Esperança Reconstruída
Equipe médica do Hospital Especializado, do Grupo São Lucas, detalha procedimento de reconstrução do couro cabeludo de jovem que sofreu acidente de Kart em Recife
A equipe médica do Hospital Especializado, que faz parte do Grupo São Lucas, detalhou o transplante microcirúrgico na auxiliar de educação Débora de Oliveira, de 19 anos, que sofreu um acidente de kart em Recife e perdeu o couro cabeludo em agosto. Ela foi transferida do Nordeste para Ribeirão Preto em razão da complexidade do tratamento, que requeria procedimentos específicos possíveis de serem realizados no Hospital Especializado. Desde então, Débora foi tratada no município.
O presidente do Grupo São Lucas, Dr. Pedro Palocci, ao lado dos médicos Salomão Chade, Daniel Lazo e Alex Fioravante, destacou que o principal objetivo, durante o tratamento, é atender com a mais alta qualidade. “É normal, no ponto de vista do hospital, receber pacientes em casos graves e é nossa função dar cobertura ao tempo que for necessário para que esse trabalho de recuperação da paciente seja feito de maneira adequada”, afirmou.
O cirurgião Daniel Lazo explicou que, até o fim de outubro, Débora fará curativos laboratoriais duas vezes por semana até ter completa epitelização (novas células que cobrem a pele). Em novembro e dezembro, ela terá férias e retorna no início do próximo ano a Ribeirão Preto para continuar a receber o tratamento. “Nessa fase, a ideia era, primeiro, preservar a vida. O crânio é responsável por proteger o sistema nervoso central. A ideia inicial era cobrir e, posteriormente, colocar uma prótese capilar, já que não será possível crescer cabelo. A partir de janeiro, vamos enxertar gordura e reconstrução dos supercílios. Em junho de 2020 será possível refazer exames ambulatoriais simples de serem resolvidos”, explicou o especialista.

Exemplo
Ferida no acidente que ocorreu em 11 de agosto, Débora afirmou, durante a entrevista, que tem como objetivo “ser um exemplo de força” para as mulheres em situação semelhantes à dela: sem cabelos, doentes ou inseguras.
A auxiliar de educação recebeu alta no sábado, 12 de outubro, mas, ainda assim, permanecerá em Ribeirão Preto por mais três semanas para concluir os procedimentos da primeira fase do tratamento. “Será a chance de conhecer um lugar tão longe de Recife, minha terra natal. Até hoje, eu só conhecia os estados de Pernambuco, a Bahia e a Paraíba”, conta, otimista.
Débora não terá mais cabelos naturais, pois perdeu todo tecido capilar em razão do acidente. “É um dos desafios que eu vou ter que viver, pois, para uma mulher, é muito complicado perder essa parte da estética. Quanto ao rosto, eu tenho certeza de que vai haver um ótimo resultado. É um processo demorado, mas tenho uma expectativa muito grande com o resultado. Eu não vou ter vergonha. Sinto que muitas das vezes nos escondemos com medo de nos sentirmos feios ou desaprovados e eu não quero sentir isso. Meu cabelo original pode ser transformado em prótese, mas eu não pretendo o usar. Já que meu caso teve repercussão, eu quero incentivar as mulheres a se sentirem bem”, disse.