Estiagem afetará preços de produtos
Redução da produção de alimentos refletirá em reajustes na ponta do consumo
A seca que atingiu a região centro-sul do País neste início de ano terá impactos de médio e longo prazos na agricultura e na economia, avaliaram especialistas ouvidos pelo Portal Revide. Quebras de produção de grãos, cana-de-açúcar e de hortaliças e altas nos preços dos alimentos estão previstas.
Na região, as culturas mais afetadas são o amendoim e a cana. De acordo com o professor de Agronegócio da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, Roberto Fava Scare, a falta de chuvas vai atingir em cheio as finanças das usinas que já estão fragilizadas pelo alto custo e baixo retorno.
“As usinas tiveram uma retomada da produtividade em 2012 e 2013. Esta seca vai impactar na colheita da cana e fazer mais pressão no endividamento das empresas do setor sucroenergético”, avaliou. Entre 2007 e 2012, 41 usinas fecharam as portas no País. Em janeiro, a Usina Carolo, de Pontal, fez um pedido de recuperação judicial para conseguir se reerguer.
De acordo com Luís Fernando Zorzenon, engenheiro agrônomo da Casa da Agricultura de Ribeirão Preto, as cultivares precoces e de ano da cana-de-açúcar serão as mais afetadas, pois não tiveram água no período de maior crescimento.
O engenheiro estima perdas entre 20 e 30% nas lavouras da região agrícola de Ribeirão Preto. Segundo Zorzenon, os impactos serão sentidos a partir de junho, quando começam as colheitas de alguns plantios precoces.
O amendoim, que é plantado como cultura de rotação com a cana, também sofreu um forte revés com a seca, pois não teve água no período de enchimento da vagem. O retorno das chuvas pode atrapalhar ainda mais os agricultores, que não conseguirão realizar a colheita. A Casa da Agricultura estima perdas de até 50% na safra.
O prejuízo nas lavouras de soja e milho depende do tempo de cultivo das oleaginosas. O milho deve ter queda de até 30% na produção, enquanto que na de soja pode atingir 40%.
As donas de casa podem se preparar para os aumentos nos preços dos hortifrútis. São calculadas perdas de até 50% na produção de hortaliças de frutos, como berinjela, tomate e pimentão. “O forte calor fez com que as flores destas culturas abortassem, impedindo o nascimento do fruto”, explicou Zorzenon.
A alternativa para consumidores é buscar alimentos substitutos para evitar pagar mais caro no caixa. Os alimentos representam quase um terço no cálculo da inflação mensal e devem pesar nos índices dos próximos meses, de acordo com o professor Fava Scare. “Diminuindo a produção, o preço vai subir e impactar na inflação de alimentos em diversos setores ao longo do ano”, analisou.
Revide On-line
Texto: Brunno Vogah (Colaborador)
Foto: Arquivo Revide