Estreitamento universitário
Adolescentes contam como buscar alternativas para escolher a carreira
O primeiro elo entre o vestibulando e o mundo universitário: é essa a sensação descrita por muitos adolescentes que resolveram conhecer as grandes universidades brasileiras antes de fazer a escolha da carreira. Esse tipo de ação está sendo bastante incentivada nos colégios como forma de auxiliar os estudantes no momento da decisão profissional.
Ter a oportunidade de conversar com graduandos, tirar as dúvidas com os professores e, principalmente, descobrir mais sobre as diversas profissões são ações que ajudam os adolescentes a marcarem o X entre as inúmeras opções disponíveis. De acordo com Luiz Toledo, psicólogo do Colégio FAAP, as viagens às universidades têm surtido um efeito muito positivo nos participantes. “É uma oportunidade de conhecer os estudantes, de esclarecer dúvidas e descobrir os medos. Além disso, as idas à USP, UNICAMP e a outras faculdades fazem com que o aluno sinta-se mais próximo dessa realidade, veja que é possível estar ali e desmistifica a imagem que tem do curso superior”, explica o profissional que acompanha turmas do colégio nessas excursões.
Estimular a estudar mais e conquistar a tão desejada vaga também é uma característica aguçada nesses passeios. De acordo com Marcela Accari de Almeida, de 16 anos, esta é a chance de sentir o clima do campus e confirmar a sua escolha. “Você tem a sensação de que aquele é seu lugar. Fiquei mais empolgada para estudar e manter a disciplina para conseguir passar na USP. É naquele lugar que eu quero me formar”, conta a estudante que está em dúvida entre Engenharia ou Medicina, mas já decidiu que quer morar em São Paulo.
Quebrar as barreiras e acabar com a sensação de que só os gênios passam na FUVEST, Unicamp e grandes provas também são comuns depois de conhecer a realidade dos cursos superiores. O jovem Thales Maciel Voltolini, de 16 anos, ficou empolgado ao escutar, de um professor universitário, que qualquer pessoa, tendo disciplina, pode conquistar as vagas. “O contato com os profissionais que trabalham lá mostra que não é impossível estar ali. Você consegue tirar dúvidas, saber mais sobre a carreira, horas de trabalho, oportunidades, a vida que vai levar depois que se formar e muito mais. Acrescentou-me muita coisa”, declara o estudante que vai prestar Medicina.
Para Luiz Toledo, a viagem age positivamente em vários aspectos: enxergar melhor onde vai viver durante a faculdade, o clima do lugar, o futuro depois de se formar, se será possível realizar os sonhos, o estilo de vida que levará como profissional, entre outros pontos. “É uma experiência muito rica e que deve ser incentivada, pois amplia a visão de vida”, complementa o psicólogo. A jovem Beatriz Helena Ricco Verzemiassi, de 18 anos, concorda e acrescenta que é muito importante o estudante pesquisar todas as maneiras disponíveis para fazer a opção profissional. Durante algum tempo, a jovem participou de grupo de orientação vocacional, conversou com profissionais da área e também fez visitas às universidades. O mesmo aconteceu com Victor Zoratti Ferreira, de 17 anos, que, apesar de desejar cursar Engenharia Mecânica, optou por estender essa pesquisa e se aprofundar melhor na área, através de palestras, em contato com a escola e com os alunos.
Tomando a iniciativa de conhecer mais uma faculdade, só que dessa vez sem a presença da escola, Paula Barbosa Gouveia, de 16 anos, pretende ver com os próprios olhos como é a estrutura da Fundação Getúlio Vargas. A jovem aprovou a experiência de conhecer as universidades e está investindo nisso. “Quanto mais cedo, melhor. O aluno que vai atrás de todos os detalhes sai na frente na hora de fazer a melhor escolha profissional”, conclui a estudante.
Texto: Mariana Secaf
Fotos: Carolina Alves e divulgação