Escassez de vagas

Escassez de vagas

Pesquisa da ACIRP aponta que as 1.473 vagas da Área Azul são insuficientes

Importante polo comercial e de serviços, Ribeirão Preto recebe todos os dias milhares de visitantes, que custam a encontrar vagas para estacionar seus veículos na Área Azul, disponível em algumas ruas do Centro e nos Campos Elíseos. Seja pela praticidade ou pela segurança, a maioria acaba se rendendo aos estacionamentos privados, que recebem todos os dias, em média, 5.483 carros, com permanência de 54 minutos aproximadamente. Este conforto pode custar entre R$ 4,00 e R$ 7,00 por hora para veículos e cerca de R$ 2,00 para motos.

O dado faz parte de uma pesquisa realizada pela Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (ACIRP), em dezembro de 2011, que apontou um crescimento de 32% no fluxo diário de veículos na cidade. O trabalho identificou que a cidade oferece 1.473 vagas rotativas, ou seja, no perímetro da Área Azul, e outras mil nos estacionamentos privados. Mas a falta de educação e de bom senso dos motoristas complica ainda mais a situação das vagas. Ainda pela manhã, é difícil encontrar um espaço para deixar o carro na região central da cidade. Ocupar vagas destinadas a deficientes também é um problema corriqueiro.

Além da escassez, motoristas e motociclistas disputam vagas com lojistas e funcionários, que logo cedo ocupam seus lugares em frente ou próximos aos locais de trabalho. Isso sem falar das caçambas, que também ajudam a reduzir ainda mais o número de vagas. A situação incomoda João Paulo Mesquita que, muitas vezes, prefere ir trabalhar a pé a ter que ficar circulando em busca de uma vaga. “Para estacionar o carro no Centro, preciso sair bem cedo de casa”, frisa João Paulo.

O superintendente da Distrital Centro da ACIRP, João Luiz Bignardi, aponta que a falta de bom senso dos motoristas, aliada à falha na fiscalização e no controle das vagas da Área Azul, são sérios agravantes. Sem os funcionários que forneciam e controlavam a permanência nas vagas, muitos motoristas estacionam e não renovam o cartão, vendido nos estabelecimentos comerciais a R$ 1,00 para permanência máxima de duas horas. De acordo com o site da Transerp, o infrator está sujeito a multa de R$ 53,20, perda de três pontos na Carteira Nacional de Habilitação e remoção do veículo.

Hoje, a fiscalização da Área Azul é também feita pelos agentes civis, conhecidos como marronzinhos. Mas, em muitos casos, as autuações geram dúvidas pela falta de clareza em sua aplicação. Isso aconteceu com o professor Euclides Carlos de Oliveira, que estacionou na rua São Sebastião, na vaga específica para deficientes físicos, para levar o tio ao médico. Mas ao voltar, o veículo havia sido multado. “Eu vou recorrer porque estava no local indicado e, mesmo assim, fui penalizado”, lamenta.

A situação não é diferente para os motociclistas. Como as áreas criadas especificamente para estacionamento de motos ficam praticamente tomadas por mototaxistas, os condutores acabam disputando as vagas destinadas aos veículos. “Venho ao Centro várias vezes ao dia e, muitas delas, não consigo estacionar no local destinado a motos. Depois das 11h, a situação fica ainda pior”, reclama José Alves Martins Filho, que usa a motocicleta como veículo de trabalho.

Para o mototaxista Alexandre Donizete de Oliveira, a convivência é pacífica. Com 13 anos de exeperiência, ele revela que as motos não ficam paradas no mesmo local por mais de dez minutos. José sugere à Prefeitura que crie locais específicos para abrigar os mototaxistas. A iniciativa, segundo ele, facilitaria a vida dos usuários e também dos profissionais.

Para que o impasse seja solucionado, a volta de funcionários específicos e a ampliação do número de vagas para a Área Azul estão, segundo o dirigente da ACIRP, entre as principais providências.

Nova pesquisa

João Luiz observa que uma nova pesquisa da ACI-RP deverá ser concluída, desta vez, identificando os números reais de veículos de fora de Ribeirão Preto. E reforça que a Associação Comercial está negociando com a Prefeitura para que volte a tomar conta Área Azul. O dirigente e também é comerciante, solicita uma melhor sinalização, como por exemplo, as referentes à restrição de horários para carga e descarga de mercadorias.

O superintendente da Distrital Centro, reforça que a pesquisa do ano passado forneceu parâmetros para identificação real do problema da falta de vagas para estacionar, bem como, saber a quantidade de veículos que circulam na cidade. Nos estacionamentos particulares, 2.555 vagas são ocupadas por veículos mensalistas. A ACI também pesquisou os ônibus intermunicipais, identificando que 408 veículos circulam por dia na cidade, transportando em média 40 mil pessoas/dia. Já as vans intermunicipais trazem 10.380 pessoas por dia à Ribeirão.

Os 600 mototaxistas fazem em média 23 viagens /dia, enquanto os 123 taxistas fazem dez viagens/dia cada um. O trabalho aponta que por mês, 198.254 pessoas são transportadas por mês. Hoje, somente a frota local é estima em cerca de 410 mil veículos e mais de 108 mil motocicletas.

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