma das principais referências em eventos de música no cenário nacional. Em 2019, a festa chega à 18ª edição, com público estimado de 65 mil pessoas.

Apesar das proporções tomadas pelo João Rock, Marcelo Rocci, um dos organizadores do festival, afirma que o desafio é, a cada edição, manter a identidade do festival. “Trabalhamos fortemente para promover uma experiência única ao nosso público, sem perder a essência de um evento focado no rock nacional e seus subgêneros”, explica.
Em 18 anos, o João Rock expandiu o espaço, com maior infraestrutura e programação mais extensa, além de bom relacionamento com o público final. “Ele já ultrapassa gerações e a cada ano buscamos conduzi-lo para que o público sinta a irreverência e ousadia de participar de um grande festival”, completa.
O clima de festa nos bastidores, em um encontro de tantos expoentes da música nacional, também é reconhecido no meio artístico. “Por trás dos palcos é uma grande confraternização desde a chegada dos artistas até o final do evento. Muitas vezes foi através das interações nos camarins que surgiram os tradicionais encontros que se tornaram forte característica do João Rock”, ressalta.
Interior na rota
A expressividade do João Rock fez com que Ribeirão Preto entrasse na rota dos principais artistas do gênero no Brasil. Há três anos, uma iniciativa passou a propor a união, no mesmo evento, de artistas já consagrados com bandas independentes. “Nesses 18 anos, buscamos sempre focar na nossa identidade, para não descaracterizar o festival e, ao mesmo tempo, trabalhando para o fortalecimento da cena do rock. Tanto que criamos um novo palco especificamente para bandas independentes, fora dos grandes circuitos, mas extremamente talentosas e importantes para a música nacional”, comenta Luit Marques, organizador.
Palco da vida
Além de promover encontro de grandes artistas, o João Rock também promove encontros que mudam a vida dos fãs. Quem curte o festival também tem boas histórias para contar, reiterando a expressividade do evento. É o caso de Victoria Azevedo e Luiz Fernando Gomes, casal que se conheceu na edição de 2016, e segue firme e forte até hoje.

A estudante Victoria conta que sempre teve vontade de ir ao João Rock. Quando completou a maioridade, em 2016, não pensou duas vezes e comprou o convite para o festival com os amigos. A experiência foi tão boa que, no ano seguinte, a estudante prestigiou mais uma vez o evento. O que ela não esperava é que essa edição ficaria guardada para sempre em sua memória e mudaria a sua vida. “Na edição de 2017 do João Rock, no dia 10 de junho, eu conheci meu namorado. Foi um dia bem especial, além de curtir o show do meu cantor favorito encontrei um amor para a vida”, declara.
Victoria conta que o que foi um encontro casual se transformou em hábito. “Desde que conheci Luiz, nós frequentamos o João Rock todo ano. O evento ficou registrado como um marco na nossa história, que deve ser sempre lembrado”, afirma a garota, admirando a diversidade de personalidades e gêneros musicais que o evento apresenta.
Virtual e real
Além dos romances duradouros, o João Rock também proporciona encontro para os solteiros. Nathalia Duarte, de 20 anos, foi surpreendida no ano passado, quando encontrou, pessoalmente, um rapaz que conhecia apenas por um aplicativo de encontros. “Ele era de Minas Gerais e eu estava em Goiás quando começamos a conversar virtualmente. Pensei que seria impossível de a gente se encontrar, mas felizmente ele veio para o João Rock e a gente ficou durante o show do Froid. Foi uma conexão tão única que continuou depois do festival. Ele ficou hospedado no meu apartamento durante todo o fim de semana. Parecia história de filme”, conta a estudante, que conversa com o rapaz até hoje e guarda boas lembranças da edição de 2018.

Fã de carteirinha
Para os roqueiros assumidos, o João Rock também guarda grandes histórias. O médico veterinário Eugenio Bianchi, de 24 anos, frequenta o festival há cinco anos e se recorda de cada edição que prestigiou. “Minha primeira experiência no João Rock foi em 2013. Foi inesquecível, pois foi no dia do meu aniversário de 18 anos, dia 8 de junho. Comemorei com meus amigos e ainda fiz novas amizades no evento. A galera ouvia que era meu aniversário e vinha me cumprimentar. Ganhei presente dos meus amigos, enfim, foi incrível”, comenta.

Eugenio se lembra, ainda, dos grandes artistas que prestigiou naquele ano. “Assisti ao show do Capital Inicial e tive o privilégio de curtir a música ‘Fátima’, que geralmente não entra no repertório principal da banda, mas naquele dia eles tocaram e eu amei. Teve também a homenagem da banda “A Banca” para o vocalista Chorão, que morreu naquele ano, e ainda Detonautas, que, para mim, foi o show principal da noite. Eles tocaram com uma energia incrível e ainda aproveitaram um problema técnico para mandar uma versão acústica de ‘Pais e Filhos’”, diz.
Em 2014, Eugenio esteve mais uma vez no festival, onde teve a oportunidade de assistir de camarote a seus shows preferidos: Nando Reis, Raimundos e CPM 22 acústico. Já na edição de 2015, o destaque foi para o show da Pitty. “Foi o primeiro show dela que eu assisti e me surpreendi demais. Aquela mulher é incrível, foi o melhor show da noite, sem dúvidas”, afirma.
No seu último João Rock, em 2016, Eugenio curtiu os shows em outro camarote e assistiu, mais uma vez, a Nando Reis e CPM 22. Para o veterinário, o João Rock se destaca entre os outros festivais por ter um repertório eclético, e tende a crescer ainda mais com o palco “Fortalecendo a Cena”, que incentiva bandas de todo o país a se expressarem ao vivo. “O mais bacana de estar presente nesses eventos não é assistir ao show da sua banda preferida, mas, sim, conhecer outras por acaso”, conta o roqueiro, que tem na playlist diária vários artistas que conheceu no João Rock. “Acho que essa diversidade de estilos é o grande diferencial do evento”, conclui.
Colaboração: Paula Viana