Espaço de dignidade
O CECI abriu as portas há pouco tempo e já possui lista de espera. Para a coordenadora, resultado foi possível graças ao ambiente alegre e motivador
Favorecer a qualidade de vida por meio do desenvolvimento de habilidades psicossociais e atividades que preservam a independência e a autonomia dos idosos é a função do recém-inaugurado Centro Especializado de Convivência do Idoso (CECI) “Rosa Gileno Tácio”. Localizado nos Campos Elíseos, onde funciona também a Coordenadoria do Idoso, a unidade, segunda em Ribeirão Preto, é gerenciada pela Secretaria da Assistência Social e atende cidadãos com 60 anos ou mais em situação de vulnerabilidade social. Para a seleção dos idosos, o CECI avaliou a situação de cada candidato em relação à condição de isolamento, pertencentes a famílias que trabalham e não conseguem prover os cuidados necessários durante o dia ou parte dele.
Os trabalhos são realizados em grupos, garantindo a socialização e o contato com outras pessoas na mesma faixa etária. As atividades são desenvolvidas por profissionais especializados, entre eles, psicólogo, assistente social, educadores e enfermeira, que estimulam a autoexpressão, melhoram a comunicação e a revitalização dos idosos. “O local possui uma ampla estrutura, com cozinha equipada, enfermaria, refeitório, banheiros feminino e masculino com acessibilidade, almoxarifado, sala de terapia ocupacional, sala de televisão, quartos confortáveis, tudo pensando no bem-estar dos idosos”, comenta Maria Sodré, secretária de Assistência Social.
A alimentação também é realizada sob a orientação de uma nutricionista que garante cardápios adequados aos idosos. No CECI, os acolhidos contam com café da manhã, almoço e café da tarde. Entre as atividades disponíveis estão artesanato, terapia ocupacional, ioga, música, filmes, teatro, passeios e festas comemorativas.
O CECI tem um ponto de melhoria: a locomoção dos idosos. Segundo a coordenadora Magda Chinelatto, esta função era feita pelo próprio equipamento. “Antes, no primeiro Centro, fazíamos a locomoção dos idosos, mas percebemos que a logística era demorada, pois íamos às casas de cada um e isso atrasava a chegada deles para as atividades. Agora os familiares têm a responsabilidade quanto ao transporte dos idosos até a unidade e, com isso, ganhamos mais interação, pois conversam com os técnicos na presença dos idosos e estes, sem dúvida alguma, sentem-se queridos e cuidados”, comenta Magda.
A coordenadora adiantou que, no decorrer do ano, o CECI terá programação de inúmeras novidades. “Teremos atividades desenvolvidas na terapia ocupacional, entre elas, as que trabalham a motricidade, a memória, a lateralidade, as habilidades manuais com o uso de miçangas, pintura em tecido, bordados, entre outros. Duas vezes por semana, os idosos fazem ioga, que ajuda na harmonização do sistema nervoso, no equilíbrio do corpo e traz melhoras expressivas ao sistema respiratório e cardiovascular. Datas comemorativas são contempladas, assim como passeios. Enfim, faremos tudo que leve o idoso a melhorar sua qualidade de vida”, afirma Magda.
O CECI abriu as portas há pouco tempo e já possui lista de espera. Para a coordenadora, este resultado foi possível graças ao ambiente descontraído, alegre e motivador, reservando novidades para os frequentadores. “Temos nove homens e 11 mulheres. Nosso público mudou de uma unidade para outra pelo equilíbrio na quantidade do público masculino, portanto, o desafio é pensar em atividades capazes de agradar a todos, mesmo àqueles que ainda estão em fase de integração”, continua a coordenadora.
O atendimento do CECI trouxe benefícios para a saúde de Aparecida Zanchietta Malta. Seu esposo, José Carlos Malta, conta que a idosa ficava sozinha durante todo o dia e, por isso, não era ativa e se sentia desanimada. “Como trabalho durante o dia, ela acabava ficando muito sozinha. Aqui, fez amizades e está em atividade constante, mantendo a mente ativa. Quando volta para casa, ela tem um monte de novidades para contar”, comemora.
A diferença de humor é percebida também por José Carlos Marchetti, filho de Lourdes Lopes Marchetti. “Depois que começou a frequentar o CECI, minha mãe está mais ativa. A interação com outros idosos e com a equipe a deixou mais alegre”, observa. Para Dezuíte de Souza, as atividades são o que mais mudaram a vida do esposo, Lázaro Roque de Souza. “Aqui, as atividades têm horário certo, assim como a alimentação. Antes, ele só dormia e não se alimentava direito. Depois que entrou no CECI, além das amizades que fez, está mais ativo e com mais disposição”, afirma.
Centro Especializado de Convivência para o Idoso
Rua Edgar Cajado, 400, Campos Elíseos
Tels.: (16) 3626.3899 e 3917.0323
Revide on-line
Olá Bruno,
Após o feriado de carnaval envio-lhe as questões sugeridas.
Seguem abaixo:
Vamos às perguntas:
- Quanto tempo durou a sua pesquisa da IRFM?
De 1999 a 2004
- Por que o interesse no local?
Desde a graduação em Arquitetura e Urbanismo no Moura Lacerda, o professor Francisco Gimenes, me chamou a atenção da importância do complexo fabril da Cianê/Matarazzo, sobretudo para o bairro Campos Elíseos e consequentemente da importância da preservação daquela arquitetura, de sua história etc. Então, desenvolvi o meu Trabalho Final de Graduação sobre a Cianê/Matarazzo e, mais tarde dei continuidade a esse campo de pesquisa - Patrimônio Industrial - no mestrado, ampliando a pesquisa para as Indústrias Matarazzo no interior do Estado de São Paulo.
- Na sua opinião, a Cianê/Matarazzo é um local apropriado para a ocupação cultural?
Para se chegar a um diagnóstico desse, seria necessária uma ampla análise sobre a vocação desse patrimônio com base nas necessidades do bairro e da cidade. De qualquer forma, para a preservação de nosso patrimônio histórico, é fundamental que o bem tenha um uso, seja ele público ou privado. Esse é o primeiro passo para o início do processo de sua salvaguarda.
- A construção da Cianê data de meados de 1940. Correto?
As Indústrias Matarazzo instalam-se primeiro no centro da cidade na década de 1930 e, em 1946 a Fiação e Tecelagem da Matarazzo, no Campos Elíseos é inaugurada. Em 1981 a Companhia Nacional de Estamparia (Cianê) adquiri esse complexo fabril, encerrando suas atividades em 1994.
- Com esta data em mente, do ponto de vista estrutural do local, é complicado [e caro] a restauração dos galpões da Cianê?
Novamente, é de extrema importância caminharmos para preservar nosso patrimônio arquitetônico, num entendimento de que os remanescentes materiais são portadores de informações únicas e estes devem ser compreendidos em sua realidade ontológica. A restauração de um patrimônio arquitetônico pressupõem um grande investimento para pesquisas, projeto e tecnologia, que será revertido para a manutenção de nossa memória e identidade coletiva. No nosso tempo temos bons profissionais e tecnologias cada vez mais avançadas para a preservação desses bens, mas é urgente fortalecer ações para que haja investimentos nessa área.
- Tombado desde 2010, nada foi feito à Cianê. Na verdade, muitas oportunidades de verbas foram perdidas, houve um incêndio e também a ocupação para moradia de desabrigados. Você, como arquiteto, qual destino daria para o lugar? (um museu? Uma biblioteca? Um shopping?) – pergunta bem subjetiva mesmo.
Como já dito, o destino a ser dado a Cianê/Matarazzo deve partir da necessidade real do bairro e da cidade conjugada com a vocação e os valores desse complexo fabril, que devem ser preservados e revelados.
- Após o tombamento – pelo CONPPAC – o local passa a ser fiscalizado por algum órgão para evitar depredação? Qual?
O dever de salvaguardar o nosso patrimônio histórico passa primeiramente pelo seu proprietário. No caso da Cianê/Matarazzo, parte desse complexo fabril foi doado à Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, em 2004 e, desde então, todo esse patrimônio vem sendo depredado com uma enorme rapidez, processo bem diferente da época em que o proprietário era o Banco Itaú. Além disso, é fundamental a participação do CONPPAC e da sociedade civil no sentido de fiscalizar e denunciar, através do Ministério Público, ações depredatórias.
- As Industrias Matarazzo, pela pesquisa bem superficial que fiz na internet, era aproximadamente – ou pouco mais – de 300. Você sabe se outras indústrias passa pelo mesmo impasse que passa a Cianê/Matarazzo? De abandono?
Há uma divergência sobre o número exato de fábricas da Matarazzo, mas sim foi um grande império com mais de 200 fábricas. Tratando-se de fábricas, ocupando grandes áreas, agora urbanas, há uma dificuldade de preservar e valorizar esses bens. São inúmeros os casos de perda e abandono do patrimônio industrial em nosso país. Um caso positivo, ocorreu em Presidente Prudente, onde as antigas indústrias Matarazzo, depois muita luta, foram preservadas e transformadas em um equipamento cultural.
Como as próximas questões demandam um pouco mais de tempo, eu te enviarei amanhã.