Escambo on-line ganha adeptos e grupos nas redes
Troca de objetos ganham espaço no mundo virtual e facilita a vida das pessoas; professora trocou vestido por tatuagem
Troca, permuta, catira, escambo. Não importa o nome. O ato de entregar um objeto e obter outro ganha a facilidade do mundo virtual e cada vez com mais adeptos. É uma espécie de comércio informal com a rapidez das redes sociais.
Grupos de trocas estão se tornando cada vez mais frequentes entre usuários do Facebook, por exemplo, já que há a possibilidade de conversa rápida entre “vendedor” e “comprador”, além de permitir o envio instantâneo de imagens dos produtos.
Alguns grupos chegam a alcançar a marca de 5 mil pessoas no primeiro ano de sua criação. Outros a com alcance nacional ultrapassam os 20 mil usuários.
Por mais arriscado que pareça, na maior parte dos casos o processo ocorre de forma fácil e segura. Mas sempre é necessário ter cuidado. Pessoas aproveitam as redes sociais e comentam suas opiniões, sejam elas positivas ou negativas. Há neste espaço um lugar indicado para se pesquisar sobre o produto e o trocador.
Rede de trocas
Nestas páginas, qualquer pessoa se torna um “vendedor”. O estudante Victor Hugo Corat disse que em sua primeira troca nestes grupos teve medo. “Ofereci um vídeo game e de forma rápida um homem interessado me procurou, nos encontramos em um local público e a transação foi realizada ali mesmo, de forma segura”, comentou Corat.
O crescimento dessa forma de “comércio” vem ganhando tanta força que um grupo da chamada Rede de Trocas Escambaria já promoveu eventos em espaços públicos de Ribeirão Preto para realizar a prática, quase como se fossem leilões.
Segundo a idealizadora e administradora do grupo Escambaria, Amanda Furlan, o grupo virtual de trocas começou em 2011 com alguns integrantes de Ribeirão Preto.
Coisas em movimento
“Nunca gostei de ver coisas paradas pelas casas das pessoas. Minhas motivações envolvem questões econômicas, socais e ambientais, já que trocar é uma atitude que reduz gastos financeiros e também diminui impactos ambientais, além de ser uma experiência divertida”, frisou Amanda.
A jovem informa que o grupo é focado no conceito de economia solidária, um modo de organização que felizmente está se expandindo rapidamente por todo o mundo.
“É viável para o bolso e gentil com o meio ambiente. Hoje a Escambaria já reúne mais de 6.700 membros na região de Ribeirão Preto”, comentou.
Móveis, eletrodomésticos, livros, jogos, instrumentos musicais. Quase tudo pode ser negociado, mas hoje os campeões de trocas no grupo são roupas e cosméticos. Aliás, as trocas não se restringem a objetos, mas também envolvem serviços como costura, tratamentos de beleza, carreto etc.
Vestido e tatuagem
Pessoas que já aderiram a esta moda contam que a Escambaria já chegou a salvar suas vidas em momentos difíceis como o caso da professora de inglês, a Hellen Haga. Ela conta sobre duas grandes trocas que resultaram até em amizade.
“Estou no grupo há quase três anos e neste período realizei duas grandes transações: na formatura da minha irmã troquei um vestido de festa, bolsa e sapato, mas minha melhor troca foi quando conheci uma tatuadora que resolveu me dar uma “Tatoo” em troca de utensílios. Ficamos amigas e trocamos trabalhos até hoje”, contou Hellen.
Cris Menegussi, hair stylist e blogueira, comenta que a segurança é muito importante na hora de realizar as trocas. “Devemos ter cuidado com as trocas combinando encontros em locais públicos e também analisar bem os itens a serem trocados para não termos uma surpresa desagradável. No caso de serviços o ideal é fazer tudo no mesmo dia. Se não for possível é aconselhável pedir algum tipo de garantia para não se aborrecer depois”.
Além das jovens, diversas pessoas aderem à moda como a estudante Rafaela Gonçalves que conheceu a proposta através da cunhada e já realizou diversas trocas de roupas e cosméticos.
V
ida real
Mesmo com o sucesso das “trocas virtuais”, o escambo pessoal, olho no olho continua firme em Ribeirão Preto. Um dos pontos está na esquina da rua São Sebastião com a avenida Jerônimo Gonçalves, nas proximidades do terminal rodoviário.
Ali as pessoas trocam relógios por bicicletas, cintos por carteiras, celulares por rádios e outros equipamentos e muitos outros objetos. A “feira” tem maior movimento no período da manhã e praticamente todos os dias há pessoas dispostas a trocar alguma coisa.
Mangaio
Outro sucesso da cidade é a chamada Feira do Mangaio, tem origem nordestina e chegou a Ribeirão Preto no ano de 2005 com apoio do vereador Cícero Gomes da Silva (PMDB). Por isso a feira teve início no estacionamento da Câmara Municipal.
Agora ocupando o espaço da Praça Carlos Gomes, a feira acontece sempre no segundo sábado de cada mês. Além de objetos variados para trocas, o local é também frequentado por artistas e artesãos da cidade.
Como funciona
Para participar das trocas, o internauta deve solicitar sua entrada no grupo da Eskambaria
Qualquer pessoa interessada em fazer a troca pode entrar na página do grupo e criar um recado ou mensagem oferecendo seus produtos. Geralmente estes locais são monitorados, já que a comunicação deve seguir um padrão para evitar qualquer irregularidade entre ambas as partes.
O padrão atual do Facebook permite diálogos entre todos, mesmo para os que não são amigos na rede social. Se a oferta for interessante diversas propostas começam a surgir. Caso haja um encontro para a entrega, o recomendado é marcar a visita em locais públicos e bem frequentados.
Revide On-line
Pedro Gomes (Colaborador)
Fotos: Divulgação