Estímulo passageiro

Estímulo passageiro

Com os novos preços, os modelos zero quilômetro tornaram-se muito atrativos aos olhos dos consumidores

O mercado de automóveis está aquecido. No fim de maio, o Governo anunciou um pacote de incentivos, incluindo a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para o segmento, além de aumento de crédito. Os carros de motor 1.0 produzidos no Brasil, a álcool/Flex e a gasolina, tiveram o IPI reduzido de 7% para zero. Aqueles com motor entre 1.0 e 2.0 a gasolina tiveram diminuição da alíquota de 13% para 6,5%, e a álcool/Flex, de 11% para 5,5%. Para os comerciais leves e utilitários, a redução foi de 4% para 1%. 

Já nos importados até 1.0 tiveram redução de 37% para 30%; os de motor entre 1.0 e 2.0 Flex, de 41% para 35,5%, e a gasolina de 43% para 36,5%. Os utilitários importados receberam ajuste de 34% para 31%. Quanto ao crédito, a aprovação cadastral dos consumidores pelos bancos passou de 35% para 55% das propostas após as medidas anunciadas pelo governo.

Com os novos preços, os modelos zero quilômetro tornaram-se muito atrativos aos olhos dos consumidores. Há um mês, o administrador Evandro Leone foi à concessionária a fim de trocar seu Citroën C4 por um C5 com 30 mil quilômetros rodados. Após analisar diversos fatores, como o ajuste do IPI e as condições de pagamento, acabou levando outro C4 zero. “Foi um negócio muito melhor. Voltei menos dinheiro do que desembolsaria no seminovo. Além disso, o carro é a versão top de linha e tem três anos de garantia”, comenta Evandro.

Os representantes de vendas sentiram, no primeiro mês, o impacto positivo das medidas. “Notamos um considerável aumento no fluxo de clientes e de vendas de veículos novos nas operações. Além disso, a alta do dólar não afetou a comercialização de carros importados”, afirma Luís Eduardo Guião, o Dado, diretor do Grupo Santa Emília. 

Segundo Cesar Rodrigues Jr., gerente comercial da Kyoto Mitsubishi, a redução do IPI foi fundamental para fomentar as vendas. “Houve um ajuste linear em torno de 8% no preço final dos importados, gerando um aumento de 25% na comercialização desses veículos”, comenta. “A iniciativa veio em boa hora: as vendas cresceram aproximadamente 20%”, completa Helcio Pádua, gerente de vendas da Citroën Indépendance. 

A categoria mais movimentada é de modelos 1.0 que, além de econômicos, tiveram uma redução de preço de quase 10%. “Com condições e valores extremamente atraentes, esses são os veículos que mais chamam a atenção”, diz Dado. As concessionárias estão aproveitando o momento, que durará até dia 31 de agosto, sem prorrogação de prazo. 

Em números
A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), entidade que representa cerca de sete mil concessionárias de veículos no Brasil, apresentou o desempenho do setor em junho deste ano, juntamente com os dados de todo o primeiro semestre. A apuração apontou um expressivo aumento na média de vendas diárias, que passou de 13 mil unidades em maio para 16 mil em junho. O aumento das vendas reduziu, também, os níveis de estoque. 

De acordo com o levantamento da entidade, o setor de distribuição de veículos (automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motos, implementos rodoviários e outros veículos, como as carretinhas de transporte) registrou crescimento de 8,46% em junho, na comparação com maio — foram emplacadas 493.512 unidades em junho, contra 455.007 em maio. Também houve crescimento de 2,21% na comparação entre os meses de junho 2011 e de 2012.

Já no acumulado, o desempenho do primeiro semestre de 2012, em todo o setor, apresentou queda de 3,11%. Foram emplacados, nos primeiros meses do ano, 2.663.114 unidades, contra 2.748.554 no mesmo período de 2011, o que indica que o resultado positivo atingiu apenas os segmentos de automóveis e comerciais leves, graças à redução do IPI — os demais segmentos apresentaram queda, tanto em junho de 2012 como no acumulado. 

Texto: Marina Rezende
Fotos: Julio Sian, Carolina Alves e arquivo

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