Equoterapia
Tratamento consiste na utilização de cavalos para ajudar na reabilitação de pessoas portadoras de necessidades especiais
Pesquisas do mundo todo apontam que o convívio com animais é símbolo de alegria, carinho e ajuda, tanto na saúde do homem quanto no bem estar do animal. A Equoterapia é a prova concreta dessa verdade. Trata-se de um método terapêutico que ajuda na reabilitação de pessoas portadoras de deficiência física e mental.
Reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina, esse tratamento consiste na utilização de cavalos, pois a interação cavalo/praticante permite trabalhar aspectos como a afetividade, a autoconfiança e a sociabilização, facilitando desta forma a reintegração com a sociedade.
Iniciado em meados de 2001 no Centro de Desenvolvimento e Pesquisa de Equoterapia (CEDEPE), no Quartel da Polícia Militar de Ribeirão Preto, a Equoterapia beneficia, além do físico da pessoa, na melhora dos tonos musculares e nos planos físico, psicológico e educacional, objetivando uma maior qualidade de vida.
Segundo o 1º Ten PM Luiz Gustavo Gotardo, que atualmente administra o Centro de Equoterapia da PM, o trabalho começou com apenas dois praticantes e, nesses quase dez anos, o número de pessoas que buscam tratamento com cavalos só aumentou. “Hoje nós temos 16 praticantes de Equoterapia, sendo que já atendemos cerca de 200 pessoas. Em nossa lista de espera há cerca de 100 crianças, mas há também jovens e adultos à espera”, conta.
O tenente também ressalta que, além dos muitos benefícios que a Equoterapia traz aos praticantes, uma equipe multidisciplinar avalia o melhor tratamento para essa pessoa, dependendo do tipo de lesão ou deficiência que ela tem. “O praticante não fica restrito a um consultório médico ou a uma sessão de fisioterapia. O contato com o animal melhora e muito também o aspecto psicológico”.
O Tenente Gotardo enfatiza o bem do tratamento em geral, salientando a participação do praticante como um todo, tanto na conscientização corporal, espacial e maior concentração quanto na melhora da aprendizagem, dos distúrbios da fala e comunicação e na articulação dos sons.
O resultado que a Equoterapia vem mostrando durante todos esses anos é altamente positivo. O cavalo é utilizado nesse tratamento devido a sua força, porte e docilidade, o praticante é colocado sobre o animal e, através do andar, o movimento do cavalo tonifica e trabalha vários grupos musculares da pessoa. O motivo principal do uso do cavalo é que, durante a montaria, o cavalo transmite ao cavaleiro — no caso o praticante — um movimento característico por ser ritmado, repetitivo e simétrico. Esse movimento tridimensional propicia a conscientização corporal do portador de deficiência e estimula a aprendizagem ou a reaprendizagem do andar.
Porém, não é qualquer cavalo que serve para a Equoterapia, explica o tenente Gotardo. Os cavalos são domados e os mais animais dóceis e específicos são escolhidos para o tratamento. “A gente tem que buscar um cavalo que aceite duas pessoas montadas, por que às vezes o praticante não tem a firmeza necessária para ficar sozinho sobre o animal”, esclarece.
A Equoterapia é realizada num campo chamado picadeiro de dimensões — 40 x 60 metros — propício à realização de duas sessões simultâneas. O picadeiro é dividido ao meio, e a cada 30 minutos, voluntários e policiais militares comandam os cavalos junto dos praticantes. O local é forrado com areia, o que diminui o impacto e ajuda no tratamento dos praticantes.
O método terapêutico do Centro de Desenvolvimento e Pesquisa de Equoterapia da PM, que visa à melhoria de portadores de necessidades especiais e uma maior aproximação entre humanos e animais, conta com o apoio de profissionais voluntários. É o caso de Luciana Police, fisioterapeuta e voluntária no CEDEPE há três anos e meio. “Adoro trabalhar com crianças, e na Equoterapia é melhor ainda. Aqui eu trabalho mais a parte física dos praticantes, mas também acabo trabalhando a autoestima, embora seja parte de outros profissionais”, completa.
Durante as sessões de Equoterapia, muitos pais acompanham os filhos e eles garantem que vale a pena. Para Débora Colombini Freire, mãe de Kimberly, de apenas nove anos, a Equoterapia é um tratamento complexo, que atinge várias áreas do corpo e da mente. “Com o tratamento, a Kimberly desenvolveu o equilíbrio, a fala, o intelecto. É um resultado muito positivo, eu recomendo para todos”, finaliza.
Revide On-line (colaborador: Fernando Belezine)
Fotos: Julio Sian
*matéria publicada em 15/03/2011