Estado grave
Divulgado nesta semana, levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM) aponta queda em investimentos de recursos por paciente em Ribeirão Preto
A Prefeitura de Ribeirão Preto diminuiu os investimentos em saúde, de acordo com dados do Conselho Federal de Medicina (CFM). O levantamento, publicado nesta semana, revela que a administração municipal gastou R$ 550 por paciente no ano em que o prefeito Duarte Nogueira (PSDB) assumiu o governo. Em 2016, ano anterior, o valor era de R$ 571,69. A análise mostra o valor de recursos próprios aplicados pelo município em Ações e Serviços Públicos de Saúde declaradas no Sistema de Informações sobre os Orçamentos Públicos em Saúde (Siops).
Segundo o economista da Associação Comercial de Ribeirão Preto (Acirp), Gabriel Couto, determinar se um gasto público é suficiente é impreciso, pois um valor elevado pode ser igual ou até pior do que um menor, dependendo da qualidade e planejamento desses desembolsos. “A qualidade da saúde pública deve ser medida a partir de outras dimensões além do gasto isoladamente”, diz o economista.

Dalma Lopes da Silva e Silva, de 68 anos, necessita dos serviços públicos de saúde e reclama do atendimento. Além de demorar um ano para descobrir que estava com problemas nos rins, também teve de esperar pela cirurgia, que era de urgência. Em idas frequentes à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município, Dalma relata que teve de gastar muito dinheiro com medicamentos receitados em suas internações, que não estavam disponíveis na rede. “Cheguei a pagar R$ 60 por cada adesivo de morfina, que ajudava amenizar as dores que eu sentia”, diz a idosa. Depois de um ano de espera e de recorrer à imprensa, Dalma foi encaminhada para a cirurgia. “Operei no dia 1º de junho de 2018, já se passaram oito meses, e até hoje estou com problemas”, afirma.

Outro Lado
Sobre os investimentos no setor, a Secretaria de Saúde de Ribeirão Preto afirma, por meio de nota, que a cidade se mantém na média dos municípios do mesmo porte. A pasta informou, ainda, que o valor apresentado pelo levantamento revela que a administração tem trabalhado na eficiência dos serviços prestados. “Durante os dois últimos anos, contratos foram ajustados e despesas diretas foram otimizadas — gastos com água, luz e telefone. Dessa forma, os investimentos foram diretamente aplicados no desenvolvimento dos serviços em saúde de qualidade, sem aumento nos custos”, esclarece a secretaria.
Texto: Gabriela Maulim | Fotos: Arquivo Revide