Era uma vez... Na vida real
Clássico ou contemporâneo, o cinema inspira belas histórias de amor em Ribeirão Preto
Não é de hoje que o cinema serve de inspiração para grandes romances. Essa mistura de ficção e realidade, para alguns, é coisa séria. A verdade é que durante um relacionamento, muitos são os filmes que fazem parte da vida do casal, seja de qualquer gênero ou estilo.
Nas telonas, há amores clássicos, como em Casablanca, de 1942, em que os americanos exilados Rick Blaine e Ilsa Lund vivem um caso de paixão e sacrifício. Em 1995, “As pontes de Madison”, que rendeu à atriz Maryl Streep a indicação ao Oscar de melhor atriz, também inspirou os fãs da sétima arte. No longa, Francesca Johnson, uma fazendeira do interior de Iowa, constrói um romance rápido, porém intenso, com o fotógrafo Robert Kincaid (Clint Eastwood), enquanto seu marido e seus filhos estão viajando.
O romance proibido de Jack (Leonardo Di Caprio) e Rose (Kate Winslet), em Titanic, emocionou dois anos depois. E encorpa a lista de clássicos, que ainda abrange “Uma Linda Mulher”, “Shakespeare Apaixonado”, “Cidade dos Anjos”, “Um Amor para Recordar”, “Diário de uma Paixão”, “O Segredo de Brokeback Mountain”, entre tantas outras histórias que inspiram as mais diferentes formas de amor.
No caso da jornalista Gabriella Visciglia e do empresário Gabriel Chaves Fonseca, o sentimento existe, vívido, a distância. Segundo ela, no entanto, o amor é tão natural que latitude e longitude não importam. Para eles, a inspiração não veio de um filme romântico, mas de uma comédia, que marcou a jornada dos dois por um emblemático motivo: o primeiro beijo foi dado na escadaria do cinema ao final do filme “Se beber não case - Parte 2”. “Virou tradição. Toda vez que vamos ao cinema, na saída, paramos na escadaria e nos beijamos. Acho lindo”, comenta a jornalista.
Para Carolline Rangel, psicóloga, mestre e doutoranda pela Universidade de São Paulo (USP), a contemporaneidade apresenta mudanças socioculturais e tecnológicas que impactam o modo de viver. E, desse tempo de transformações intensas, surgem novas formas de comunicação e novas configurações nas relações humanas.

Segundo a especialista, trata-se de um contexto em movimento, em que nascem, também, novas formas de amor. “Essas novas modalidades do amor dizem da multiplicidade de nosso tempo. O amor tem, na atualidade, uma nova liberdade para existir. O contemporâneo traz a possibilidade de se viver o sentimento conforme cada um o compreende. Ainda assim, algumas histórias permanecem como verdadeiros clássicos do cinema”, afirma Carolline.
Para ela, mais que encontrar as histórias de cinema, talvez seja possível criá-las: um relacionamento é tecido pelas subjetividades de cada um e, se uma grande história digna das telonas for o desejo de ambos, é preciso fazer surgir condições para a realização desse desejo.
Essa criação depende, essencialmente, da disponibilidade de cada um para o amor. “É sempre um risco, uma aposta, uma entrega. E é essa disposição para o amor que permite a construção de uma história — que terá o formato de gênero cinematográfico escolhido a cada dupla”, complementa.
Laços fortalecidos
Um dos desafios da contemporaneidade, de acordo com Carolline, é solidificar o amor e o desejo de viver uma história que seja consistente e significativa. Esse desejo também passa por desafios que exigem suportar a vulnerabilidade do tempo, das mudanças de vida e da multiplicidade das possibilidades para o casal.
De acordo com ela, o amor também trata da subjetividade dos tempos atuais. Ou seja, se as formas de amor são novas, é porque novos tempos se apresentam, assim como novos desafios e configurações. “O amor é o encontro com o outro, mas, essencialmente, é o do próprio encontro conosco diante de alguém. Não oferece garantias ou certezas. Há sempre um risco, uma aposta. E isso é tão grandioso que move a vida humana e que continuamos a escolher o amor apesar toda a ausência de certezas”, conclui.
Encontros virtuais
Filme: Se beber não case - Parte 2
Natural de São Paulo, Gabriella se mudou para o interior aos 15 anos e, graças a uma amiga, conheceu Gabriel ainda via Orkut. Depois de um mês conversando por mensagens de texto e vídeo, em uma visita para a avó na Capital, em 2011, Gabriella foi ao cinema com a amiga e o encontrou. Segundo ela, foi “certeza à primeira vista”. “Nosso encontro foi algo muito especial para que terminasse ali. Eu sentia que não seria apenas uma vez”, relembra.
No primeiro encontro, quando foram assistir ao filme “Se beber não case - Parte 2”, aconteceu o primeiro beijo. E o casal não se separou mais. Até a distância de Gabriella quando cursou a Faculdade Federal de Ouro Preto não foi impedimento para que os dois se vissem aos finais de semana. E é assim há sete anos.
Para ela, o diálogo e o companheirismo mantêm a união e contribuem para fortalecer o amor. Apesar dos mais de 300 km que os separam, o contato entre os dois é diário, seja por mensagens ou por chamadas de vídeo. Sem programação definida, comemorar o Dia dos Namorados, para eles, é o fato de poderem estar juntos. Gabriella faz questão de que o companheiro se faça presente em todos os momentos de sua vida.
Da ida ao trabalho até o momento de dormir, estão sempre em contato. “Sou muito grata por tê-lo conhecido. O relacionamento a distância tem seus desafios, mas com o Gabriel fica mais fácil, pois ele me compreende e me apoia em todas minhas decisões. Eu não vejo minha vida sem a presença dele”, declara.

Amor e proteção
Filme: Como treinar seu dragão?
Apesar das cenas pacíficas durante a saga de Soluço e seus amigos quando seguem atrás de caçadores para não só libertar suas presas, mas também impedir a matança desenfreada dos animais no filme “Como treinar seu Dragão”, Ana Carolina Pirágine Paiva, de 20 anos, sentiu medo. Essa foi a primeira vez que ela e o namorado, André Carrasco Catanoze, de 21 anos, foram sozinhos ao cinema.
O susto só não foi maior porque, segundo ele, protegeu a namorada. “Ela ficou com medo e eu estava lá para abraçá-la”, lembra. O auxiliar de Recursos Humanos conta que conheceu a companheira na Associação Síndrome de Down de Ribeirão Preto (RibDown), uma entidade sem fins lucrativos, que objetiva incluir as pessoas com Síndrome de Down e outras deficiências em todos os níveis da sociedade. “Antes, éramos só amigos, depois trocamos o número de telefone e começamos a conversar, a sair para shopping, para tomar açaí e ir ao cinema”, descreve.
Com o passar do tempo, depois de alguns encontros, André se apaixonou, mas ainda precisava pedir a autorização para os pais de Carol. “Fui falar com o pai dela e mostrar o quanto eu estava gostando da Carol, pedi permissão para namorarmos e ele deixou”, conta.
Já para Carol, o romantismo e o cavalheirismo de André despertaram nela o amor por ele. Prestes a comemorar seis meses juntos, segundo ela, pretende continuar o relacionamento por muitos anos. “Estou muito feliz com o André, ele é bem-humorado, cuida de mim e é meu companheiro em tudo o que eu faço”, declara.

Match point
Filme: 10 coisas que eu odeio em você
Uma partida de vôlei foi o local escolhido pelo destino para promover o encontro entre a vendedora Vanessa Rodrigues, de 25 anos, e a bibliotecária Gabriela Couto, de 30 anos. Com amigas em comum, os encontros se tornaram frequentes depois da quadra. “No final do evento, eu e minha amiga encontramos com ela e foi quando puxei assunto, chamando para jogar vôlei. Depois desse dia, não ficamos mais sem nos falar”, relembra Vanessa.
A diferença de personalidade entre as duas revela a preferência pelo filme “10 coisas que eu odeio em você”. Além de ser o primeiro longa a que assistiram juntas, as cenas mostram muito do que representam uma para outra. Gabriela é mais reservada, já Vanessa, mais desinibida. Uma é festeira, a outra, caseira. “Dá para fazer uma lista entre as nossas diferenças e gostos”, acrescenta Vanessa.
Juntas há cinco anos, para elas, a compreensão, a paciência, o diálogo e o companheirismo, fortalecem a união a cada dia. Segundo Vanessa, o namoro é 100% doação. Para Gabriela, a simplicidade e o otimismo de Vanessa são as principais qualidades da companheira. “Nossa relação significa cuidar, amar e compreender que, independente dos obstáculos, teremos uma a outra para sempre. Amar, para mim, é isso: uma via de mão dupla. É ceder em busca do outro e é ter equilíbrio”, completa Gabriela.

Príncipe da infância
Filme: Saga Crepúsculo
“O coração acelerado, cores e promessas. Como ser corajoso, como posso amar quando tenho medo de me apaixonar? Mas ao assistir você sozinha, toda a minha dúvida de repente se vai”. Essa é a tradução, em português, da música de Christina Perri, “A Thousand Years”, uma das trilhas da saga Crepúsculo que representa muito bem a história dos estudantes Lucas Ferreira Silva, de 17 anos e Letícia Zambonini Gontarzik, também de 17. O motivo? Lucas foi o príncipe de Letícia na festa de comemoração dos seus 15 anos.
Apesar de se conhecerem desde os cinco anos, foi na viagem de formatura do nono ano que começaram a namorar e não se desgrudam mais há dois anos e oito meses. “A parceria da Letícia é o que me causa tanta admiração”, conta Lucas.
Com muitos planos para o futuro, o casal pretende prestar o vestibular para universidades que fiquem na mesma cidade, já que as opções profissionais são parecidas. Se não for possível, Lucas e Letícia engatarão um relacionamento a distância, pois, segundo eles, o que sentem um pelo outro é maior que qualquer barreira. “Além de o Lucas ser meu namorado, é, também, o meu melhor amigo e conselheiro em diversos momentos da minha vida. Caso sejamos aprovados em universidades diferentes, faremos de tudo para nos manter próximos”, declara Letícia.

Para se inspirar
Alguns casais têm histórias marcantes nas telonas ou telinhas. Vale conferir e se emocionar.
Han Solo e Leia - Star Wars
Primeiro princesa, depois general, Leia Organa definitivamente não faz o tipo donzela na saga Star Wars. Então, quem diria que em meio à guerra para salvar a galáxia, ela encontraria o amor? Han Solo, com seu jeito maroto e espertalhão, conquistou o coração da heroína.
Ross e Rachel – Friends
A história de amor perfeita. O casal perfeito. Ross e Rachel formam o casal principal de Friends, mas o mistério da série gira em torno da indecisão se eles ficariam juntos. Quem não se emocionou no episódio do vídeo de formatura? Quem não ficou louco para saber se era dele o casaco vermelho?
Lily e Marshall - How I Met Your Mother
Um amor de faculdade que durou a vida inteira. Lily (Alyson Hannigan) e Marshall (Jason Segel) são considerados por muitos como o melhor casal que How I Met Your Mother teve para oferecer. Mesmo nos momentos mais difíceis, quando tudo parecia ir para o fundo do poço, os dois nunca perderam o bom humor.
Capitão América e Peggy – Vingadores: Ultimato
Peggy Carter apareceu pela primeira vez em ‘Capitão América: O Primeiro Vingador’ e logo ganhou os corações dos espectadores e também de Steve Rogers. A trajetória dos super-heróis foi influenciada pelo fato de nunca terem trilhado um caminho juntos, entretanto, no último longa metragem, Steve volta para a década de 1940 através do Reino Quântico para ficar com Peggy e viverem juntos.
Brokeback Mountain
Enis Del Mar, um jovem sério e que fala pouco, e Jack Twist, alegre e eloquente, passam um verão trabalhando como pastores nas montanhas, completamente afastados do mundo. A solidão, a cumplicidade e a convivência farão com que ocorra um encontro sexual entre os dois. No começo, a intimidade gerará sentimentos confusos e, depois, desencadeará uma história de amor que irá acompanhá-los para sempre.
Texto: Cristiane Araujo
Fotos: Ibraim Leão e Julio Sian