Esporte de personalidade

Esporte de personalidade

Muito mais que aventura, o canionismo mistura ação radical, exploração de lugares inóspitos, companheirismo e o desenvolvimento pessoal do praticante

Conhecido também como “canyoning”, o canionismo é um esporte de aventura que consiste em descer o leito de um rio em caráter exploratório, no qual se utiliza diversas técnicas como rapel, natação, saltos, tobogãs e marcha aquática, sem causar o menor dano ambiental.

Devido a essa personalidade de exploração e potencial risco ao ser praticado, o canionismo é um esporte que vai à contramão das demais disputas e se abstém de competitividade, gerando preocupação e cuidado com a segurança dos outros para a progressão da atividade.

Sanner Oliveira é designer e praticante de canionismo há pouco mais de um ano. Ele explica que a prática do esporte desenvolve o senso de companheirismo, estratégico, improviso e previdenciário, além de outros detalhes que só o canionismo proporciona. “Temos contato direto com algumas ciências como a física, a química, a geografia e a biologia. Portanto, é um esporte que promove o desenvolvimento pessoal do atleta”, descreve.

Como o esporte é, no entanto, um misto de aventura e exploração, para praticá-lo é necessário ter prévio conhecimento – tanto dos equipamentos quanto da própria atividade –, saber nadar, perfil psicológico equilibrado, ter condicionamento físico e nenhuma doença que impeça a prática esportiva. É preciso também, antes de tudo, que o indivíduo que tenha interesse em praticar o canionismo sem compromisso deve procurar uma operadora que siga as normas do programa “Aventura Segura” da Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (ABETA), do Ministério do Turismo. Caso a pessoa queira praticar com autonomia, deve se qualificar antes.

Atenção à situação meteorológica e equipamentos gerenciados são algumas dicas para a prática perfeita do canionismo. “Hoje o canionismo tem suas próprias técnicas, mas são diferentes de antigamente”, afirma Sanner. “Já não se aceita técnicas similares oriundas de outros esportes verticais como espeleologia e escalada, apesar de parecidas”.

Rico geograficamente, o Brasil tem excelentes lugares para se aventurar no canionismo. Sanner cita que os cânions da Serra da Canastra, em Minas Gerais, são ótimos para o esporte, além de outros como a Serra do Intendente, Serra da Mantiqueira, Serra do Cipó, Serra Fina e Caxambu (MG), Aparatos da Serra (RS), São Miguel do Oeste (SC), Brotas (SP), Chapada Diamantina (BA) e a Chapada dos Veadeiros (GO). No mundo, destaque para a Serra de Guara, na Espanha, conhecida como pré-Pirineus, chegando a receber mais de 1000 praticantes no verão. França, Itália, Suíça, EUA e México também têm expressividade no canionismo.

“Na Europa, o canionismo é como o futebol para nós. Apesar de nós termos um grande potencial para essas práticas, isso não acontece da forma que esperamos”, afirma Sanner. De acordo com ele, esportes de aventura como o canionismo são pouco divulgados no Brasil por questões culturais. O grupo GBCAN (Grupo Brasileiro de Canionismo), fundado em 24 de junho de 2011, tem por finalidade divulgar e incentivar a prática segura do esporte no Brasil.

A adrenalina de descer um rio por entre cânions é apenas um ingrediente. Sanner conta que para quem gosta de esportes de aventura, o canionismo é paixão à primeira vista. “Quando se entra em um local confinado, ao recolher a corda, o frio na barriga avisa que não tem mais jeito de retroceder. Daí para diante, tem que transpor os obstáculos para sair da “Bocaina”, nome que nós costumamos chamar os cânions”, relata.

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Texto: Fernando Belezine (colaborador)
Fotos: Divulgação

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